Reportagem e Pesquisa

Capim-massai é alternativa para incrementar a forragem

O capim tem uma boa aceitação por parte do rebanho ovino
00:00 · 21.04.2018 por Marcelino Júnior - Colaborador

Sobral. O projeto, pioneiro no Ceará, desenvolvido na área de sistema de produção de forragens, por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Caprinos e Ovinos, instalada neste Município da Região Norte do Estado, concluiu que o plantio consorciado de milho e capim-massai é uma opção economicamente vantajosa para alimentação de rebanhos de ovinos na região semiárida brasileira.

Os constantes ciclos alternados de fartura, ao longo da Quadra Chuvosa, e acentuada escassez de forragem para alimentação dos animais, no período de seca, chamam a atenção para a busca constante de novas tecnologias que supram necessidades para a sobrevivência dos animais e a permanência do homem do campo.

> Muitas espécies de plantas são bem adaptadas

A utilização de técnicas que garantam o ganho de peso para os animais de corte e possam suprir a produção de leite, ao longo do ano, fazem com que práticas como a conservação de forragens, principalmente na forma de silagem, sejam essenciais. A utilização do milho, por exemplo, é uma delas.

Resultados

O Sistema Santa Fé, tecnologia da Embrapa utilizado primeiramente nas regiões centrais e sul do País, a partir do ano 2000, se fundamenta no emprego de gramíneas forrageiras adaptadas às condições de sequeiro. Nesse caso do experimento cearense, entre as vantagens da utilização do massai, estão a otimização dos espaços entre um pé de milho e outro, melhor aproveitamento de nutrientes entre as duas espécies consorciadas, assim como maior absorção de água, pouca mão de obra e maior conservação do solo.

A pesquisa aponta que, em um hectare com as duas culturas, é possível produzir biomassa de forragem para manter produtivos 53 ovinos de corte ou leite, com peso corporal médio de 25Kg, durante oito meses, período que corresponde à época de estiagem. Os resultados indicaram que produzir o volumoso a partir do plantio de milho e capim-massai é 31,35% mais barato para o criador do que adquiri-lo no comércio.

Característica

O capim-massai é uma espécie de gramínea de fácil adaptação ao ambiente Semiárido. Tendo como vantagens seu fácil rendimento em terras de pouca oferta de água; qualidade nutricional; baixo porte, que facilita seu manejo e alimentação do animal, quando no pasto; maior número de folhas, uma preferência entre os bichos ao buscarem o que comer; assim como grande capacidade de se espalhar pela área plantada. Antes da escolha do massai pelos pesquisadores, outras culturas foram utilizadas, e também descartadas, por não apresentarem bom aproveitamento e rendimento animal por área, durante a pesquisa, iniciada há três anos.

"Dos 15 hectares de área plantada que temos aqui, seis deles validam essa tecnologia. Os testes, com resultados positivos, têm sido realizados com os animais produzidos na Embrapa. Todo o material relacionado à alimentação, utilizando o massai, é ensilado aproveitando a época chuvosa. Mas é no período de seca que esse capim se mostra eficaz para suprir a necessidade por alimento, do animal", explica Roberto Cláudio Pompeo, pesquisador da área de sistema de produção de forragens da Embrapa.

Investimento

Os custos do plantio conjunto de milho e capim-massai para produção de silagem são maiores que para o cultivo do milho solteiro, porque incluem a compra das sementes do capim e o cercamento para impedir o acesso dos animais à área de produção do volumoso e, ao silo.

"Se for uma área mais isolada, à qual os animais não tenham acesso, não é necessário cercar, podendo eliminar esse custo", esclarece Roberto Pompeu, ao afirmar que, mesmo com os custos iniciais, o consórcio demonstrou vantagens como a possibilidade de adotar outras estratégias para o uso da terra, entre elas o pastejo dos animais após a colheita do milho e a cobertura de matéria morta para o plantio direto da cultura anual, que diminui a erosão e confere sustentabilidade do agroecossistema.

"Essa área de 0,85% consorciada de milho e massai, utilizada durante a pesquisa, aqui na Embrapa, não é mais experimental; agora ela serve de produção para a realização de ajustes, se necessário, e alimentar nosso próprio rebanho utilizado nas pesquisas. A ideia é recomendar nosso produtor para que aumente sua quantidade de forragem sem ter que abrir novas áreas, bastando apenas reutilizar, ou reforçar os mesmos espaços já preparados na lavoura. Aprovados os resultados, o próximo passo é apresentar, ainda neste ano, a tecnologia aos agricultores da região, como mais uma alternativa de reforço alimentar para o seu rebanho", adianta o engenheiro agrônomo José Wilson, sobre o próximo dia de campo com os produtores locais para divulgação da pesquisa, em data a ser marcada.

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