Coligações proporcionais

Projeções modificam táticas de deputados

Pré-candidatos que disputarão reeleição, neste ano, apontam a possibilidade de até três coligações na base

Deputados da Assembleia têm feito cálculos de votos para definir como irão para o pleito. A tese de um 'blocão' perde força na base governista ( Foto: José Leomar )
01:00 · 14.05.2018

Deputados estaduais que tentarão reeleição neste ano e outras lideranças políticas no Ceará seguem realizando os mais diversos tipos de cálculos na esperança de atingirem o quociente eleitoral que os beneficie no pleito de outubro próximo. Diante das projeções, porém, alguns parlamentares já defendem mudanças na constituição de coligações para a disputa proporcional, tendo em vista alterações ocorridas no cenário político local.

O ingresso de postulantes oriundos de secretarias do Governo do Estado e da Prefeitura de Fortaleza, além das alterações nas composições partidárias após a janela partidária, fizeram com que alguns políticos repensassem posicionamentos que devem adotar na disputa que se avizinha. A base governista, que até pouco tempo defendia, em sua maioria, a constituição de um "blocão" abrangendo todos os partidos aliados do Governo Camilo Santana, já não coloca mais obstáculos quanto a novas coligações.

Ainda no mês de março, lideranças políticas aventavam a possibilidade de até três coligações proporcionais na base aliada do governador: uma com partidos com maior potencial eleitoral, como PDT e PP, por exemplo; outra com legendas de médio porte e uma entre os chamados "partidos nanicos". Esta tese está crescendo entre postulantes na Assembleia Legislativa.

Tentando um quinto mandato parlamentar, o deputado Osmar Baquit, que recentemente ingressou no PDT, afirmou que, com base nos últimos cálculos feitos, o melhor para a sigla pedetista é estar coligada com o PP, uma vez que há proximidade entre os membros das legendas, além de potencial eleitoral.

"Eleitoralmente, essa coligação favorece os dois partidos. Acredito que, dessa forma, possamos eleger de 20 a 21 deputados", projetou. "Hoje, não defenderia o 'blocão'. Para o PDT, a melhor coligação é com o PP. Até para não perdermos deputados, a melhor maneira é essa".

No entanto, ele destacou que ainda há a possibilidade de diversas coligações serem formadas na base governista, ou mesmo uma coalizão com todas as legendas aliadas. Baquit disse, contudo, que não vê problemas em PT ou PCdoB insistirem em disputar isolados o pleito proporcional, mas PP e PDT, em sua avaliação, estariam "bem" ao formar uma coligação entre si.

Votação

Inicialmente, o PT havia defendido ir para a disputa proporcional sozinho, sem coligação, visto que teria sido prejudicado ao se coligar com outras legendas em 2014. A sigla petista tem interesse em eleger até quatro candidatos, mas acredita que tal intento seria prejudicado caso se aliasse a outros grêmios.

Eleito com pouco mais de 23 mil votos em 2014, Julinho (PPS) foi o parlamentar com menor número de sufrágios a garantir vaga na Assembleia. Para estas eleições, o deputado estará em coligação com o PEN e, segundo afirmou, a chapa deve eleger até três nomes somente do PPS. Ele destacou que, nas duas eleições em que foi eleito no sistema proporcional, conseguiu vaga a partir do quociente eleitoral atingido fazendo tais cálculos.

"Me elegi duas vezes com menos votos que muitos outros. Isso através de uma estratégia eleitoral para alcançar uma vaga sem precisar de muitos votos", argumentou Julinho. "Todo candidato a deputado que vai escolher seu partido tem que fazer esses cálculos, porque, se o potencial dele não é de muitos votos, ele procura um partido de nível menor. Muitos candidatos não sabem fazer os cálculos e até desdenham de nossa estratégia, mas isso é um grande engano, porque sempre acertamos".

João Jaime (DEM), que trabalha para ser eleito ao quarto mandato, destacou que todos os seus pares fazem cálculos na expectativa de entenderem quem terá determinada quantidade de votos e perspectivas de vitórias. Pelos apoios de prefeitos e lideranças, alguns já projetam possíveis resultados da eleição, mas, até que isso ocorra, há muitas conversas de bastidores, sem contar variáveis da disputa federal e ao Executivo estadual, que também influenciam o comportamento dos candidatos.

"Faço várias análises para saber como estão meus votos no decorrer do mandato, mas a gente conversa muito e simula as coligações", disse João Jaime, ressaltando, porém, que até julho haverá muita especulação sobre o assunto. O parlamentar destacou, ainda, que o melhor cenário para o DEM no Estado é compor uma coligação com o maior número possível de partidos. "Conversamos com PP e PDT e queremos nos coligar dentro do arco de aliança que vai apoiar o governador Camilo. Estamos aguardando para ver como isso vai se dar".

Histórico

Em primeiro mandato na Assembleia Legislativa, o deputado Elmano de Freitas (PT), por sua vez, ressaltou que os parlamentares mais experientes têm maior conhecimento de determinados cálculos eleitorais, mas destacou que o histórico das eleições passadas é um fator norteador. "Há um parâmetro de votos, mas em cidades maiores é muito difícil saber para onde o eleitorado pode ir, porque é um eleitorado difuso", opinou.

As contas são feitas não somente para eleição de determinados postulantes, mas também para formatação das coligações. No PT, segundo Elmano de Freitas, o voto é difuso, além de "orgânico", visto os históricos de alguns postulantes.

Já Heitor Férrer (SD), ao contrário de seus colegas, afirmou que não faz qualquer tipo de cálculo para saber a sua capacidade de eleição. O parlamentar disse que tal procedimento é "nauseante", devido ao tratamento que é dado ao voto do eleitorado nos bastidores, e enfatizou ter sido eleito ao longo das últimas legislaturas por meio de feitos políticos na Casa Legislativa.

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