Pouco apoio

Sem estrutura, Góis se apega a Bolsonaro

Candidato do PSL, porém, ainda não recebeu apoio público do presidenciável ao longo da campanha

Ao "CETV 1ª Edição", da TV Verdes Mares, Hélio Góis ressaltou que não pretende iniciar obras até que seja feito levantamento das intervenções deixadas pela atual gestão. Ele encerrou a série de entrevistas com os candidatos ( Foto: Natinho Rodrigues )
01:00 · 15.09.2018

Apresentando-se como "o único candidato de direita do Ceará", Hélio Góis (PSL), que disputa o Governo do Estado no pleito deste ano, afirmou ao Diário do Nordeste que, em eventual governo, aceitaria ideias oriundas do pensamento de esquerda. O postulante também disse que desconhece a situação dos 184 municípios cearenses e as necessidades de cada um, mas salientou que, se eleito, buscará informações sobre todas as cidades. Ontem, ele foi o último dos cinco candidatos ao Palácio da Abolição a ser entrevistado pela TV Verdes Mares e pela TV Diário.

> Hélio Góis diz que não iniciará obras e defende redução da máquina pública

Questionado sobre a seriedade que tem dado à postulação, visto que afirmou ter entrado na política há apenas três meses, o liberal disse que não está disputando o cargo máximo do Estado "para fazer graça ou palanque para ninguém". No entanto, sua principal tarefa na disputa tem sido ser responsável pelo palanque do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no Ceará.

"Minha candidatura é seríssima. Não estou aqui para fazer graça ou palanque para ninguém, mas para ser opção da direita em nosso Estado. O que vemos por aí são agremiações que gravitam em torno de PSDB e PT, que eu considero de esquerda", criticou Góis.

O candidato, assim como fez General Theophilo (PSDB) em entrevista ao Diário do Nordeste, também demonstrou descontentamento com a política e com o eleitorado. "Estou indo para ganhar, mas se a escolha da população for outro candidato, paciência. Eu fiz minha parte", afirmou. "Eu dei o exemplo, inclusive, de maneira política".

Hélio Góis admitiu que, desde que decidiu disputar o Governo do Estado, já presenciou situações que o desagradaram. "A política é um ambiente hostil, as pessoas mentem, fazem toda sorte de marmota para desviar atenção daquilo que importa". De acordo com ele, o "gosto" pela ideologia de direita teve início há cerca de três anos, durante um curso de mestrado na Alemanha, quando as ideias dos dois espectros políticos foram colocadas em confronto para ele.

No Brasil, conforme afirmou, não há possibilidade de ter acesso a informações de autores de direita. "Participei quatro anos estudando Direito sem nunca ter recebido algum estudo sobre autores de direita. Na Alemanha, vi que uma pessoa só pode ser de esquerda se for imbecil ou mau caráter", disparou.

Futuro

Neófito na política, o futuro político de Hélio Góis é incerto, uma vez que ele não projeta participar de uma nova disputa eleitoral nos próximos anos, caso não tenha sucesso na atual empreitada. "Vamos decidir um dia de cada vez. Não sei se vou parar, só sei que vou fazer um bom trabalho. Neste momento, o que fiz foi cumprir uma missão. Se por acaso me conduzir a outro pleito, seguirei. Se não, aceitarei, com resignação, o que o destino, o que Deus me mandar".

O presidente do PSL no Ceará, Heitor Freire, por sua vez, é o único candidato da agremiação que, até o momento, tem sido apoiado publicamente pelo presidenciável Jair Bolsonaro, em vídeos nas redes sociais, e a expectativa da legenda é que o dirigente seja um dos 22 cearenses eleitos para a Câmara Federal.

Questionado sobre tal atenção dada a um candidato a deputado federal em detrimento do que se coloca ao Governo do Estado, Hélio Góis afirmou que não há estrutura financeira no partido para fazer frente à campanha para governador. "Entendo que o Bolsonaro apoia todo e qualquer guerreiro que esteja lutando do seu lado", justificou. Freire disse que tem proximidade maior com Bolsonaro porque o apoia desde antes de ser lançado oficialmente candidato.

Hélio Góis admitiu, ainda, desconhecer a realidade dos 184 municípios cearenses, mas ponderou que, ao reconhecer a dúvida, busca informações. "Penso que você sendo equipado com capacidade de decidir bem e com os bons valores, qualquer dado pode ser coletado nas estruturas do Estado. Sei trabalhar realidades e dados e isso me faz qualificado".

Estratégia

Com pouco tempo de propaganda em rádio e televisão e sem outros grupos políticos para dar suporte à candidatura, ele tem procurado o apoio de voluntários para a campanha, mas reconhece que isso tem sido pouco para alavancar a candidatura.

No entanto, vai manter a estratégia de se colocar para a população como o postulante apoiado por Bolsonaro. "Vamos fazer exatamente o que estamos fazendo, porque nossa mensagem está chegando. Aos poucos? Não se sabe, até porque a gente não tem a real noção do que será essa eleição antes do voto na urna".

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.