Pós-julgamento

Partidos a favor de Lula pedem autocrítica do PT

Embora o discurso petista seja de união da esquerda, siglas aliadas dizem que o PT deve reconhecer erros

Membros de siglas de esquerda e centro-esquerda, como PCdoB, PDT, PSOL e PSB, participaram de atos em defesa da candidatura de Lula na quarta ( Foto: José Leomar )
01:00 · 27.01.2018

Diante da condenação em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) nesta semana, ganhou força entre petistas o discurso de unir a esquerda em torno da candidatura do ex-presidente. Embora siglas que orbitam esse campo ideológico, como PCdoB, PDT e PSB, defendam o direito de Lula ser candidato nas eleições de 2018, lideranças de alguns desses partidos no Estado, entrevistadas pelo Diário do Nordeste, fazem ressalvas ao modo como vem sendo construída a unificação pretendida.

Mesmo antes do julgamento do recurso de Lula no caso do tríplex de Guarujá, na última quarta-feira (24), o PT já enfatizava o desejo de unir os demais partidos de esquerda em torno do nome dele na disputa presidencial. Apesar de acharem que o campo da esquerda deve marchar junto nas eleições de outubro, algumas legendas, no entanto, não hesitaram em lançar pré-candidaturas próprias.

> Petistas destacam reflexões internas

O PDT, por exemplo, aposta na candidatura do ex-ministro Ciro Gomes, e não deve abrir mão dela, pelo menos, no primeiro turno, como defende o presidente estadual da legenda, deputado federal André Figueiredo. Para ele, as forças de esquerda devem marchar juntas na eleição, principalmente no caso de eventual segundo turno, seja com candidato petista ou de outra sigla. André reconhece "acertos" dos governos petistas, mas critica o fato de o PT não dar "espaço" para outras legendas encabeçarem esse movimento e lembra que posicionamentos do partido no passado levaram à ruptura com o PDT.

Falta de espaço

"Não vejo, sinceramente, espaço para o PT pregar união das forças de esquerda se está sempre colocando o partido em primeiro lugar e trata seus aliados como partidos subservientes. Esse hegemonismo, infelizmente, é característica que deveria ser objeto de autocrítica por parte do PT", apontou.

O deputado estadual do PSOL, Renato Roseno, questiona o resultado do julgamento de Lula que, segundo ele, demonstrou uma "seletividade secular do nosso sistema de Justiça criminal". Ele cita que outras figuras do mundo político, como o senador Aécio Neves (PSDB) e o presidente Michel Temer (MDB), sobre as quais também recaem suspeitas, seguem sem serem julgadas. O parlamentar, porém, lança críticas à conduta e às alianças dos governos petistas, apesar de considerar que a teia de corrupção entre o poder público e a iniciativa privada não foi uma "invenção" do PT.

"As alianças com setores econômicos dominantes e a flexibilização das condutas foram os grandes erros do PT. Não me parece que os setores do petismo que querem fazer autocrítica consigam fazê-lo. O outro problema foi contar com a condescendência dos setores dominantes. Quando a crise (econômica) estourou em 2008, a arquitetura petista deixou de ser útil".

Presidente do PSB no Ceará, o deputado federal Odorico Monteiro concorda que é preciso construir uma "unidade popular progressista" para as eleições de 2018, mas não aponta "erros" cometidos pelo PT.

Odorico, que foi filiado à sigla petista, atribui às "crises significativas" no País o atual momento vivido por Lula e seu partido, especialmente após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. "A gente vive uma crise constitucional, o País está judicializado, fruto também de um ativismo jurídico singular".

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