Cavalos de corrida em Sobral - Regional - Diário do Nordeste

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Cavalos de corrida em Sobral

03.01.2011

O primeiro hipódromo oficial do Brasil está em Sobral. É o Derby Club Sobralense, fundado no ano de 1871

Sobral. Puro Sangue Inglês, Quarto de Milha e Manga-larga da espécie marchador e crioulo são as raças de cavalos mais apreciadas por quem gosta de utilizá-los no esporte de corridas hípica ou vaquejadas. Mas cada um tem sua especialidade.

As reproduções desses animais acontecem, em sua maioria, nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, onde os campos de pastos verdes predominam o ano todo e onde se concentra também o maior número de haras do País.

Em Sobral, para quem gosta de ver estes animais em atividade esportiva, que não seja a tradicional vaquejada, existe um jóquei, o Derby Club Sobralense, onde são realizadas corridas, os famosos páreos, como são chamadas as reuniões turfísticas na pista.

O Derby Clube Sobralense, fundado em 1871, é um dos clubes mais antigos do País, o primeiro hipódromo oficial do Brasil. A tradição fez com que o turfe fosse um dos esportes preferidos dos sobralenses, uma paixão que se transferiu aos descendentes, ao longo dos anos, desde o século XVIII.

Mas para que o animal chegue a ser um grande competidor é necessário escolher os estabelecimentos rurais onde deverão ser criados. O primeiro passo é a escolha dos reprodutores e a elaboração dos cruzamentos por estudos genéticos. No haras se processam a gestação e o desenvolvimento do potro, até que esteja em idade para ir aos leilões, passando a novo proprietário, ou sendo reservado pelo seu primeiro criador.

O destino seguinte é a vila hípica dos hipódromos, onde o potro, depois de adestrado, recebe o treinamento final e adaptação às exigências das competições. É abrigado em uma cocheira sob a responsabilidade de um treinador, que detém a infraestrutura e pessoal de apoio.

Como ferreiros, escovadores, veterinários, tosadores, fornecedores de ração, para o preparo do animal. No treinamento final, é montado por um jóquei que o exercita diariamente. Então vêm as competições, nas quais disputam dotações e fama.

O Puro Sangue Inglês, um dos animais bastante apreciados no Estado do Ceará, e que está sempre presente nas reuniões turfistas que acontecem no Derby Club Sobralense, tem a sua vida de desportista iniciada a partir dos dois anos de idade. Com o passar do tempo, entre 6 ou 7 anos, o cavalo é obrigado a deixar as pistas de corrida por ser considerado velho para tal atividade.

Segundo Regis Barroso Ibiapina, que faz parte da diretoria do Derby Club Sobralense e um dos apreciadores deste esporte, com 2 anos de idade os potros são trabalhados para a atividade que terão que exercer. "A partir daí é que serão selecionados e domados para o trabalho que se pretende fazer: jóquei, vaquejada, cavalgada ou prova do tambor, uma modalidade que vem crescendo muito no Brasil".

O peso do animal também é bastante avaliado entre os competidores. Deve ficar entre 380 a 550 quilos. Porém os bons corredores, com devidas exceções, não são nem muito pequenos nem muito avantajados em tamanho. Em corrida, o cavalo carrega entre 50 a 60 quilos correspondentes ao peso do jóquei e arreamento.

Regis Barroso lembra que, atualmente no Ceará, existem haras que já produzem cavalos bem sucedidos nas pistas. "Na cidade de Canindé existe uma disputa muito grande por haras na reprodução de Quarto de Milhas, inclusive com resultados de potros vencedores em competições nacionais", destaca.

Sobre o que acontece com o cavalo que teve uma atividade bem sucedida nas pistas de corrida, e já está aposentado, Regis lembra que, no caso dos machos, são levados para serem reprodutores (garanhões). "Entre as éguas, a seleção por aptidão é menos rígida e a maioria é destinada à reprodução após as pistas", diz ele.

Entre os cavalos corredores que se destacaram em páreos especiais e grandes prêmios realizados no Derby Club Sobralense, e que estão sempre presentes na memória dos grandes jóqueis em disputa, estão: o Belgrado, considerado um dos mais caros na época, chegando a custar em torno de R$ 100 mil; Bleck Orion, Irish Derby, Esteel Runner e Mandado.

Em corrida que disputou em 2007, no Hipódromo da Gávea, no Rio de Janeiro, Mandado sagrou-se campeão numa prova de 2 mil metros. Em Sobral, este cavalo foi, por diversas vezes campeão, inclusive se sagrando bi-campeão no Grande Prêmio Cidade de Sobral nos anos de 2007 e 2008.

