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Políticos admitem estar sofrendo o repúdio do eleitor

Os casos de corrupção, envolvendo lideranças nacionais, refletem, negativamente em todas as candidaturas

Para o deputado José Sarto, a descrença da sociedade nos políticos é um dos mais importantes fatores da campanha eleitoral deste ano ( FOTO: JOSÉ LEOMAR )
01:00 · 17.04.2018

Para parlamentares cearenses, a tentativa de proximidade com o eleitorado será o grande desafio a ser enfrentado por eles na disputa deste ano em razão da indignação da população com os políticos e os partidos, por conta dos diversos casos de corrupção que estão sendo noticiados, envolvendo o alto escalão da política nacional. Todos os políticos passaram a ser alvos de protestos organizados ou não, nos mais diversos ambientes.

Para o petista Elmano de Freitas (PT), o maior desafio daqueles que tentarão reeleição é justamente a descrença da sociedade na política. "A sociedade, em sua ampla maioria, não se reconhece no modelo representativo cheio de distorções que temos no Brasil". O parlamentar, que está em primeiro mandato, tentará reeleição neste ano e já sentiu os efeitos da falta de credibilidade dos políticos.

Líder do Governo na Assembleia Legislativa, o deputado Evandro Leitão (PDT) afirmou que o principal problema é realmente a falta de credibilidade dos políticos. Segundo ele, há uma total descrença no homem público por conta da conjuntura que o País está vivendo, o que também é sentido entre os políticos do Estado. "Onde passamos, percebemos que as pessoas estão céticas com o político e a política em geral".

No entanto, o pedetista ressaltou também que a falta de recursos financeiros atrapalhará aqueles que têm menos condições de enfrentar uma disputa acirrada como a de 2018. "Esses dois fatores serão preponderantes".

Constrangidos

"Nunca na história do Brasil o povo se rebelou tanto contra os maus políticos ou aqueles que se posicionaram contra a vontade popular. A grande dificuldade será esse contato com o eleitor. São raros os políticos que andam no meio do povo sem serem constrangidos por um posicionamento", disse o deputado Capitão Wagner (PROS).

Para o deputado José Sarto (PDT), a exiguidade de tempo para a disputa eleitoral e a descrença da sociedade serão fatores importantes no pleito deste ano. Sérgio Aguiar (PDT) destacou que a falta de credibilidade dos políticos será a maior dificuldade na eleição de outubro.

"A generalização tomou conta do pensamento da sociedade, então cada candidato deverá encontrar alternativas para fazer chegar ao povo a sua mensagem e procurar debater com um maior número de pessoas sobre seu passado, seu presente, e propostas para o futuro".

Na mesma linha do colega, o deputado Julinho (PDT) disse que a questão dos recursos financeiros é sempre difícil, visto que a diferença entre algumas candidaturas é persistente e não há igualdade entre os candidatos. Ele ressaltou ainda que a falta de credibilidade do homem público tem incomodado todos os políticos, visto que o eleitorado não tem feito distinção entre corruptos e aqueles que tem vida pública ilibada.

"Por falta de interesse e de conhecimento, o eleitor acaba achando que todos são iguais. O dever do eleitor, como cidadão, é procurar saber o passado, e depois fazer sua avaliação. Pelo menos escute o que o candidato tem a dizer", apela.

Autofinanciamento

Para Rachel Marques (PT), os desafios para o pleito eleitoral deste ano são complexos, principalmente pela instabilidade democrática vivenciada no País. "Nesse contexto, acreditamos que o grande receio que podemos mensurar é de fato a instabilidade política e democrática e a descrença na política pela qual passa o País".

Ela acredita, porém, que outro desafio que será enfrentado é contra as campanhas milionárias. "O autofinanciamento de campanha privilegia os grandes empresários", cita. A deputada Silvana Oliveira (PR) destaca que não tem sentido resistência por parte de seu eleitorado, constituído em quase sua totalidade por evangélicos.

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