Críticas ao governo

Oposição domina discursos na Assembleia

Na sexta, os deputados da base que estavam inscritos para fazer pronunciamentos não foram à sessão da Casa

01:00 · 21.04.2018
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Em pronunciamento, deputado Roberto Mesquita (PROS) pediu que o governador Camilo Santana (PT) faça uma visita ao HGF sem hora marcada ( Foto: Helene Santos )

Após o governador Camilo Santana (PT) tentar, junto a outros governadores do País, visitar o ex-presidente Lula (PT), em Curitiba, na semana passada, o deputado Roberto Mesquita (PROS) foi à tribuna da Assembleia Legislativa, ontem, sugerir que o chefe do Executivo Estadual visite hospitais públicos no Ceará. O parlamentar cobrou a redução da fila de cirurgias eletivas, já que projeto de lei com esta finalidade foi aprovado pela Casa no fim do ano passado. Os discursos na tribuna da Assembleia, ontem, foram dominados por deputados da oposição.

Roberto Mesquita afirmou que, no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), há uma "fila de cearenses amontoada", e pediu que Camilo visite a unidade, sem hora marcada, para constatar a realidade do hospital. "O senhor vai encontrar 120 cearenses nos corredores, vai encontrar lá um técnico de enfermagem para atender 15 pacientes, dois médicos para atender emergência".

Ele pediu que o governador visite também a Santa Casa de Misericórdia, para ver o "vazio que existe lá por conta do fechamento da emergência". "Ele sabe juntar um grupo de governadores para ir fazer política, para ir visitar, em horário inapropriado, o ex-presidente que está preso, mas não sabe visitar os cearenses que estão com as mãos estendidas, pedindo a quem quer que seja uma ajuda para ter a possibilidade de voltar para casa. Eu duvido que ele vá no Hospital Geral, e olha que é mais perto do que Curitiba".

Para o deputado, existe uma "política de prioridade daquilo que dá notícia boa" no Estado. Ele criticou gastos feitos em governos anteriores e na atual gestão com projetos que não saíram do papel. "Em relação à Saúde, qual a prioridade: gastar R$ 150 milhões no Acquário ou gastar R$ 80 milhões para acabar com a fila de cirurgia?", questionou.

Roberto Mesquita ainda criticou a Assembleia por, segundo ele, não estar sendo uma "caixa de ressonância" da sociedade, diante da "cooptação" de ex-oposicionistas pelo governo. "Ela (Assembleia) só funciona se for livre, se cada um lembrar do segmento que representa e trouxer os seus problemas. Os acertos nós coroamos aqui com palmas, mas o que precisamos corrigir são os defeitos, porque atentam contra a liberdade e a vida".

Ausência da base

Ontem, governistas inscritos no Primeiro Expediente da sessão - tempo dedicado a pronunciamentos de 15 minutos sobre quaisquer assuntos - não apareceram no Plenário e mesmo aqueles que estavam presentes à sessão não usufruíram dos espaços dos colegas para defender as ações do Governo do Estado. Outros opositores, então, aproveitaram a tribuna para intensificar as críticas à gestão estadual e o "silêncio" de aliados, diante de críticas, principalmente, na área da Segurança Pública.

Ely Aguiar (PSDC), embora pregue postura de independência na Casa, era um dos seis oradores inscritos. Ele foi à tribuna, mais uma vez, reclamar do "caos" que o Ceará atingiu com o alto número de homicídios no Estado. Segundo o parlamentar, neste ano, já foram registradas 1.600 mortes. "Nas últimas 24 horas, tivemos 15 homicídios, temos já 160 mulheres assassinadas. E não vejo parlamentares de outrora, que ocupavam a tribuna, chorando porque uma mulher foi assassinada no Ceará, não vi a base governista fazendo um protesto pelas 160 mulheres assassinadas", cobrou.

Durante o discurso, os deputados da situação não manifestaram posicionamento quanto à provocação feita por Ely Aguiar. "Vou chamar o Governo de nazareno e a Assembleia, quando quer falar, fica calada. E nós temos inúmeros assuntos a serem debatidos e sabemos que a Casa Legislativa é responsável pela elaboração das leis. O Governo diz: 'estou investindo', então é um investimento que não tem efeito. Quando o time de futebol entra em campo e não tem adversário, é isso que o Governo do Estado faz, trata com desdém esse Parlamento. A Casa está completamente vazia".

Capitão Wagner (PROS) discursou em seguida e chamou a atenção para o efetivo de 130 policiais militares que deverão fazer a segurança de um evento musical, neste sábado (21), na Arena Castelão, em Fortaleza. "Policiais que estariam nas ruas para fazer a segurança lá na comunidade da Babilônia, na Barra do Ceará, lá na Bela Vista, não estarão, porque o Governo os escalou para um evento privado, onde o organizador arrecadará milhões de reais e o povo ficará sem policiamento".

Ele criticou, ainda, a ausência dos deputados da base inscritos no Primeiro Expediente, situação que se repetiu ao longo da semana. "Isso é uma desmoralização, é querer tolher o outro parlamentar que quer subir à tribuna para fazer o debate", afirmou. Estavam inscritos Lucílvio Girão (PDT) e David Durand (PRB), que não apareceram em Plenário, e os demais eram parlamentares da oposição. Além de Wagner, Ely Aguiar e Roberto Mesquita, Heitor Férrer (SD) também se inscreveu, mas não foi à sessão de sexta-feira.

Defesa

Da base governista, estavam presentes os deputados Dedé Teixeira (PT), Julinho (PPS) e Silvana Oliveira (PR). Estes, porém, não usaram o tempo deixado pelos aliados no Primeiro Expediente. Já no final da sessão, o deputado Bruno Pedrosa (PP) apareceu e Tin Gomes (PDT) foi ao Plenário só para marcar presença.

Ao contrapor a fala de Wagner, o deputado Julinho defendeu que é obrigação do Estado garantir a segurança da população em eventos de grande porte. "Se vamos ter grande aglomeração de pessoas temos que designar policiais, para garantir a segurança na chegada e na saída. Quando temos jogo de futebol, temos grande parte do Batalhão de Eventos direcionado para os estádios", ponderou.

Para o deputado Dedé Teixeira (PT), a oposição está fazendo um "apocalipse now". "Não se tira (efetivo policial) de comunidade nenhuma, existe um batalhão de eventos. Não podemos aceitar esse tipo de colocação da oposição", reagiu.

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