COMPETIÇÃO NACIONAL

Alunos do Liceu participam da Olimpíada de Foguetes

04:36 · 25.10.2010
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O grupo Apollo XI, formado por estudantes do Liceu de Barbalha, concorre à IV Olimpíada Nacional de Foguetes

Barbalha. Sonhar não custa nada. Mas a criatividade pode levar a voos inimagináveis. Os cinco alunos da Escola Estadual de Educação Profissional Otília Correia Saraiva - Liceu de Barbalha, conseguiram ter a primeira colocação em nível de estado, na IV Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBFOG) e agora avançam para etapa nacional. Isso, depois de passarem por várias equipes dentro da própria escola, primeiramente. Hoje, estão entre os preferidos para a II Jornada Brasileira de Foguetes, que se realizará nos três primeiros dias de dezembro deste ano, em Passa Quatro, no Estado de Minas Gerais. O grupo foi batizado de Apollo XI, em homenagem a quinta missão tripulada do Programa Apollo e primeira a pousar na Lua, em 20 de julho de 1969. Com o primeiro resultado o grupo já se inclui entre os 50 melhores do Brasil.

A equipe está empolgada e o treinamento acontece todos os dias com os foguetes. A ideia é poder quebrar recordes consecutivos, para se chegar em Minas Gerais e poder mostrar o potencial da região. "Vamos estar lá para ganhar mesmo. Queremos vir para o Cariri com este prêmio", diz o estudante Samuel Teixeira da Silva. O trabalho foi iniciado com várias pesquisas, tanto no laboratório do Liceu, como também nas ruas. A maioria dos integrantes do grupo reside na Zona Rural.

As garrafas pet foram usadas, inicialmente, e também produtos para o combustível do foguete, feito de materiais simples, como garrafas de plástico, papelão e madeira, para dar peso e sustentação a base. Limão e refrigerante, entre outros produtos ácidos, são os combustíveis que podem dar pressão para que a experiência tenha a sua eficiência necessária. Mas os alunos foram mais longe e chegaram ao que consideram ideal como forma de manter o pequeno foguete no ar e de forma equilibrada, até ser classificado em nível de Estado.

Experimentação

Durante a modalidade escolar o foguete alcançou 82,25 metros, utilizando como combustível o ácido acético - contido no vinagre - e bicarbonato de sódio, que, por neutralização, libera hidrogênio gasoso, garantindo o empuxo do foguete. A plataforma é confeccionada com material reciclável, como madeira e cano PVC, montado em um ângulo estável de 45º.

Há mais de um ano, o professor Andrevaldo Gladson Pereira Tavares, pela sua admiração às experiências relacionadas aos foguetes e a sua importância lúdica e pedagógica para os alunos, decidiu inscrever o Liceu na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), quando também acontece a Olimpíada de Foguetes. A empolgação dos alunos é um dos resultados alcançados. "Esse trabalho me faz aprender na prática, estudar com mais estímulo Física, Química e Biologia, e entender na prática como isso pode acontecer", diz Samuel.

E essa constatação imediata das experiências científicas que contribuem diretamente para o aprendizado e novas descobertas é feita pelo professor que coordena a missão dos alunos e irá acompanhá-los até o Estado mineiro. Assim, eles fizeram os foguetes de material reciclável, utilizando madeira, papelão e cano PVC. Para o combustível, os alunos usaram água gaseificada, vinagre, bicarbonato de sódio e suco de limão. Todos esses elementos estão dentro da proposta do "Ano da Ciência para o Desenvolvimento Sustentável Local", explica.

A experiência não necessita de explosivo, tóxico ou qualquer material que produza faísca. O foguete é lançado pela força da reação de um ácido com sal, mistura produtora de um gás que gera pressão. Depois, é só começar a contagem regressiva para o lançamento. De frente ao Liceu mesmo são realizadas as sucessivas experiências. Uma mesa de plástico para inserir a base, um cabo de madeira, a inserção do combustível e a contagem regressiva.

A iniciativa chama atenção para a utilização de materiais que antes eram destinados ao lixo e que agora são transformados em foguetes. A instituição de incentivo à experiências como esta em salas de aulas é a Universidade Federal do Rio de Janeiro. As principais metas colocadas para os que se destinam à tarefa de inventividade está relacionada ao alcance e à criatividade do foguete, em paralelo ao plano horizontal.

