Hortaliça

A alface sem veneno é disputada por consumidores

00:00 · 15.08.2018 por Honório Barbosa - Colaborador

Iguatu. A produção de alimentos orgânicos não é apenas o cultivo sem o uso de agrotóxico e de adubos químicos. Ela passa por todo um processo e deve obedecer a diversas exigências, para que seja certificada por entidades responsáveis. Exige tempo e custo. Mas há cultivo agroecológico que vem despertando o interesse de produtores rurais em produzir frutas e hortaliças dessa forma.

Um exemplo vem de um sítio localizado no Centro-Sul do Estado, em Iguatu, onde o agricultor Ednaldo Barros vem conseguindo cultivar alface sem uso de produto químico. Os pés chamam a atenção pela qualidade e bom desenvolvimento, no Sítio Barreira dos Pinheiros.

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O cultivo sem o uso de agrotóxico demanda mais tempo e trabalho. Mas, em compensação, garante mais lucro. O agricultor consegue vender a produção por um preço mais justo, maior do que o praticado no sistema convencional, com veneno.

A alface produzida no sistema sem veneno é comercializada na feira livre e em alguns supermercados da cidade. A unidade (pé) é vendida por R$ 1,50. Mas o interesse do produtor é conseguir a certificação de produção orgânica, para agregar mais valor ao seu produto.

Difícil e caro

Ele esbarra em apenas uma dificuldade. Não é simples e nem barato obter o selo de certificação de orgânico. "Para que uma produção seja considerada orgânica e tenha condições de conseguir o selo de certificação, é necessário passar por uma fase de transição, que varia de um a dois anos, dependendo da cultura e das condições iniciais da propriedade. Além disso, é necessário efetuar controles alternativos de pragas, doenças e deficiências nutricionais para que o solo se adapte ao cultivo orgânico", explicou o filho de Ednaldo, Bruno Carlos, que é mestre em Engenharia Agrícola.

A produção orgânica de hortaliças ainda é restrita no Centro-Sul cearense. A fabricação do composto orgânico é feita de forma simples. É produzido com sobras de alimentos, casca de frutas e esterco de gado. O processo de decomposição demora cerca de 60 dias. O adubo natural é aplicado diretamente nas hortaliças, por meio de sistema de microaspersão; e no solo para o preparo das áreas de cultivo. A não utilização de veneno nas hortaliças e as práticas adequadas de manejo garantem a alta produtividade e também a qualidade dos produtos.

Mesmo sem a certificação orgânica, mas pelo fato de o cultivo ser Agroecológico, a procura pelos produtos de Ednaldo Barros aumentou mais de 100% na feira, em Iguatu. Debaixo do sol forte, trabalhando pesado com a enxada, no preparo do solo, cuidando das plantas, o agricultor se mostra satisfeito com sua horta de produtos naturais. "A gente fica feliz porque os consumidores estão satisfeitos e levam para casa hortaliças sadias", frisa. "Existe um mercado favorável e quando se tem qualidade não faltam compradores", complementa o agricultor.

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