Calazar é ameaça no Nordeste - Regional - Diário do Nordeste

Alerta Nacional

Calazar é ameaça no Nordeste

28.01.2009

Nordeste lidera ranking de transmissão do Calazar em humanos. Índice equivale a 50% e acomete zona rural e periferia

Fortaleza. Mesmo que a transmissão do calazar — ou Leishmaniose — aconteça em todo o País, a Região Nordeste ainda continua a liderar o ranking de casos da doença. Atualmente, a região é responsável por até 50% da transmissão em humanos. Dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) apontam que somente no Nordeste foram confirmados 1.810 casos, em comparação com as regiões Sudeste, Norte, Centro Oeste e Sul, que tiveram 678, 665, 276 e 3 casos, respectivamente, de acordo com os dados anuais mais recentes (2006). No fim de 1999 e início de 2000, a região liderou o ranking nacional com 80% de incidência.

Por mais que haja uma diminuição aparente entre os anos anteriores, segundo o biólogo do Núcleo de Epidemiologia da Sesa, Luciano Pamplona, a região Nordeste continuará a liderar os casos da doença porque ainda não dispõe de condições de moradia adequadas e muitas pessoas residem na periferia. No Ceará, 19 cidades estão classificadas como sendo de transmissão intensa e, por isso, as atenções serão redobradas para estes municípios. As cidades são: Fortaleza, Juazeiro do Norte, Caucaia, Barbalha, Maracanaú, Crato, Sobral, Canindé, Crateús, Granja, Morrinhos, Ipu, Banabuiú, Nova Russas, Itapajé, Brejo Santo, Eusébio, Missão Velha e Aracati.

Conforme o biólgo do Núcleo de Epidemiologia da Sesa, Luciano Pamplona, essas cidades receberão mais prioridade nas ações a serem executadas pela Sesa para evitar mortes de humanos em decorrência da infestação da doença. “Definimos os municípios mais críticos. Para 2009, esses são os municípios que oferecem maior risco. As atenções serão direcionadas as essas cidades, com a promoção da capacitação de médicos para diagnóstico e tratamento precoce, com a finalidade de evitar óbitos”, diz.

De acordo com o biólogo, o índice do Nordeste ainda é elevado. “Como o calazar é uma doença endêmica, isso faz com que tenha casos registrados o ano todo. E por isso aumentaram os índices em outras regiões. Todos os anos aparece um surto maior”.

No Ceará, os casos de Leishmaniose Visceral foram notificados a primeira vez ainda na década de 30. A partir de 1986 a doença começou a ser descrita de forma contínua. No período de 2001 a 2007 foram registrados 4.037 casos e 173 óbitos causados pela doença. A letalidade média no período foi de 4,3%, com uma taxa variando entre 3% em 2007 e 6,4% em 2003. Em 2008 foram notificados 642 casos, com 431 confirmados em 81 municípios. Destes, foram confirmados 27 óbitos, sendo somente 13 em Fortaleza. Em Caucaia, cidade com 43 casos em 2007, ainda há carência de um Centro de Controle de Zoonozes.

MAURÍCIO VIEIRA
Repórter

SAIBA MAIS

Doença
A Leishmaniose Visceral (LV) é primariamente uma zoonose que afeta outros animais, além do homem. Acomete milhões de pessoas no mundo, com destaque para o Continente Americano.

Histórico
No Brasil, até 1970, a doença foi considerada essencialmente rural, de transmissão doméstica e peridoméstica. Nos últimos anos tem ocorrido uma expansão, tanto em magnitude como geograficamente, tornando-se um grave problema de saúde pública nas áreas urbanas das grandes cidades.

Mais informações:
Secretaria da Saúde do Estado
Av. Almirante Barroso
Praia de Iracema
(85) 3101.5123
www.saude.ce.gov.br

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