Candidato ao Governo

Sem Capitão Wagner, oposição volta à estaca zero

O deputado estadual vai disputar pelo PROS uma vaga na Câmara Federal. Oposição terá reunião até o fim do mês

A filiação do Capitão Wagner ao PROS será oficializada em evento na Assembleia no próximo dia 25. Ele permanece, porém, no bloco de oposição ( Foto: José Leomar )
01:00 · 17.01.2018

Seguindo os mesmos passos de seu antigo aliado político, Cabo Sabino, o deputado estadual Capitão Wagner vai deixar os quadros do Partido da República (PR) e se filiar ao Partido Republicano da Ordem Social, o PROS. A oposição apostava no nome do parlamentar para uma candidatura ao Governo do Estado, mas ele disputará uma das 22 vagas do Ceará na Câmara Federal, o que fará com que o grupo volte à estaca zero, sem um postulante oposicionista ao cargo majoritário.

O anúncio da filiação de Wagner ao PROS será feito, oficialmente, na quinta-feira da próxima semana, dia 25, a partir das 9h, na Assembleia Legislativa. No entanto, a filiação só será concretizada em março próximo, na janela partidária. O deputado dialoga há alguns meses com a direção da sigla no Estado.

O presidente do PR, Lúcio Alcântara, como o Diário do Nordeste já havia noticiado, chegou a oferecer a presidência da legenda ao deputado, mas ele não aceitou o posto, visto que não teria o controle da agremiação na totalidade. Wagner não aceitava, por exemplo, que filiados da legenda, como a deputada federal Gorete Pereira, se aliassem à base do governador Camilo Santana.

Ao Diário, o parlamentar afirmou que será candidato a deputado federal pelo PROS, e não pretende disputar vaga no Senado ou o Governo do Estado, como queria a oposição. Ele tem dito que as postulações majoritárias demandam muito investimento e cita que ainda estaria pagando dívidas da campanha de 2016, quando foi derrotado por Roberto Cláudio na disputa pela Prefeitura de Fortaleza.

Apesar da decisão de não disputar o cargo de governador, Capitão Wagner garantiu que a relação com a bancada oposicionista seguirá a mesma, sem qualquer distanciamento ou desentendimento. No entanto, o mesmo não acontecerá em relação a seu antigo aliado, o deputado federal Cabo Sabino. Não há mais ânimo nem disposição entre os dois para uma relação amigável.

Rompimento

Desde o segundo semestre do ano passado, desentendimentos entre os dois parlamentares foram evidenciados nas redes sociais. Sabino havia se comprometido a apoiar Wagner na disputa ao Governo do Estado ou ao Senado, mas disse, em vídeo na Internet, que lançaria candidatura a deputado estadual, caso o colega fosse disputar uma vaga na Câmara Federal.

No entanto, após ouvir apoiadores, Sabino resolveu manter a postulação a deputado federal, o que dividirá votos dos dois. Em 2014, quando foram eleitos em dobradinha, Wagner obteve 194.239 votos e Sabino, 120.485. Ele foi o 12º deputado federal mais bem votado do Ceará, e Wagner, o candidato a deputado estadual com mais votos na história da Assembleia.

Com o senador Tasso Jereissati e Capitão Wagner fora da disputa majoritária no Estado, o ex-presidente do PSDB, Luiz Pontes, disse que a oposição já estaria no "plano D", e não mais no B ou C. Na manhã de ontem, ele se reuniu, em um almoço, com os dirigentes do PR, Roberto Pessoa e Lúcio Alcântara, e com o ex-presidente do extinto Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Domingos Filho. A bancada decidiu que vai insistir nas pesquisas internas para definir quem será o escolhido para a disputa, e ele garante que o Estado não ficará sem um candidato oposicionista em 2018.

Dificuldades

Principal liderança do grupo no Ceará, Tasso Jereissati está no exterior, mas se reunirá com a bancada até o fim do mês. "Temos que ver logo isso, temos que colocar um nome na rua, porque agora só tem o nome do governador. Ele está sozinho e isso não é bom para a democracia", opinou Luiz Pontes.

Para ele, o principal empecilho para apoio ao nome de Wagner foi o fator Jair Bolsonaro, visto que houve impedimento de Tasso a pedido de voto para o presidenciável. "Voltamos à estaca zero, mas ele (Capitão Wagner) vai apoiar o nosso candidato. Ele é um nome forte, não somente como candidato", disse Pontes. Ele admitiu que a oposição tem dificuldades para encontrar um nome, mas lembrou que, em 2014, o nome de Camilo Santana só foi definido na base governista no último momento.

Presidente do PR, o ex-governador Lúcio Alcântara disse que, "no momento certo", a oposição terá um nome, mas, por enquanto, não há candidato. No entanto, ele ressaltou que as legendas de oposição estão unidas, e isso é importante neste momento.

Questionado sobre a saída de dois membros da agremiação, o dirigente afirmou que não pode forçar ninguém a ficar no partido. "Não tenho nenhuma confirmação dele (Wagner), mas é preciso respeitar a decisão das pessoas. Lamentamos, mas sai um aqui e entra outro. Isso é um fenômeno natural da política".

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