O grupo de inventores é formado por estudantes na faixa etária de 15 a 17 anos. A delegação cearense estará composta por seis escolas da rede pública, descritas na seguinte ordem de classificação na modalidade estadual: E.E.E.P. Otília Correia Saraiva - Barbalha, E.E.M. Júlio França - Bela Cruz, Colégio da Polícia Militar do Ceará - Fortaleza, E.E.M. Liceu Vila Velha - Fortaleza, E.E.E.P. Professor Walquer Cavalcante Maia - Russas e a E.E.E.P. Avelino Magalhães - Tabuleiro do Norte. A equipe do Liceu é composta pelos alunos João José de Sousa Neto - 1º ano; Alisson de Sousa Pereira, André Cruz Macêdo Neto, Samuel Teixeira da Silva e Tonismar Gomes dos Santos - 3º ano. Todos são do Curso Técnico em Informática.

Expectativa

"Esse é um pequeno passo para um homem, mas um grande salto para a humanidade". Uma das frases mais ouvidas na humanidade após o ano de 1969, por Neil Armstrong, é repetida pelos alunos que sairão do Cariri para representar o Estado, mais cinco equipes. Lá estarão com todas as explicações na ponta da língua e todo o processo milimetricamente estudado. O tempo é importante, por fazer parte do processo competitivo. A grande esperança é do Apollo XI sonhar com essa mais nova conquista. Um pequeno e simples salto dos alunos para o que eles consideram uma grande conquista para as suas vidas.

Vitória

"A gente não imaginava a classificação. Mas os alunos têm vontade de vencer"
Andrevaldo Gladson
Professor

MAIS INFORMAÇÕES

E.E.E.P. Otília Correia Saraiva - Liceu de Barbalha
Rua Projetada, S/N - Parque Bulandeira
(88) 3523.2366

PREMIAÇÃO E RECONHECIMENTO
Jovens planejam estrear em eventos internacionais

Pouca experiência não inibiu os jovens cientistas a sonharem alto: passo seguinte é competir em outros países

Barbalha - O trabalho com os estudantes foi iniciado na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA). Durante esta olimpíada, acontece também a de foguetes, conhecida como OBFOG. O grupo decidiu junto começar a experiência.

Até então, não sabiam qual seria o primeiro passo. As pesquisas foram iniciadas na internet e todos os meios que pudessem fornecer a técnica de preparo do equipamento. Os testes aconteceram simultaneamente à experiência dos alunos. No próprio site da OBA também são encontradas orientações de como elaborar esse tipo de trabalho.

A surpresa maior foi o prêmio, mas a intenção de se tornarem campeões aconteceu desde o início dos trabalhos. Os meninos estavam mesmo obstinados com a possibilidade de ver que o projeto do foguete poderia ir bem mais longe.

Testes

Vestidos de jaleco branco, eles começam o preparo do combustível. Cada componente nesse momento é observado por todos. Tudo sob medida. O bicarbonato de sódio é envolto num papel. O seu formato fica parecido com uma bomba caseira. São 150ml de vinagre. Pronto, tudo na medida certa para o lançamento do foguete.
A competição acontece num clima de muita expectativa. Já há outra meta a se chegar, que é um encontro em nível internacional. Sonhar todo mundo pode. Mas é difícil ter que passar pela disputa nacional. Todos os procedimentos estão sendo tomados para que sejam bem aproveitados os recursos disponíveis. A apresentação em vídeo, fotografias, uma exposição oral de como todos os procedimentos foram realizados, até se chegar ao resultado final, irão acontecer em Minas Gerais.

Novos desafios

Segundo André Cruz, a participação na olimpíada nacional já dá ao grupo Apollo XI a possibilidade de pensar numa olimpíada internacional. Mas o foco mesmo nesse momento é a próxima competição. Os alunos são unânimes em abordar a experiência como de grande importância para o aprendizado. “Não é só na teoria que a gente aprende, mas na prática também, porque é um processo conjunto. O que nós estamos fazendo é química e física pura”, diz o estudante sobre o trabalho. O bom de toda a experiência, segundo ele, é poder ver o foguete no ar, fazendo sua trajetória.

Interesse

Para Samuel Teixeira da Silva, uma das coisas que mais despertou para o trabalho foi ter que buscar formas de reação e estruturação do foguete e, ainda, o envolvimento com as disciplinas que o grupo de estudante tem mais afinidade e habilidade: Física, Química e a Biologia.
O estudante João José diz que sua experiência de aluno do 1º ano tem sido positiva com os colegas mais práticos. “Esse momento tem sido proveitoso para mim. Uma nova forma de trabalhar dentro da sala de aula, que poderia acontecer com todos os estudantes. E o incentivo maior vem com a disposição de competir e com as vitórias alcançadas”, complementa.

Elizângela Santos
Repórter

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