Agricultores colhem safra de abóbora e melancia - Regional - Diário do Nordeste

PRODUÇÃO IRRIGADA

Agricultores colhem safra de abóbora e melancia

19.08.2005

Honório Barbosa

Um grupo de dez pequenos produtores rurais está otimista com a produção irrigada de abóbora, melancia, tomate, goiaba, coco e milho, no Vale do Rio São Miguel, no Município de Cedro. A colheita já começou e os resultados são satisfatórios. É uma experiência pioneira, ligada ao Agropolo Centro-Sul, desenvolvida pela Ematerce por meio dos programas Caminhos de Israel e Agente Rural.

O projeto começou no ano passado quando o pequeno produtor, Antônio Guedes, 40 anos, decidiu plantar um hectare de abóbora. Produziu 21 mil quilos que foram comercializados para a Central de Abastecimento

de Fortaleza (Ceasa). Obteve um lucro de R$ 10 mil, em apenas 70 dias, que é o ciclo da cultura. “Fiquei sem acreditar”, disse. “Nunca imaginei que a gente pudesse plantar jerimum e obter lucro”.

Anteriormente, Guedes plantava apenas culturas de subsistência, milho e feijão. Se o inverno fosse bom, conseguiria apenas um lucro de R$ 1 mil. Mediante o sucesso, Guedes resolveu partilhar a experiência para outros pequenos agricultores que a exemplo dele enfrentavam enormes dificuldades. “A minha idéia era formar um grupo, obter maior produção, garantir o mercado e trazer o desenvolvimento para o Município”.

Com a orientação do técnico do Agropolo Centro-Sul, Vidal Medrado, do agente rural, Mairton Lima, e do extencionista orientador da Ematerce, André de Sousa, o projeto foi expandido. Depois de várias reuniões na comunidade com agricultores, foi feita a seleção. “Só ficam os que realmente querem trabalhar, seguir as técnicas de irrigação e cultivo”, explica Vidal Medrado. “Eles aceitaram as condições e hoje estão animados com a produção e renda obtidas”.

No Vale do Rio São Miguel, o clima é de otimismo. Em menos de um ano, a realidade está sendo transformada, mesmo que numa pequena área. O grupo ocupa apenas 10 hectares. Cada um tem sua área própria ou arrendada que varia de um a três hectares.

Onde antes havia terras ociosas, desemprego, fome e dificuldades, hoje há trabalho, produção e renda. “Nós não tínhamos condição de nada”, disse José Rafael Neto, 58 anos, que está produzindo tomate e goiaba. Em breve, ele vai colher 42 toneladas de tomate.

As terras são consideradas excelentes e localizadas nas margens do Rio São Miguel, logo após o Açude Ubaldinho, havendo facilidade de irrigação. Sem conhecer a tecnologia de produção, os pequenos agricultores ficavam presos à tradição e só sabiam cultivar milho e feijão. A renda era mínima. “Os nossos avós e pais nunca tiveram condição de nada”, disse Rafael Neto. “Nós também estávamos passando pela vida, mas graças a esse projeto a nossa situação está mudando”.

Antônio Guedes, o pioneiro, no ano passado, obteve financiamento do Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar (Pronaf), modalidade B, com duas operações de R$ 1 mil para aquisição do sistema de irrigação (aspersores, mangueiras, cano e motor). Outros produtores adquiriram semelhantes sistemas através de compra a prazo numa loja da cidade de Iguatu. Graças à renda obtida com a lavoura, puderam pagar com folga os débitos.

Os produtores fazem questão de ressaltar o compromisso e a competência do técnico Vital Medrado, do Instituto Agropolo do Centro-Sul, do agente rural, Mairton Lima, e do extensionista André de Sousa. “Antes, os técnicos vinham, falavam e iam embora. Só voltavam depois de muito tempo, quando a cultura estava perdida”, disse Antônio Guedes. “Agora é diferente, temos acompanhamento direto e ele se preocupa até em fazer a venda dos produtos, encontrar mercado”.

Vital Medrado disse que a partir do Município de Cedro está começando um pólo produtor de abóbora e fruteiras na região, incluindo Lavras da Mangabeiras, Baixio, Ipaumirim e Iguatu. “As perspectivas são excelentes. Todos os produtores estão interessados e o quadro deve ser consolidado a partir deste ano”, explicou. “Há mercado garantindo”.

O chefe do escritório da Ematerce em Lavras da Mangabeira, que faz o acompanhamento no Município de Cedro, Kléber Correia, disse que o desejo dos produtores é de expansão das lavouras. “Estamos assistindo à uma nova realidade, que está mudando a vida de pequenos produtores”, disse. “Estamos transformando limitações em desafios, com produção escalonada para atendimento à demanda de mercado de forma competitiva e sustentável”.

Honório Barbosa
enviado a Cedro

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