No Ceará

Oposição busca definição após julgamento de Lula

Para alguns, a adesão de oposicionistas a outras siglas não fortalece o bloco. Líderes terão reunião nesta sexta (26)

Com as mudanças de partidos que devem ser oficializadas na janela partidária, siglas como o PSD perderão deputados na Assembleia Legislativa ( Foto: José Leomar )
01:00 · 24.01.2018 / atualizado às 10:31

Além de perder cada vez mais espaço na disputa política no Ceará, a oposição não tem renovado suas lideranças, o que a impossibilita de atrair novos adeptos com vistas a atender as demandas do grupo. Apesar de constantes derrotas, contudo, oposicionistas estão se movimentando em busca de sobrevivência. Para isso, organizam uma reunião ainda nesta semana para definir os rumos que devem tomar daqui para a frente.

O deputado estadual Capitão Wagner, ainda no PR, oficializa, amanhã, a ida para o PROS, na tentativa de encontrar oxigenação para a bancada. A partir de março, ele atuará na presidência da direção estadual da legenda. Além de atrair para o partido alguns vereadores, o deputado estadual Roberto Mesquita, membro do PSD, também deve se aliar a Wagner.

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Com isso, o PSD, atualmente com três nomes na Assembleia Legislativa, terá apenas um representante na Casa. Isso porque Gony Arruda e Osmar Baquit, como o Diário do Nordeste já adiantou, devem se filiar ao PP e ao PDT, respectivamente. Já Odilon Aguiar, ainda no PMB, deve ser o único representante do PSD no Legislativo.

Candidatura

Presidente do PSD no Ceará, o deputado federal Domingos Neto afirmou que a saída de Capitão Wagner do PR não diminui a oposição. Segundo ele, a adesão de mais um partido à bancada pode consolidar o trabalho dos oposicionistas com vistas à eleição. "Temos tempo suficiente para trabalhar um nome. Nosso candidato deve nascer naturalmente durante esse processo", defendeu o dirigente.

Segundo ele, o processo de mudanças partidárias tem ganhado força no Ceará e em todo o Brasil, e não é um fenômeno que ocorre apenas entre opositores. Questionado sobre a saída de Roberto Mesquita, Osmar Baquit e Gony Arruda do PSD, Domingos Neto afirmou que é preciso aguardar as movimentações que vão acontecer, uma vez que a formação de chapas, segundo ele, interessa aos deputados.

Wagner tomou atitude arriscada, pois, ao ingressar no PROS, o bloco corre o risco de perder o PR, inclusive porque o partido tem membros que se aproximaram do governador Camilo Santana, caso da vice-presidente da legenda, a deputada federal Gorete Pereira. Apesar de ter concordado com o nome de Roberto Pessoa para a presidência do partido, a parlamentar quer liberdade para poder apoiar e votar no governador.

"Não sou incoerente e jamais iria me aproximar do Camilo ou de qualquer pessoa do Governo. Tomei uma atitude arriscada, mas, como ninguém teve coragem, resolvi adotar isso para movimentar a oposição", disse, por sua vez, Capitão Wagner.

A oposição prepara, ainda para esta semana, reunião para tratar dos próximos passos a serem dados. Segundo Domingos Filho, ex-presidente do extinto Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), a reunião acontecerá na próxima sexta-feira (26). Representantes de PSDB, PSD, PR, SD e PROS foram convidados. "Será uma retomada de conversa para encaminhar definições. A decisão do julgamento do Lula amanhã (hoje) pode empurrar um pouco a escolha do candidato a governador, haja vista que pode mudar todo o cenário nacional e estadual", admitiu.

Independentes

Os deputados Heitor Férrer (PSB) e Ely Aguiar (PSDC), apesar de fazerem parte da oposição, não foram citados como participantes do encontro. Outro que faz oposição ao Governo Camilo Santana é Renato Roseno (PSOL), mas este trabalha de forma mais isolada, uma vez que diverge de muitos pontos da atual oposição. Cabo Sabino (no PR, rumo ao PHS) também não foi convidado para o evento.

Para Heitor Férrer, o fato de Cabo Sabino e Capitão Wagner terem ido presidir outras legendas não significa, necessariamente, um fortalecimento da oposição. Ele acredita que isso fará com que esses partidos sejam "blindados" para não serem cooptados pelo Governo.

"Se não encontrar nome para o Governo e Senado, a oposição, já enfraquecida, se enfraquecerá mais ainda. Ela se torna mais forte e incomoda a situação e o Governo quando se movimenta, tem ações", opinou.

Ely Aguiar (PSDC), por sua vez, disse que "todos estão querendo apenas salvar o mandato, nem que para isso vendam a alma e a dignidade para o diabo". Ele se referiu àqueles que outrora estavam na oposição e agora fazem parte da base governista. "Mudar de atitude na hora em que o Governo abre o 'guarda-chuva' é, no mínimo, estranho".

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