Produção e comercialização

Bodega Ecológica estimula jovens agricultores

O modelo promove o fortalecimento da Agroecologia e da Economia Solidária no Interior do Ceará

Seis rapazes e quatro moças se revezam na horta montada no quintal da agricultora Francisca Antônia Nascimento. Três dos seis filhos e um sobrinho dela participam da "Bodega Juvenil", como a proposta está sendo denominada ( Foto: Alex Pimentel )
00:00 · 13.01.2018 por Alex Pimentel - Colaborador
Toda semana, alguns agricultores seguem das suas comunidades à sede de Quixadá para comercializarem os seus produtos ( Foto: Alex Pimentel )

Quixadá. Associar a produção agroecológica e a sua comercialização ao protagonismo juvenil. Nesta perspectiva, o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Quixadá resolveu incluir um grupo de jovens, na maioria adolescentes, de uma comunidade rural deste Município, em um projeto até então desenvolvido apenas pelos adultos, o Bodega Ecológica, um modelo de fortalecimento da Agroecologia e da Economia Solidária.

São seis rapazes e quatro moças, todos da localidade de Lagoa da Jurema, distante 22 quilômetros da sede deste município. Eles se revezam na horta montada no quintal da agricultora Francisca Antônia Nascimento. Três dos seis filhos e ainda um sobrinho dela participam da "Bodega Juvenil", como a proposta está sendo denominada pelos novos participantes.

O processo é similar ao dos adultos, sem utilização de produtos químicos, como fertilizantes ou inseticidas, para estimular o crescimento e combater as praças. A inovação fica por conta do sistema de irrigação por gotejamento. Ele ajuda a economizar a água da cisterna e evitar desperdícios. Regar mesmo apenas para fortalecer o coentro e a cebolinha neste período de sol forte. Mesmo assim, o sombreamento da pequena área de cultivo é feito com telas, explicam os jovens.

A articulação junto à comunidade, onde moram aproximadamente 30 famílias, foi feita pela secretária de Juventude do Sindicato, Tatiana Souza. Dos 30 jovens na faixa etária dos 16 aos 18 anos, um terço aderiu à ideia. O plano é multiplicar o modelo desenvolvido por eles nas outras localidades, aproximadamente 400, espalhadas pelos 13 distritos de Quixadá.

Benefícios

A líder juvenil acrescenta como outros benefícios do programa, a socialização, a prática de atividades saudáveis retirando os adolescentes da ociosidade. Tendo o compromisso e responsabilidade de gerar resultados, a estratégia os afasta da ociosidade. "Quem aderiu está gostando, imagina quando os resultados começarem a aparecer, dentro de alguns dias", ressaltou.

Segundo a presidente do STTR de Quixadá, Conceição Sousa, no ano passado, muitos agricultores desistiram da proposta. Para eles, a maior dificuldade tem sido comercializar seus produtos. Estão acostumados a plantar, mas estabelecer preços, permanecer horas na praça pública, pelo menos duas vezes por semana, aguardando o interesse da pouca clientela, não é fácil.

Por esses motivos, para, além da importância, demonstrar a viabilidade do modelo de Bodega, com a venda dos produtos do campo nas barracas padronizadas, os mais jovens estão sendo incentivados a aderirem ao programa. Além de terem alimentos saudáveis à mesa, ainda poderão lucrar e comprarem seus telefones celulares e roupas, itens preferidos, acrescentou a líder classista.

Toda semana, alguns agricultores ainda seguem das suas comunidades à sede de Quixadá para comercializarem os seus produtos. No início, havia um grupo maior, mas, se dominam as técnicas de campo, no balcão da Bodega a história é outra. A maioria dos consumidores não dá importância à própria saúde e também não quer pagar o preço justo pelas verduras, hortaliças e frutas especiais.

Implantado há três anos, com recursos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF), o projeto, executado em parceria com o Programa de Pequenos Projetos Ecossociais (PPP-Ecos) tem como foco a conexão entre uma categoria agrícola consciente e organizada em um modelo de produção alternativo e consumidores conscientes dos riscos dos alimentos produzidos com uso de agrotóxicos.

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"É interessante encontrar e poder participar do desenvolvimento de novas formas de sobreviver na zona rural e poder se alimentar e negociar o que produzimos no nosso próprio quintal"

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"Estou concluindo o meu Ensino Médio e não pretendo ir embora para a cidade. Quero continuar o ofício do meu pai, agricultor, mas também aprender a vender o que eu mesmo produzo"

Aliabio da Silva Alves. Estudante

Mais informações:

Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Quixadá

Rua Rodrigues Júnior, 1042 - Centro

Telefone: (88) 3412-0481

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