Reeleição incerta

Pré-candidaturas novas preocupam parlamentares

Nos bastidores da AL, governistas apontam nomes que, com bom potencial de votos, já são tidos como eleitos

No Plenário 13 de Maio, governistas têm reclamado com frequência de ações de secretários que tentarão eleição ao Legislativo neste ano ( Foto: Yago Albuquerque )
01:00 · 30.03.2018

A entrada de candidatos novatos na disputa por cadeiras da Assembleia Legislativa neste ano tem merecido atenção dos atuais parlamentares, que miram a reeleição, não apenas pelo desgaste da classe política a partir dos escândalos de corrupção envolvendo parte dela. Deputados estaduais entrevistados pelo Diário do Nordeste já apontam também alguns nomes, dentre os que poderão concorrer a uma vaga no Legislativo Estadual, com grande potencial de votos - em alguns casos, com projeções que superam as de veteranos.

Cerca de dez dos atuais 46 detentores do cargo de deputado estadual estão na Assembleia há, pelo menos, quatro mandatos e tentarão, em outubro próximo, permanecer na Casa por mais quatro anos. A principal reclamação deles e também dos mais jovens diz respeito ao uso da máquina pública por alguns dos futuros novos postulantes, ligados ao Governo do Estado e a prefeituras municipais.

Para o deputado Fernando Hugo (PP), que está no sétimo mandato consecutivo na Assembleia Legislativa e disputará o oitavo, o que mais é motivo de preocupação, para além de novos nomes que serão apresentados, é a cooptação de lideranças políticas a favor deles. O parlamentar já fez esse alerta na tribuna da Casa e, recorrentemente, cobra fiscalização do Ministério Público Eleitoral.

"Para cuidar de alguns candidatos que há muito tempo estão circulando, cooptando lideranças, contratando a peso de suplentes, prefeitos, vereadores, em busca de angariar a Assembleia e a Câmara. Por isso, evidentemente, quantos novatos descendentes de grandes lideranças políticas cá estão com os seus paletós já cortados, para assumirem a Assembleia, tendo em vista a omissão do Ministério Público", relatou.

Além de Fernando Hugo, outros deputados experientes no Legislativo cearense, segundo aliados, deverão tentar permanecer por mais quatro anos na Casa. São eles: Manoel Duca (PDT), que exerce o sétimo mandato; José Sarto (PDT), que está no sexto; Antônio Granja (PDT), Osmar Baquit (PDT) e Gony Arruda (PSD), todos no quinto mandato; além de Heitor Férrer (SD) e Sérgio Aguiar (PDT), ambos no quarto mandato. O deputado Zezinho Albuquerque (PDT), presidente da Assembleia, é outro que está há sete mandatos no Legislativo, mas vem sendo cogitado para o cargo de vice-governador na futura chapa de Camilo Santana.

Apadrinhamentos

A reclamação de Fernando Hugo, que é também de outros governistas da Casa, é uma reação a investidas de apoiadores e padrinhos políticos em torno de futuros pré-candidatos da base para a eleição na Assembleia - nos bastidores do Legislativo, estima-se que sejam pelo menos dez já considerados eleitos neste ano por seus aliados.

Entre os nomes da lista citada por parlamentares estão Fernando Santana, secretário-adjunto do Gabinete do governador Camilo Santana (PT); Lia Gomes, irmã dos ex-governadores Ciro e Cid Gomes, ambos no PDT; o vereador Salmito Filho, presidente da Câmara Municipal de Fortaleza; e Queiroz Filho, chefe de Gabinete do prefeito Roberto Cláudio (PDT).

Na Assembleia, deputados estaduais que miram a reeleição neste ano se queixam, com frequência, de estarem em desvantagem em comparação a gestores pré-candidatos, que, segundo alguns, acabam se utilizando dos cargos e secretarias nos governos para obter benefícios na eleição. O deputado Julinho (PDT), aliado ao governo estadual, espera que haja uma disputa "justa", posto que os gestores têm até o próximo dia 7 de abril para desincompatibilizar os membros do governo que queiram concorrer a cargos eletivos em outubro próximo.

"Qualquer pessoa pode ser candidato, não importa se ele participa ou não do governo, até porque tem o defeso eleitoral, todo mundo seis meses antes tem que sair e, nesse tempo que ele estava no governo, o que eu prego é a igualdade", sustenta Julinho. "É injusto você concorrer com uma pessoa que tem mais condições do que você. Eu concordo com a questão das candidaturas (novas), acho que é natural, mas, se houver realmente um poderio maior para beneficiar A ou B, acho injusto, até porque tem que haver renovação. Não são cargos vitalícios", completa o deputado.

Alianças

Já para Osmar Baquit (PDT), quanto maior o número de candidatos novos, capazes de arregimentar votos, melhor para a coligação que deve ser formalizada. "Sempre existiram novos candidatos, isso é o de menos. Lógico que temos candidatos fortes e têm os que não são. Têm uns que a gente sabe que têm grande potencial, outros que têm médio potencial, o problema não é se é novo, é que tem deputado que vai para uma eleição e não tem a condição que os novos têm. Tem candidato que não tem dificuldade de estar em uma chapa em qualquer partido", observou.

O deputado João Jaime (DEM) analisa, por sua vez, que a pulverização de vários candidatos, novos ou não, para disputar cadeiras no Legislativo torna o cenário incerto. "Essa eleição vai ser muito mais disputada que as outras, por conta da fragmentação dos apoios nos municípios. Poucos prefeitos e lideranças políticas nos municípios estão conseguindo unificar seu grupo em torno de um só deputado. Isso independentemente de candidatos novos ou não, mas pela disputa de poder na esfera municipal. Novas lideranças estão querendo mostrar força para as eleições municipais de 2020".

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