Debates no partido

Para dirigente, PT deve abrir mão de vaga no Senado

01:00 · 24.05.2018

O vereador Acrísio Sena (PT), presidente do partido na Capital, defendeu ontem, na Câmara Municipal de Fortaleza, que a sigla petista abra mão da vaga para o Senado na chapa majoritária deste ano. Na avaliação do dirigente, o PT já está bem representado com o governador Camilo Santana, e exigir uma vaga na Câmara Alta daria à legenda uma representação desproporcional. “Estaríamos apenas nós, um único partido, reivindicando 50% da chapa”, disse. 

Atualmente, o PT tem um dos três senadores cearenses, José Pimentel, cujo mandato termina em dezembro deste ano. Acrísio, em entrevista, disse que ainda não há discussão sobre nomes. De acordo com ele, o Diretório Estadual do partido deve se reunir, na sexta (25), para definir o calendário de discussões sobre a tática eleitoral deste ano.

O vereador também declarou que o arco de alianças de mais de 20 siglas construído em torno da reeleição do governador – o que inclui as recentes adesões dos até pouco tempo oposicionistas SD e PSD – inviabiliza um “blocão” das legendas para as disputas proporcionais. Segundo ele, isso criaria dificuldades para as agremiações. “Se você for acomodar 24 partidos, inevitavelmente teremos que fazer pressões para evitar que alguns colegas seja candidatos”. 

De acordo com a legislação eleitoral, a quantidade de candidatos que um partido não coligado pode lançar é de 1,5 vezes a quantidade de vagas para o cargo. No caso de coligação, sobe para duas vezes. Para Acrísio, devem surgir vários blocos de partidos governistas para o Legislativo, o que abre a possibilidade de o PT não formar coligação.

A fala foi feita um dia após o colega de bancada de Sena na Câmara, Guilherme Sampaio, ir à tribuna da Casa defender a reeleição de Pimentel. De acordo com o parlamentar, é inaceitável que o partido divida palanque com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB) – que tem se aproximado do governador nos últimos meses –, por este ter apoiado o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) – que ele chama de “golpe” – e medidas implementadas pelo presidente Michel Temer (MDB), como a reforma trabalhista e a criação de um teto de gastos federais. 

“Nossa tarefa prioritária neste momento é denunciar mais esse golpe. É não apoiando quem ajudou a articulá-lo que nós vamos conseguir comunicar isso claramente à sociedade brasileira”, declarou. Ele afirmou que um grupo de correntes do PT prepara o lançamento de pré-campanha pela manutenção de Pimentel no Senado.

Lula

Na reunião do Diretório, Acrísio Sena também espera que seja ratificado o apoio ao nome do ex-presidente Lula da Silva (PT) como pré-candidato à Presidência da República. Ele cumpre mais de 12 anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. 

“Nessa conjuntura, não temos como abrir mão do capital político do ex-presidente”, afirmou. Na última semana, o governador defendeu que o partido passe a apoiar o nome do ex-governador Ciro Gomes (PDT) ao Palácio do Planalto.

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