Adestramento para cães de grande porte - Regional - Diário do Nordeste

BEM-ESTAR ANIMAL

Adestramento para cães de grande porte

19.02.2010

O cão precisa saber quem é o líder da matilha. Animais desobedientes lideram no lugar do proprietário

Fortaleza. A decisão de criar cães de grande porte requer atenção do proprietário para um cuidado básico: adestramento. A princípio, todos os cães, sejam pequenos ou não, precisam aprender comandos básicos de obediência. Mas, se tratando de animais que podem pesar mais do que um ser humano adulto, todo cuidado é pouco. Pode ser que numa simples brincadeira, o cão provoque danos a alguém da família. Para o médico veterinário Márcio Araújo, também criador de dez labradores, é essencial criar com obediência. Os cães, originários dos lobos, pensam viver em matilha, mesmo estando entre os humanos. Daí precisam saber quem é o líder da matilha.

Animais desobedientes podem tomar o lugar do proprietário na liderança. Quem não já viu pessoas passeando com cães, onde o animal vai na frente do dono?

Márcio Araújo explica que a necessidade do proprietário determinará o tipo de adestramento. Cães de grande porte como Hotwailler, Pastor Alemão, Doberman, Waimaraner, Labrador, Dálmata ou Boxer são criados não só para companhia, mas, principalmente, para fazer a guarda da casa e segurança da família. Neste caso, o adestramento vai além dos comandos básicos de obediência, e inclui o condicionamento para o ataque se houver necessidade.

O veterinário diz que os cães, assim como os seres humanos, também possuem caráter e temperamento. O primeiro nasce com o animal e é expressado naturalmente no seu comportamento. O cão pode ser dominante ou submisso. Já o segundo, sofre influência direta do ambiente, formando-se conforme a criação recebida do dono. A princípio, nenhuma raça é agressiva. O chamado instinto de agressividade atribuído a determinadas raças, como o Pit Bull, não é verdade. "O animal absorve o temperamento do dono. Algumas vezes, o proprietário não sabe lidar com o cão e usa a autoridade de forma errada, chegando a ser violento".

Como o temperamento pode ser condicionado, Araújo aponta o valor do adestramento. O treinamento para a obediência serve para neutralizar algumas influências negativas do proprietário sobre o animal. Cães muito agressivos, possessivos ou ciumentos tornam-se problema para a família, principalmente se tiver criança em casa, e para a sociedade, nos momentos dos passeios em espaços públicos. Um bom adestramento resolve esses casos e outros mais graves de distúrbios de comportamento.

Respeito e carinho são ingredientes básicos para tornar o cão um bom companheiro. Márcio Araújo diz sempre recomendar a seus clientes o adestramento nos casos de necessidade.


TREINAMENTO PARA OBEDIÊNCIA
Carinho e firmeza nas aulas

Fortaleza. Há 27 anos como adestrador, Liduíno Barros já perdeu as contas de quantos cães já treinou. Doberman, Boxer, Hotwailler, Dog Alemão, Fila, Akita e Labrador estão entre as raças que já passaram pelos seus condicionamentos para a obediência e guarda. Ele diz que seu trabalho segue uma fórmula básica para conseguir a colaboração do animal no treinamento: muito carinho, firmeza e equilíbrio ao passar os comandos. "O cão tem que se sentir bem e estar equilibrado para atender aos comandos", afirma.

"Junto", "senta", "deita" e "fica" são comandos básicos de obediência que Liduíno ensina nas primeiras aulas com o animal. Ele fez uma demonstração com o cão Ed, um Hotwailler de 9 meses de idade que há 5 meses está sendo adestrado para fazer a guarda da casa de seu proprietário, o engenheiro João Erdres.

Na demonstração, o animal apresentou-se bastante interessado no aprendizado. Mesmo já estando adestrado para os comandos básicos, expressou espontaneidade. "O animal não deve ficar robotizado", afirma.

Nas aulas, há o treino para a socialização que, segundo Liduíno, auxilia o animal para que ele não incorpore sentimentos negativos, muitas vezes passados pelos donos, como ciúme, possessividade e agressividade. "Um cão socializado caminha junto do dono, não fica latindo ou querendo atacar. Sabe se comportar em ambiente público", destaca.

Guarda, segurança, obediência, socialização, anti-veneno, exposição, show e competição são alguns tipos de adestramento que Liduíno trabalha. As aulas devem começar a partir dos 4 meses de idade e, dependendo dos objetivos do dono, podem ocorrer por 6 meses.


MAIS INFORMAÇÕES
Pronto Socorro Veterinário
Márcio Araújo: (85) 3252.4171
Liduíno Barros, adestrador (85) 8711.9297


VALÉRIA FEITOSA

EDITORA DO REGIONAL


Doutor Vet responde
Verminose em ovinos

Maria Verônica Moraes Campello*

O produtor rural Francisco Queiroz, em Acopiara, diz que enfrenta problemas com ovinos que apresentam diarreia, perda de peso e dificuldade de alimentação. Ele teme ser verminose e quer saber qual o melhor tratamento para vermifugar o rebanho de ovinos?

Antes de responder sua pergunta farei uns esclarecimentos. A diarreia, a perda de peso e a diminuição do apetite são sinais comuns a muitas doenças, além da verminose. Animais criados soltos estão sujeitos à verminose. A principal verminose dos ovinos é a Hemoncose. O verme tem uns 2 cm, é fino e habita o coagulador (abomaso). Os animais podem ter diarreia, anemia (vista pela cor da mucosa do olho), falta de apetite, fraqueza, perda de peso. Em alguns pode aparecer um aumento de volume no pescoço, chamado de "papeira". Os mais fracos e jovens podem morrer. O problema deve ser tratado com vermífugo de largo espectro, para eliminar vários tipos de parasitas ao mesmo tempo, podendo ser recomendados: Systamex oral, Ivomec, Cydectin, Ripercol, Albendazole, Dectomax. Os animais tratados com qualquer um deles só poderão ser consumidos depois de 10 dias de vermifugados. O esquema de vermifugação é de 4 doses por ano: 1) no início da estação seca; 2) 60 dias depois da primeira dose; 3) no fim da seca e 4) na época chuvosa. O controle da verminose não depende só da vermifugação, mas da adoção de medidas conjuntas: realização periódica de exame de fezes; o uso a campo do guia Famacha; e as medidas de manejo (mudar o vermífugo cada ano e aplicar a dose de acordo com o peso, vermifugar animais adquiridos e ao desmame, separar por idade, não superlotar o pasto, dar água de boa qualidade, selecionar os mais resistentes as verminoses.

* Professora de Doenças Parasitárias na Favet-Uece

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