Em dia que antecede um grande prêmio, Regis Barroso revela que o animal-atleta, devido à movimentação e o barulho que é ocasionado pelos torcedores fiéis da corrida de cavalo, já fica em estado de alerta. "A movimentação de pessoas no hipódromo, o som das máquinas preparando a pista de corrida já deixam atento o animal na cocheira, pois ele sente que vai ter um dia de grande atividade", explica ele.

Na hora do traslado dos equinos, os cuidados são especiais. Segundo Regis Barroso, o transporte terrestre é feito em caminhão box, com acolchoado de esponja, o que garante maior conforto e segurança para os animais.

"Antigamente, não existia nenhuma burocracia para este tipo de transporte. Hoje, só pode ser feito acompanhado de uma Guia de Transportes de Animais (GTA), juntamente com exame de anemia, além do cartão de vacinação em dia, para evitar que o animal contraia algum tipo de doença ou que possa transmití-la a outros", disse Regis Barroso.

Bichos de estimação

Sobre animais de estimação, confira o blog Bem-Estar Pet
http://blogs.diariodonordeste.com.br/bemestarpet - twitter @valerianfeitos

Fique por dentro
Apostas no esporte

Nos pavilhões dos hipódromos do Derby Club, nos dias de corrida, efetuam-se apostas, por torcedores fiéis, não envolvidos com a criação, propriedade ou preparo do animal. Os hipódromos têm uma estrutura administrativa, que mantém a praça de esportes e estão vinculados às respectivas entidades turfísticas (Jockeys Clubs).

Embora a atividade de criação seja tradicionalmente exercida por pessoas de maior poder aquisitivo, pelos altíssimos custos que requer a criação dos animais, as apostas são efetuadas por turfistas de todas as classes, mesmo com pequenas quantias. O setor, além de esporte e diversão, tem relevância como atividade econômica e social, pelo elevado número de pessoas que envolve.

MAIS INFORMAÇÕES

Derby Club Sobralense
Avenida Gerardo Rangel, S/N
Município de Sobral, Zona Norte
Telefone: (88) 3611.1411

Doutor VET
Prevenção à cinomose

"Tive quatro cães que morreram com a cinomose. Foram dois Poodles, um Rusk Siberiano e um Pastor Alemão. Queria informação se nesta doença a bactéria permanece no ambiente e por quanto tempo", pergunta o criador de Fortaleza, Paulo Souza.

A Cinomose é uma doença infecto-contagiosa transmitida por um vírus da família Paramyxoviridae. A doença apresenta um alto grau de transmissão entre os canídeos, sendo considerada uma das doenças infecciosas de maior importância na Medicina Veterinária de Pequenos Animais. O vírus é eliminado pelas gotículas e aerossóis, secreções nasais, fezes, urina e saliva por um período de até 90 dias.

Comedouros, bebedouros, utensílios, caminhas, travesseiros, caixa de transporte, tapetes, coleiras, ou seja, todos os objetos que foram contaminados pelas secreções dos animais doentes podem conter o vírus, permitindo a sua transmissão aos animais susceptíveis de uma forma indireta. Apesar da alta taxa de transmissibilidade do vírus, este é sensível a diversos desinfetantes utilizados rotineiramente na higiene doméstica, como a amônia quaternária ou hipoclorito de sódio presente em vários produtos comerciais.

O vírus não permanece viável no ambiente quando ocorre a desinfecção de uma forma adequada. Recomenda-se que o animal suspeito e os seus utensílios sejam imediatamente isolados dos outros animais e desinfetados para evitar a contaminação dos animais susceptíveis. Evitar reutilizar os objetos de animais suspeitos é recomendado.

A maior incidência da doença é em cães jovens, com menos de 6 meses de idade, animais não vacinados anualmente e animais idosos, que não apresentam uma boa resposta imunológica.

Animais portadores de doenças que desencadeiam uma imunossupressão, como a Leishmaniose (Calazar), a Ehrlichiose (Doença do Carrapato) e verminoses são mais susceptíveis a contaminação pelo vírus da Cinomose.

Por ser uma doença que desencadeia sintomatologia clínica em vários sistemas, a mortalidade da doença pode atingir até 90% nos animais que não forem tratados adequadamente ou tardiamente, e em animais que apresentam sintomatologia neurológica ou infecção respiratória severa. Quanto mais rápido a doença for diagnosticada e o animal receber tratamento, melhor é o prognóstico e a resposta clínica do mesmo.

*Professora da Faculdade de Veterinária da Uece. Esta coluna é mantida em parceria com a Favet-Uece. Interessados em tirar dúvidas sobre seus animais, contatar e-mail anavaleria@diariodonordeste. com.br ou o telefone (85) 3266.9790 ou 3266.9771.

*Annice Cortez

WILSON GOMES
COLABORADOR



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