Fim do recesso parlamentar

Siglas definem atuação das bancadas na Assembleia Legislativa

Alguns partidos, porém, aguardam o fim do Carnaval para discutir o posicionamento de seus deputados estaduais

A Assembleia Legislativa retoma suas atividades amanhã (2), em sessão marcada para as 10h. O governador Camilo Santana é presença esperada ( Foto: José Leomar )
01:00 · 01.02.2018

Enquanto alguns partidos no Estado esperam passar o período carnavalesco para reunir seus deputados estaduais, outros traçam estratégias de atuação das bancadas na Assembleia Legislativa neste ano, com vistas à eleição de outubro próximo. Segundo dirigentes de partidos com maiores representações no Parlamento entrevistados pelo Diário do Nordeste, uma das principais orientações às bancadas é defender os presidenciáveis das respectivas legendas. Alguns deputados, porém, devem ficar ainda à espera de definição em torno de eventual aliança entre o senador Eunício Oliveira (MDB) e o governador Camilo Santana (PT). Os trabalhos da Casa serão retomados amanhã (2).

Maior bancada da Assembleia, com 12 deputados, o PDT é, hoje, uma das forças de sustentação do governador Camilo Santana (PT), mas, na avaliação do presidente estadual da legenda, deputado federal André Figueiredo, o partido não deve "abrir mão uma vez ou outra de uma postura mais crítica". Para ele, a bancada é coesa ao seguir orientações do Governo.

Presidência

Figueiredo reforça, contudo, que deve haver unidade entre os representantes do partido quanto à disputa pela Presidência da República. É orientação da direção nacional do PDT, segundo ele, que as bancadas "possam cada vez mais estar enaltecendo a candidatura do Ciro como real candidatura para Brasil".

Já o PT, que conta com quatro deputados estaduais, orienta os detentores de mandato a continuarem defendendo a candidatura do ex-presidente Lula ao Palácio do Planalto, mesmo que ele tenha sido condenado, em segunda instância, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), no caso do tríplex de Guarujá, em São Paulo.

"O que nós estamos orientando, primeiro, é manter a defesa das conquistas do governo Camilo, da identidade programática que o Camilo tem desenvolvido, fazermos a defesa do ex-presidente Lula, fazermos a denúncia do que foi a farsa do julgamento, mas, principalmente, reafirmar o processo de conquista social que tem sido o governo Camilo", afirma o presidente estadual do PT, Francisco de Assis Diniz. "No que diz respeito às questões nacionais, a ideia é sentarmos mensalmente para delinearmos esse processo", completa.

O ponto que ainda é uma incógnita entre partidos da base do governador diz respeito a eventual aliança entre Camilo e Eunício, que, nas eleições de 2014, eram adversários políticos. Para De Assis, a bancada do PT na Casa vai "defender a manutenção dessa relação institucional" entre as duas lideranças. "Quando chegar o momento, faremos a discussão do ponto de vista eleitoral", sustenta.

Por sua vez, o MDB, comandado pelo senador Eunício Oliveira no Estado, só deverá definir as posições do partido para este ano após o Carnaval. A data deve ser acertada, amanhã, em reunião com Eunício e lideranças, na Associação das Prefeituras do Estado do Ceará (Aprece).

Nos últimos dois anos, o que se viu na Assembleia foi que, desde antes da aproximação entre Eunício e Camilo nos últimos meses, deputados emedebistas já haviam aderido à base governista. Após o início das conversas entre os dois líderes, em votações importantes para o Governo do Estado, parte da bancada se ausentou, justamente para não ter que se manifestar a favor ou contra o Executivo.

Mudança

"A própria bancada ficou indecisa sem saber se esta aproximação é institucional, se ela poderia, num futuro próximo, seguir o caminho político. Como ainda não houve uma definição disso, será um dos assuntos tratados na reunião. Agora, o futuro nós não sabemos, a Executiva do partido achou por bem que a decisão do destino político do partido cabe ao senador", enfatiza Gaudêncio Lucena, presidente em exercício do MDB no Estado.

Se, de um lado, partidos se articulam com o objetivo de traçar estratégias de atuação na Assembleia, do outro, algumas bancadas devem perder espaço no Legislativo. O PSD, presidido pelo deputado federal Domingos Neto, tem três deputados, mas vai ficar apenas com um. Gony Arruda, Osmar Baquit e Roberto Mesquita deverão trocar de legenda durante a janela partidária. Quem deverá embarcar no partido é o deputado Odilon Aguiar, atualmente no PMB.

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