Chuvas renovam as esperanças - Regional - Diário do Nordeste

Alegria no sertão

Chuvas renovam as esperanças

Após sete meses, muitos cearenses puderam comemorar chuvas de escala relevante no Interior do Estado

00:00 · 08.01.2016 / atualizado às 08:15 por Honório Barbosa/André Costa - Colaboradores
A barragem de Arneiroz sangrou já na primeira chuva, para a felicidade do sertanejo ( Foto: Rokelânio Chaves )

Iguatu Chuvas intensas voltaram ao Ceará depois de sete meses sem registro de pluviometria elevada. A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) registrou precipitações em 85 municípios. As cinco maiores foram em Icó (130mm); Tauá (105mm); Crateús (95mm); Arneiroz (95mm) e Quiterianópolis (95mm). Os índices pluviométricos mais elevados concentraram-se nos Inhamuns e Centro-Sul.

>Funceme indica continuidade de chuvas no Ceará

Desde maio de 2014 que não havia chuvas tão intensas como as que ocorreram ontem. De acordo com a Funceme foram provocadas por atuação conjunta de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN) com uma depressão tropical que se formou no litoral da Bahia. Para hoje há previsão de ocorrência de chuvas isoladas em todas as regiões do Estado.

Em Arneiroz, na região Centro-Sul do Estado, uma barragem no leito do Rio Jaguaribe transbordou, levando alegria para os moradores e renovando a esperança do sertanejo em um bom inverno. Centenas de pessoas visitaram ontem a barragem de pedra para ver o espetáculo das primeiras águas de chuva transbordando.

A secretária de Agricultura de Arneiroz, Adalgisa Maria Ferreira, também coloca no divino a providência de uma quadra chuvosa acima da média. "Graças a Deus a chuva chegou, e com força, encheu pequenos açudes na localidade de Planalto e a barragem da cidade já sangrou", disse. "O nível da água no Açude Arneiroz II, que estava muito baixo, subiu dois metros".

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Iguatu, Evanilson Saraiva, disse estar confiante em boas chuvas para os próximos meses. "As experiências dos mais idosos mostram que teremos um bom inverno e quando chove na noite de Natal (24 de dezembro) e no Dia de Reis (6 de janeiro) é um bom sinal. Deus não vai negar chuva para nós, neste ano, que estamos precisando muito", afirmou.

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Na cidade de Icó, que registrou a maior precipitação de ontem, a chuva começou por volta das 21 horas de quarta-feira e veio forte, provocando pontos de alagamento em várias ruas do Centro. A área mais afetada foi o bairro Cidade Nova, onde todas as vilas ficaram inundadas. De acordo com o advogado Fabrício Moreira, o Açude dos Curados, nas margens da BR-116, a cinco quilômetros do centro urbano, amanheceu sangrando e o Açude Nova Itabira teve o volume aumentado de 10% para 80%. "São dois reservatórios pequenos, mas a chuva foi geral e deixou todos animados", disse Moreira.

Ontem, o dia foi de alegria entre os moradores dos centros urbanos e da zona rural na maioria dos municípios cearenses. Na região dos Inhamuns, uma das mais secas do Estado houve registro de chuva em quase todos os municípios, com precipitações acima de 50mm em Arneiroz, Tauá, Parambu, Quiterianópolis, Novo Oriente, Crateús, e acima de 25mm em Independência e Saboeiro.

Na região Centro-Sul do Ceará também ocorreram chuvas elevadas em Icó (130mm), o maior registro do ano; Baixio (93mm); Cedro (83mm); Cariús (82mm); Várzea Alegre (75mm). Já na região do Sertão Central, uma das mais secas do Estado, não houve praticamente registro de pluviometria e onde ocorreu foi inferior a 15mm, em Solonópole, Jaguaretama, Ibaretama, Piquet Carneiro.

As chuvas de ontem, embora tenham banhado mais de 80 cidades, foram localizadas, pois há muita variação de pluviometria. Em Iguatu, por exemplo, há registro de chuva de 29mm no centro urbano, de 47mm no sítio Quixoá, de 4mm no sítio Baú e de 100mm no sítio Carnaúba.

Estragos

Na região do Cariri choveu em 25 municípios e os maiores índices foram registrados nas cidades de Baixio (93mm) e Farias Brito (88mm). No entanto, foi a cidade do Crato que apresentou os maiores estragos. A chuva, de 43 mm, acompanhada de fortes ventos, derrubou árvores e telhados de residências e de estabelecimentos comerciais.

Muitas galerias de esgotos estavam entupidas e lixo foi espalhado nas ruas pelo volume acumulado das águas nos córregos. A lama também tomou conta de vários bairros. O teto do restaurante Guanabara, no Centro, desabou. O telhado de uma casa também cedeu. De frente ao Centro de Referência em Assistência Social (CRA), no bairro Seminário, caiu uma árvore, e um outdoor, por trás do Cemitério Público do Crato, desabou. O grande temor da população, no entanto, era que o canal do Rio Grangeiro, que atravessa a cidade, transbordasse, o que não aconteceu por pouco. A preocupação advém do histórico, inclusive, com registros de morte e desabrigados.

O gerente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) em Crato, Alberto Medeiros de Brito, explica que as construções causam a impermeabilização do solo, o que resulta na perda da capacidade de absorção da água. O agrônomo adverte, ainda, que, a cada ano, torna-se maior a probabilidade de o canal transbordar. Para tentar prever a elevação do nível da água foram instalados equipamentos conhecidos como Plataformas de Coletas de Dados, observados periodicamente pela Central Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Mais informações:

Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) - (85) 3101-1117

Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) - (85) 3218-7024