Disputa proporcional

Tese de 'blocão' perde força na base governista na AL

01:00 · 05.06.2018

A ideia defendida por governistas de formar um único "blocão" com todos os partidos da base de apoio do governador Camilo Santana (PT) - em torno de 23 - para disputar vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal vem perdendo força, e lideranças das maiores siglas do grupo já trabalham com a possibilidade de fazer, pelo menos, duas coligações. Membros da base aliada, entrevistados pelo Diário do Nordeste, afirmaram que a formação das chapas proporcionais está sendo a principal dificuldade do grupo, no momento, em razão da grande quantidade de partidos e de candidatos diante do número limitado de vagas.

Alguns partidos que dão sustentação ao Governo do Estado, porém, já sinalizam que poderão ir "sozinhos" para a disputa proporcional, entre eles o PCdoB e o PT. O Patriota (antigo PEN) também deve lançar chapa pura, segundo governistas. Já o PPS trabalha para formar uma coligação com outros partidos menores, como o PRTB.

O temor dessas legendas é que, ao coligarem com partidos maiores como PDT e PP, não consigam eleger representantes para a Assembleia e para a Câmara, uma vez que a média de votos a ser alcançada pelos candidatos tende a ser alta. Por outro lado, lideranças ressaltam que podem mudar de ideia, caso todos os partidos decidam compor um único bloco.

O secretário da Casa Civil, Nelson Martins, um dos principais integrantes da cúpula governista e membro do PT, sustenta que uma coligação conjunta pode facilitar a efetivação de candidatos suplentes no Legislativo.

"Se você tiver várias coligações, pode ter um secretário que não vai abrir vaga para outro poder assumir. Outra coisa também tem sido uma prática - isso aconteceu agora, nesse período de quatro anos: os próprios partidos, por decisão própria, e as próprias coligações facilitarem que deputados que sejam suplentes possam assumir por um certo período. Isso só pode acontecer se a gente tiver uma coligação ampla", observou.

Por outro lado, Nelson reconheceu a dificuldade de montar um "blocão" com todos os partidos da base, porque serão muitos candidatos para um número limitado de vagas. Ele acredita que é possível fazer coligação "bem ampla" para deputado federal. Já para estadual, admite que talvez seja preciso formar duas coligações.

Potencial

O deputado federal André Figueiredo, que preside o PDT no Estado, também considera que um arco de alianças amplo, como está hoje, dificulta a formação de um único bloco. Ele defende, porém, a formação de blocos unificados, "tanto para federal quanto para estadual".

Um dos partidos que mais defendem a composição de um "blocão" é o MDB, após ter se aproximado do Governo. Na avaliação de um deputado da base aliada, que preferiu não se identificar, a legenda emedebista insiste na "tese" porque quer disputar vagas na Assembleia com, pelo menos, seis candidatos e, numa chapa "sozinho" ou com partidos menores, não teria cacife eleitoral para eleger todos os seus candidatos.

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