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PSOL do Ceará não se filia a grupo divergente na sigla

01:00 · 15.02.2018
Ailton Lopes
Para Ailton Lopes, dirigente do PSOL, o nome escolhido para disputar a presidência terá o apoio dos cearenses ( Foto: José Leomar )

Enquanto o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) não decide qual nome deve lançar como candidato a presidente da República no pleito deste ano, o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, que ainda não se filiou à legenda, segue sendo o preferido da maioria dos socialistas do PSOL, apesar das restrições de alguns fundadores da agremiação.

Para lideranças do partido no Ceará, qualquer uma das cinco pré-candidaturas colocadas até o momento representará bem o ideal partidário da legenda, e não há objeção sobre nenhuma delas. Por enquanto, se colocaram como postulantes pelo PSOL o sindicalista do movimento negro, Hamilton Assis; a liderança do movimento indígena, Sônia Guajajara; e os economistas Plínio Jr., o "Plininho"; e Nildo Ouriques.

Boulos, apesar de não ser filiado ao partido, tem sido preferência majoritária na legenda, que deve definir o indicado da sigla no dia 10 de março, durante a Conferência Nacional do PSOL, como ficou deliberado no Congresso Nacional do grêmio.

Único representante do partido na Assembleia Legislativa do Ceará, o deputado estadual Renato Roseno afirmou que ainda está debatendo com seus correligionários para saber quem deve apoiar durante a escolha interna. No entanto, ele destacou que uma aliança com os movimentos sociais, sejam aqueles que lutam pela reforma urbana ou pelo movimento indígena, será uma boa alternativa para o País.

Proposta

"Existem quatro pré-candidaturas já inscritas e um diálogo sobre a possibilidade de candidatura de Guilherme Boulos pelo PSOL. Todos os nomes nos representam bem, e o debate em torno de programa e nome é bom", disse o parlamentar. De acordo com ele, somente em março a agremiação terá uma proposta mais alinhavada para apresentar à sociedade brasileira.

O parlamentar também acredita que as divergências que estão sendo colocadas em âmbito nacional fazem parte do debate em torno das candidaturas apresentadas, visto o momento polêmico em que o Brasil enfrenta.

A disputa interna tem feito, por exemplo, que militantes do PSOL critiquem uma possibilidade de o partido se diminuir, em razão da relação muito alinhada de Guilherme Boulos com o MTST. Adversário interno do coordenador do Movimento, "Plininho" também tem reclamado da falta de críticas de Boulos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Presidente do PSOL no Ceará e pré-candidato ao Governo do Estado, Ailton Lopes afirmou que o debate de ideias faz parte. "Se não fosse assim, não teríamos quatro pré-candidaturas. A Sônia tem uma perspectiva mais eco-socialista, por isso eu a apoio. Mas quando se definir, vou apoiar o candidato escolhido pelo partido", disse.

Ele ressaltou que, com as polêmicas colocadas, os ânimos entre os pré-candidatos podem estar mais "instigados". "Os nomes colocados são espetaculares. Acho que estaremos bem representados. A forma como os movimentos se organizam são diferentes e os métodos são outros. Para nós, do PSOL no Ceará, vai ser uma felicidade se o Boulos for nosso candidato. Será uma felicidade fazer campanha para cada um deles", disse.

Ainda segundo Lopes, Guilherme Boulos é uma referência política da esquerda e um "grande nome", que poderá fortalecer os quadros do PSOL, caso se filie ao partido. De acordo com ele, qualquer um dos cinco nomes que venha ser escolhido representará os ideais do partido. "São cinco nomes que têm em comum a defesa daquilo que está no programa do partido, programa esse que temos acumulado das nossas lutas sociais".

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