desigualdade

Vereador culpa a ações do Governo

01:00 · 13.04.2018

O vereador Evaldo Lima (PCdoB) foi à tribuna da Câmara Municipal de Fortaleza, ontem, para comentar os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados na quarta, 11, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e que apontaram um aumento da desigualdade de renda em quatro das cinco regiões do País no ano passado, incluindo o Nordeste, apesar de certa estabilidade no consolidado nacional.

O parlamentar atribui esses números à política econômica adotada pelo governo do presidente Michel Temer (MDB), que ele classifica como "usurpador", tendo chegado ao poder, na sua avaliação, através de um golpe de Estado. "Os números são reflexo da grave recessão promovida por Michel Temer com medidas que prejudicam o trabalhador", declara.

Na visão do legislador municipal, a desigualdade é o mais grave problema a ser enfrentado tanto pelo Ceará quanto pelo Brasil. Trata-se, segundo ele, da "grande chaga da sociedade brasileira", fruto de um processo histórico marcado pela herança escravocrata, colocando "para baixo do tapete da Casa Grande os números da velha senzala".

Entretanto, salvo uma mudança nas políticas do Governo Federal, a tendência que Lima vislumbra é de um agravamento da crise. Ele cita como uma das razões medidas, por exemplo, a reforma trabalhista, que levariam ao aumento na precarização e queda nos salários.

"A resposta à crise tem sido aquela que diminui a capacidade do trabalho de sair-se bem nesse processo", diz. Isso, de acordo com o parlamentar, dificulta a recuperação da economia, já que a queda na renda reduz a demanda. "A indústria está girando no fio da navalha de um consumo baixo. Nenhuma empresa vai ampliar sua produção se não tiver para quem vender", explica.

Redução

De acordo com o vereador, essa tendência é mundial. Ele afirma que países desenvolvidos saíram das recessões instaladas pela crise mundial de 2007 e 2008 mais desiguais do que entraram. Mas, segundo ele, o Brasil vinha sendo um ponto fora da curva.

"Embora isso não acontecesse na velocidade que a gente gostaria, as políticas eram no sentido de redução das desigualdades", explica. Tudo isso teria tido um fim com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que teria levado o País, dois anos depois, a um cenário com 13 milhões de desempregados e um outro imenso contingente de sub-ocupados.

As recentes quedas no desemprego, segundo ele, foram fruto de ocupações informais, que resultariam em queda na renda dos trabalhadores. "Tudo dificulta a retomada do consumo", diz. Além disso, ele queixa-se dos baixos níveis de investimentos públicos e privados.

Pelos números divulgados pelo IBGE, o índice de Gini - que mede a desigualdade no País - ficou em 0,549 em 2017, praticamente estável quando comparado ao ano anterior. Entretanto, isso teria ocorrido por uma queda nas diferenças de renda na região Sudeste, que compensou o crescimento no restante do Brasil, enfatiza.

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