Bloco governista

PP teme prejuízo com coligação

01:00 · 14.02.2018
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Segundo Paulo Henrique Lustosa, não há veto à coligação, mas "receio" de alguns pepistas ( Foto: Fabiane de Paula )

Membro da executiva do Partido Progressista (PP) no Ceará, o ex-deputado federal Paulo Henrique Lustosa afirma que a agremiação não se importa em fazer parte de bloco da base governista para as eleições proporcionais deste ano, mas pode demonstrar resistência em ir para uma ampla coligação com os demais partidos aliados. Segundo ele, a legenda tem como pretensão manter o número de parlamentares que possui na Assembleia Legislativa e eleger ao menos dois deputados para a bancada do Ceará na Câmara Federal.

No entanto, o partido deverá sofrer baixas a partir de março, durante a "janela partidária". Isso porque o deputado estadual Walter Cavalcante negocia com lideranças do MDB para retornar à sigla em que iniciou a carreira política. Cavalcante, atualmente um dos cinco membros do PP no Legislativo Estadual, não confirma a desfiliação da sigla progressista, mas seu ingresso na legenda emedebista já é dado como certo por dirigentes partidários do MDB.

O PP também pode ficar sem o deputado federal Adail Carneiro, visto que, devido a disputas internas, ele deve deixar o partido. Desde o início do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), ainda em 2015, havia compromisso da executiva nacional do partido de ceder a presidência da agremiação no Ceará ao parlamentar, mas isso nunca se concretizou.

Ganho

Por conta disso, a tendência é que Carneiro deixe o PP até o início de abril, conforme informou Paulo Henrique Lustosa. O Diário do Nordeste tentou contato com o deputado federal, mas ele não atendeu às ligações até o fechamento desta matéria.

No entanto, mesmo perdendo esses dois nomes, no âmbito estadual, o partido tende a manter o mesmo número de representantes na Assembleia, uma vez que há negociação para que Gony Arruda, atualmente no PSD, ingresse no grêmio. Outro que está conversando com a direção da sigla é o suplente Yuri Guerra, que esteve nos últimos meses na Casa pelo PMN.

Ainda de acordo com Paulo Henrique, pelos cálculos da legenda, eles teriam de 350 mil a 380 mil votos para deputado federal, o que já lhes garantiria a eleição de, pelo menos, dois parlamentares à Câmara. Os principais candidatos do partido são o presidente estadual, Antônio José, que é secretário Regional Executivo da Prefeitura de Fortaleza; o deputado federal Macedo e o próprio Lustosa.

Segundo ele, a legenda também está conversando com outros nomes para ter a possibilidade de ir à disputa com um número razoável de possíveis votos. O dirigente afirmou ainda que não há qualquer veto à coligação, mas um receio quanto ao "blocão" sugerido pela base governista, que seria formado por todas as legendas da base aliada de Camilo Santana.

Algumas legendas temem coligação com o PDT, devido à grande densidade eleitoral de seus membros, o que prejudicaria o desempenho das demais. Lustosa acredita que, diante da conjuntura atual, não haveria problemas em coligação com o DEM ou o MDB, que nos últimos meses se aproximou da base.

O dirigente afirmou que, ainda que não eleja o número de parlamentares que pretende eleger, o PP pode negociar em uma futura composição governista. "Só não queremos ir para a coligação com o pires na mão. Queremos apresentar nossa força", disse. Atualmente, o partido tem como membros na Assembleia Fernando Hugo, Leonardo Pinheiro, Bruno Pedrosa, Walter Cavalcante e Lucilvio Girão, todos governistas. Na Câmara Federal, são do PP os deputados Adail Carneiro e Macedo.

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