Plataforma colaborativa

Petistas exaltam Lula e pregam novo programa

Em ato na Assembleia, Gleisi Hoffmann disse que Lula será candidato mesmo com eventual condenação judicial

01:00 · 15.11.2017
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Lançamento da plataforma ocorreu um dia após lideranças petistas, inclusive o governador Camilo, participarem de ato da Consulta Popular ( Foto: Thiago Gadelha )

A presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), senadora Gleisi Hoffmann, participou ontem, na Assembleia Legislativa, do lançamento da plataforma digital "Ceará e Brasil que o Povo Quer", parte de um projeto colaborativo cujo objetivo é, segundo o partido, a construção de um novo programa para o País. Em seu discurso, ela afirmou que o ex-presidente Lula será candidato em 2018, independentemente de decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Durante o evento, que ocorreu um dia após lideranças petistas terem participado, também em Fortaleza, da abertura da 5ª Assembleia Nacional da Consulta Popular, membros da sigla se revezaram em críticas ao Governo Federal e apresentaram metas de fortalecimento da esquerda no Brasil.

De acordo com a dirigente, a discussão de um projeto para o Brasil não pode se limitar apenas à política eleitoral, mas abranger debates mais aprofundados de melhoria da qualidade de vida das pessoas. Durante o lançamento da plataforma, lideranças petistas defenderam maior aproximação entre o partido e os movimentos sociais.

Segundo Gleisi, a ideia do partido é fazer uma "grande discussão com a população brasileira", a partir do conhecimento que a legenda adquiriu durante seus anos de Governo. O primeiro tema abordado pela plataforma é o combate à fome, que voltou a crescer no País. Hoffmann frisou que, historicamente, os direitos dos mais pobres foram deixados de lado, e algo só foi feito após as gestões do PT.

Candidatura

Conforme disse, a força do partido foi tamanha nos últimos anos "que foi preciso um golpe para tirar o PT do poder e começaram a desconstrução de tudo o que foi feito até então". A petista, porém, fez espécie de mea culpa, destacando que a sigla não conseguiu enfrentar a questão da concentração de renda no País.

No entanto, ela sustentou que a população, devido ao que vem sendo feito pela gestão de Michel Temer, olha para o PT com esperança. Em seu pronunciamento, Hoffmann afirmou que o ex-presidente Lula será candidato por dois motivos. "Primeiro porque ele é inocente. Segundo, porque judicialmente, mesmo que o TRF condene ele, temos mecanismos judiciais para que ele se candidate", disse.

Na análise da dirigente, não há possibilidade de suspensão da candidatura de Lula. Ela disse ainda que há vários casos de prefeitos e gestores que foram acusados e até condenados e, ainda assim, se candidataram, muitos sendo eleitos. Baseada nisso, a petista acredita que Lula será postulante à vaga em 2018.

Gleisi defendeu ainda que é preciso formar uma frente de resistência de centro-esquerda com PDT, PCdoB, PSB e até com o PSOL, uma vez que, conforme informou, está dialogando com lideranças da sigla socialista.

Aproximação

Ex-prefeita e deputada federal, Luizianne Lins aproveitou o momento para cobrar o pleno funcionamento da Secretaria de Desenvolvimento Econômico na executiva nacional do PT, visto que lidera este setor no partido. Para a petista, a plataforma proposta pela legenda só vai funcionar se seus filiados forem para as ruas com a população.

Luizianne cobrou também que haja uma maior interação entre as alas internas do PT, para evitar dispersão partidária e unir cada vez mais o partido. "Estamos levando pancada desde 2005 com o mensalão e é preciso demonstrar união a partir de agora", afirmou.

Líder do PT na Assembleia, o deputado Manoel Santana pregou que o partido deve se associar a amplos comitês e tomar a frente das lutas sociais no País, principalmente contra as reformas propostas pelo Governo do presidente Michel Temer. "Esse é o caminho da luta que todos devemos seguir", apontou.

A deputada Rachel Marques disse que, além dos "retrocessos" impostos pelo Governo Federal, há um avanço de um pensamento conservador e racista no País, que tem se apresentado em propostas como a "escola se partido" e o que se denominou de "ideologia de gênero".

Representante do governador Camilo Santana no evento, o secretário chefe adjunto do Governo, Fernando Santana, chegou a enaltecer o nome do ex-presidente Lula e foi ovacionado pelos presentes. "Viva o PT! Viva o Lula e estamos juntos!", disse.

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