Autodidata

Artista faz quadros inspirada empeças de estilo europeu

As obras de Albertina já foram expostas em Sobral, São Paulo, Belo Horizonte e também fora do País

Na mesa,Albertina espalha tintas, pincéis e o restante do material ( Fotos: Honório Barbosa )
00:00 · 24.03.2018 por Marcelino Júnior - Colaborador

Sobral. Desde criança, a hoje professora aposentada Abertina Mont'Alverne, se encantava com as formas variadas dos azulejos e do piso, em mosaico, da fazenda dos avós. O cômodo que ela mais admirava era o quarto do casal. "Aquele mosaico era de uma beleza indescritível. Não sei porquê, essa imagem ficou gravada na minha memória", lembra. Com o tempo, o gosto pela arte e pelo valor histórico das peças que remetiam ao passado da cidade de Sobral e da região Norte foi se multiplicando e ganhando formas; primeiro, por meio da poesia e da composição de músicas, onde a artista de expressa até hoje. Depois, por meio da pintura em tela, caminho que Albertina descobriu sozinha e enveredou sem medo em busca de novas descobertas, até se reconhecer como autodidata.

Descoberta

Na busca por uma identidade própria na arte, os muitos experimentos a levaram a testar diversas possibilidades, até chegar ao alto relevo aplicado em MDF, material derivado da madeira, empregado principalmente em móveis, fabricado por meio da aglutinação de fibras de madeira com resinas sintéticas e outros aditivos. Prática e utilitária, em sua elaboração, a madeira é desfibrada e cozida no vapor e pressão; se separando uniformemente. Após esse processo, os fios são ligados com resina e passam pelo calor e prensagem, fase em que ganham o tamanho desejado. Ao encontrar as mãos habilidosas da artista, o material é transformado em base para suas criações. "Pegar uma madeira e conseguir, por meio da cor, dar um outro significado a ela, é fantástico e gratificante", explica, com o olhar vibrante de quem enxerga o mundo pelas lentes ampliadas da criatividade.

Material

Numa mesa colocada em um espaço arejado da casa, Albertina espalha tintas, pincéis e o restante do material necessário para a confecção das obras. Utilizando o MDF como base, ela transfere, com riscos vigorosos feitos a lápis, o traçado dos mosaicos, ampliados em papel. O próximo passo é recobrir todo o desenho com um pirógrafo, equipamento com ponta quente, em formato de caneta, que queima a madeira. A pirografia, por sí só, já é considerada uma forma de arte primitiva e ancestral, ainda bastante apreciada; mas aqui, serve como mais um passo ao processo de criação dos quadros. O próximo passo é cobrir todo o desenho com textura acrílica branca; com duas ou três demãos, para dar o relevo necessário. Com as formas definidas e secas, a obra ganha mais duas demãos de cola, para depois receber o colorido dos pincéis mergulhados em tinta acrílica. Ao final, o quadro recebe uma cobertura de verniz, também acrílico, que ajudará a mantê-lo por bastante tempo.

Reconhecimento

As obras de Albertina Mont'Alverne já tiveram espaço em exposições em Sobral, São Paulo e Belo Horizonte, onde ela segue recebendo encomendas, inclusive para fora do País. A inspiração das peças vem do estilo europeu, do Oriente Médio e de regiões brasileiras, numa viagem ao passado que enche os olhos. O carro-chefe das obras continua sendo aquele de motivos em mosaico, mas a arte religiosa também tem espaço entre as muitas encomendas; com maior destaque para os quadros com imagens da Santa Ceia, do Menino Jesus e sua Mãe. "Os pedidos são variados, mas as peças com motivos sacros tem ganhado cada vez mais espaço entre os amantes desse tipo de trabalho. Cada quadro leva em média 15 dias para ser finalizado. Então, para mim, é como uma verdadeira

Terapia poder mergulhar na história de um passado que eu não vivi, mas que se faz presente em cada trabalho que ganha vida. Fico emocionada em poder transmitir um pouco de beleza e delicadeza, por meio dessa arte", reforça.

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