Desordem

Ambulantes ocupam calçadas e ruas do Centro de Iguatu

Recentemente, o prefeito se reuniu com representantes do setor lojista da cidade para discutir a questão

Os pedestres precisam disputar espaço nas principais vias da Cidade ( Foto: Honório Barbosa )
00:00 · 17.02.2018 por Honório Barbosa - Colaborador
Há reclamação, também, que nem só ambulantes, mas alguns comerciantes têm obstruído calçadas com mercadores e outros tipos de serviços, também causando transtornos aos pedestres, sobretudo aqueles com dificuldade de locomoção ( Foto: Honório Barbosa )

Iguatu. Caminhar pelo centro desta cidade, localizada na região Centro-Sul do Ceará, não é tarefa fácil. As calçadas estreitas estão ocupadas por vendedores ambulantes, mercadorias das lojas, bicicletas e placas de publicidade. Os pedestres são obrigados a descer para a rua e disputar espaço com motos e carros, aumentando constantemente o risco de acidente. As pessoas idosas e com deficiência enfrentam ainda mais transtornos.

É um problema que se arrasta ao longo do tempo e parece não ter solução. Em recente encontro entre empresários e o prefeito Ednaldo Lavor o tema foi novamente abordado. "Por causa da crise, aumentou o número de ambulantes. Todos precisam trabalhar e viver, mas é necessário regulamentar a presença do comércio ambulante", frisou o presidente do Sindicato dos Lojistas (Sindilojas), Tadeu Rolim.

Em janeiro passado, o Sindilojas e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) solicitaram do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) a adoção de providências mediante a desorganização do comércio ambulante. Em resposta, o promotor de Justiça da Comarca de Iguatu, Fábio Vinícius Ottoni Ferreira, disse que o "MPCE carece de legitimidade para atuar no caso" e encaminhou o pleito ao Município para a adoção de soluções cabíveis.

Sem providência

No decorrer do tempo, vários gestores passaram sem uma ação concreta do poder público municipal para disciplinar o comércio ambulante e a ocupação das calçadas. Resultado: o problema se repete e cresce a cada mês. "Aumentou a presença de camelôs e de produtos nas calçadas, criando dificuldade para os consumidores e lojistas", reclamou o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Iguatu, Francisco José Mota Luciano, mais conhecido como Dedé Duquesa. "É preciso encontrar um local adequado para os camelôs", completou.

Há unanimidade entre os dirigentes de entidades empresariais e os moradores de que as calçadas devem permanecer livres para os pedestres.

Necessidade

Já os vendedores ambulantes defendem a necessidade diária do trabalho e a dificuldade de se estabelecer em um imóvel. "Deveria ter um espaço para todos nós próximo ao mercado", reivindicou o vendedor Paulo Lima. "Construíram um centro de feirantes e deveria ter um espaço para nós também", acrescentou.

Iguatu

O problema vem se agravando ao longo dos anos sem que seja dada uma solução de espaço para os vendedores ambulantes (Foto: Honório Barbosa)

O vendedor ambulante Francisco Rocha ocupa, com uma banca de artigos variados, quase toda a calçada estreita na Rua Coronel José Mendonça, no centro comercial, há mais de seis anos. As pessoas passam com dificuldades e, às vezes, é preciso descer para a rua, ao lado do meio-fio. "Foi o melhor lugar que encontrei porque outros pontos estão ocupados", justificou Francisco.

O camelô Luís Lima disse que não tem condições financeiras de se estabelecer em um imóvel comercial. "O aluguel é caro e as minhas vendas são poucas. Por isso tenho que permanecer nas calçadas", explicou. "Sou contra aqueles ambulantes que ocupam toda a extensão da calçada", afirmou.

Bancas com confecções (peças íntimas) ocupavam a Praça Gonçalves de Carvalho (Caixa Econômica).

Queixas

A dona de casa Adriana Santos disse que duas vezes por semana faz compras no Centro e enfrenta os transtornos das calçadas ocupadas por mercadorias, bancas e bicicletas. "Está cada vez pior", contou. "É um perigo para quem é idoso ser atropelado na rua ou mesmo cair nas calçadas", disse a aposentada, Maria Marlene Oliveira.

Além da ocupação das calçadas há outro problema: a construção de áreas de passeio irregulares, com nível de piso diferenciado. "Tem calçadas baixas, outras altas e a gente dá muita topada se não tiver cuidado", disse o aposentado, Sidnei Gomes.

"Em minha opinião, as calçadas devem ficar livres para a gente caminhar", disse o comerciário José Vicente Lisboa. "Sei que as pessoas precisam trabalhar, sobreviver, mas é preciso respeitar o direito do pedestre", destacou José.

Comerciantes também

O professor Paulo Ribeiro disse que as calçadas ocupadas prejudicam os consumidores e os lojistas, mas chamou a atenção para os empresários que colocam produtos na via de passeio. "Tem estabelecimentos que colocam caixas com mercadorias, ocupando totalmente a calçada", frisou. "Há também uma oficina e loja de bicicleta que faz o mesmo".

O prefeito de Iguatu, Ednaldo Lavor, por sua vez, explicou que iria definir uma equipe para analisar a reivindicação dos lojistas e encontrar uma solução comum, que atenda a todos os segmentos. "É bom ouvir as reclamações, receber sugestões e, de forma conjunta, vamos encontrar uma solução", pontuou. "O centro de feirantes vai abrigar dezenas de vendedores", projetou.

Recentemente foi inaugurado o Centro de Feirantes que ainda não está funcionando por pendências entre a empresa construtora e a Caixa Econômica Federal, financiadora.

Mais informações

Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Iguatu

Rua Dr. João Pessoa, 987. Centro

Fone: (88) 3581-1818

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