no Ceará

Oposição: falta de unidade tem reflexo em perdas no grupo

Toda a bancada do MDB na Assembleia se aproximou do Governo do Estado. O PSD também deve perder três de seus quatro deputados ( Foto: José Leomar )
01:00 · 27.01.2018

Apesar de estar em busca de unidade, a oposição no Ceará há algum tempo vem tendo dificuldades para encontrar um discurso coeso. Depois que o senador Tasso Jereissati (PSDB) afirmou que não queria ser o candidato da bancada ao Governo do Estado, foi a vez de Capitão Wagner (ainda no PR) também declinar da indicação.

Além disso, opositores estão perdendo quadros que outrora faziam coro ao debate crítico contra o Governo de Camilo Santana (PT). O ex-governador Lúcio Alcântara, que controlou o Partido da República (PR) por duas décadas, está deixando a liderança da legenda, que corre o risco de ir parar em mãos de governistas.

> Opositores já admitem definição de última hora

Isso porque a vice-presidente do partido, deputada federal Gorete Pereira (PR), aliada do governador Camilo Santana, não quer declinar da sua posição no pleito deste ano. Ao Diário do Nordeste, a republicana afirmou que apoiará o governador nas eleições de outubro. Já Roberto Pessoa destacou que, como vai tentar reeleição, a parlamentar terá que fazê-lo em uma chapa de oposição ao petista.

O impasse na sigla republicana pode alterar os rumos do partido no Ceará. Outro membro do partido, o deputado federal Cabo Sabino, já está garantido na presidência do PHS. No entanto, ele defende palanque para o presidenciável Jair Bolsonaro (PSC-RJ), o que pode inviabilizar sua aproximação com o Governo.

Aliás, foi justamente o apoio a Bolsonaro o estopim para que Capitão Wagner declinasse do convite para ser o candidato da oposição ao Governo. Ele, que comandará o PROS a partir de abril, tentará uma das 22 vagas de deputado federal. No anúncio de sua migração do PR para o PROS, na última quinta-feira (25), Wagner disse algumas vezes que é a verdadeira oposição no Ceará, em uma alusão ao modo de trabalho da bancada oposicionista no Estado. O PSDB, apesar de ser oposição, tem um membro em uma das principais secretarias da gestão Camilo Santana: Maia Júnior, secretário de Planejamento e Gestão.

Quando de sua candidatura a prefeito de Fortaleza, em 2016, além do PR, o parlamentar contou com o apoio do PSDB e do MDB, do senador Eunício Oliveira. O emedebista era tido como o principal representante da oposição no Ceará, até o início do ano passado. No entanto, começou a se aproximar de Camilo Santana, o que pode resultar em uma aliança eleitoral neste ano.

Por conta disso, Eunício tem sido deixado de lado pela oposição, e sequer é mencionado pelos opositores em suas reuniões. Toda a bancada emedebista na Assembleia Legislativa também se aproximou do Governo do Estado, e as críticas, que até meados de 2017 eram constantes, cessaram durante os pronunciamentos da bancada.

Assembleia

Outro que era cortejado pelo grupo é o deputado estadual Heitor Férrer (PSB), que atua como oposição na Assembleia Legislativa. Assim como outros membros da bancada de oposição no Legislativo, ele tem reclamado da falta de apoio e de unidade na bancada. Opositores também criticam a ausência de uma liderança no grupo que os ajude nas pautas diárias que levam para a tribuna do Plenário 13 de Maio. Além de Heitor, reclamações já foram feitas por Ely Aguiar (PSDC), Roberto Mesquita (PSD) e outros.

Em um cenário de incertezas e de perdas de quadros, a oposição vai vendo ser reduzido seu espaço de atuação. Além disso, a demora para apresentar um nome de peso para a disputa eleitoral também é vista como uma fragilidade do grupo. Para os oposicionistas, porém, trata-se de uma estratégia política.

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