Reflexo da Quadra Chuvosa

Cascatas voltam a atrair turistas à Serra de Baturité

A área da Mata Atlântica é cortada por rios e riachos que formam, nos seus cursos, agradáveis banhos de cascatas

O Parque das Cachoeiras é um dos atrativos naturais da região de Baturité ( Foto: Alex Pimentel )
00:00 · 09.06.2018 por Alex Pimentel - Colaborador
O Camping Lua Azul oferece uma diversidade de atividades de turismo de aventura em meio à floresta ( Foto: Alex Pimentel )
No Camping, o visitante tem direito a cantina, fogão, geladeira e banheiros. Quem preferir, pode armar redes e deitar debaixo das árvores. Preocupação mesmo somente com o frio, pois, à noite, a temperatura fica na media de 15°C nesta época ( Foto: Alex Pimentel )

Baturité. Um imenso paraíso, de admirar, encantar e mergulhar, é como os visitantes se referem aos balneários naturais espalhados na extensa área da Mata Atlântica cortada por rios e riachos, na região serrana de Baturité, formando nos seus cursos agradáveis banhos de cascatas. Esse cenário está atraindo centenas de turistas nos fins de semana e feriados prolongados, voltando a aquecer a economia do lugar, comemoram os proprietários dos espaços de lazer formados nos seus leitos.

Esse movimento deve continuar até meados de agosto, quando as corredeiras ainda seguem rio abaixo. Além dos restaurantes, hotéis e pousadas, áreas de camping são muito procurados por quem pretende passar o fim de semana mais perto da natureza. Uma das opções é o Camping Lua Azul, a pouco mais de 8 quilômetros do Centro de Baturité. Há chalés, dormitório coletivo e, quem preferir, pode armar a barraca pertinho do rio, adormecendo e acordando ao som da natureza.

Atraídos pelas águas

Segundo a recepcionista do balneário Lua Azul, Rosilene Alves, quando a água volta a correr no rio, realmente aumenta o número de visitantes. Apesar de o lugar possuir outros atrativos, como as trilhas, é o banho o mais procurado. Os turistas chegam em grupos e, se depender deles, não saem mais. Quem visita pela primeira vez se admira ao encontrar um ambiente tão agradável e preservado pertinho da cidade. Os casais ficam encantados, comenta, comemorando a ocupação média de 70% no período.

Um outro atrativo do local é o preço acessível, principalmente para os mais jovens. A diária pelo espaço para montagem da barraca custa R$ 50. O visitante tem direito a cantina, fogão, geladeira e banheiros. Quem preferir, pode armar redes e deitar debaixo das árvores. Preocupação mesmo somente com o frio. À noite a temperatura serrana fica na media dos 15°C nesta época do ano, mas nada que um bom agasalho não resolva, ressalta a guia, que oferece como opção os chalés, ao custo diário de R$ 130 para o casal.

Continuando o curso do rio, o Parque das Cachoeiras, cerca de 500 metros abaixo, também comemora o aquecimento econômico. Reclamação, apenas da queda do movimento no fim de semana da paralisação dos caminhoneiros. Atendidas as reivindicações, os visitantes estão aparecendo novamente, comentou Elvira Reis, atendente do espaço turístico. "O nosso recanto passou sete anos secando. Em novembro passado, a água acabou de vez. Agora, só temos a comemorar", comentou, ressaltando o aumento de 70% no movimento de turistas.

Mais quedas d'água

Dedicado há mais de uma década ao ofício de guiar turistas pela região, o esportista André Mendes ressalta haver, em Baturité, o maior número de quedas d'água do Maciço. São seis no curso do Rio Aracoiaba, por muitos confundido com o Pacoti.

As opções são o Recanto das Cachoeiras, a Cachoeira do Perigo, a qual recebe esse nome em razão da sua altura, 84 metros, a Cachoeira do Cipó, a Cachoeira da Geralda, a da Lua Azul e, mais abaixo, a de Santa Edwiges, no Parque das Cachoeiras. Essas diversidade de opções atraem dezenas de turistas todos os fins de semana, enquanto há água. Esse ciclo começa logo após as primeiras chuvas do ano, ainda em janeiro, e ficam mais fortes de abril a maio, com água mais abundante e também mais perigosa. Quando o inverno vai terminando, de maio para junho, se tornam ideais para os banhos mais seguros. Quando o período das cachoeiras termina, o número de visitantes diminui, apesar de existirem outras opções, como as trilhas, escaladas e o rapel.

Pelos cálculos do experiente explorador André Mendes, neste período, considerado da alta estação, um casal de visitantes chega a desembolsar, em média, R$ 350 e mais R$ 250 pela hospedagem. Todavia, geralmente, sobem a serra em grupos, geralmente de até 15 pessoas.

Muitos preferem o city tour, mas a preferência pelo pacote com trilha mais o banho está aumentando. Nestes casos, cada aventureiro paga R$ 70 pela orientação e acompanhamento profissional de quem conhece as riquezas naturais e os principais atrativos do local.

Incrementos

Para a articuladora do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Ceará (Sebrae-CE) no Maciço de Baturité, Fabiana Gisele, as cachoeiras são um forte equipamento de atração turística. O Município se destaca neste aspecto.

Todavia, ao longo dos últimos anos, todo o setor de serviços da Serra de Baturité vem se fortalecendo, estendendo a cadeia econômica regional além da sazonalidade.

A gastronomia recebe ingredientes locais, como as suas frutas e até a cerveja de café, dando mais sabor às suas águas. Estes e outros insumos incrementam a cadeia produtiva, não somente de Baturité, mas também Guaramiranga, Pacoti e Mulungu.

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"O Ceará sempre oferece como atrativo para seus visitantes as suas praias. Deveria divulgar mais as suas riquezas serranas, principalmente os banhos de cascata"

Maria Dinair Ribeiro

Aposentada

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"Eu já estou acostumado com o litoral e suas praias. Conhecer outras formas de lazer na água, em um ambiente natural como este, com certeza é um atrativo a mais"

Luiz Otávio Braga

Estudante

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