Eleições 2018

"Nordeste não é cesto de votos", afirma Marina Silva em visita ao Ceará

Candidata à Presidência criticou o "Centrão" e falou sobre a pesquisa Ibope no Estado

Marina Silva falou sobre algumas propostas para a região Nordeste. ( Foto: Thiago Gadelha )
19:50 · 20.08.2018 / atualizado às 21:07
A candidata visitou o Instituto Maria da Penha, em Fortaleza. ( Foto: Thiago Gadelha )
Em visita ao Ceará nesta segunda-feira (20), a candidata à Presidência da República pela Rede, Marina Silva, criticou a política que vem sendo realizada pelas últimas gestões do Governo Federal no Nordeste e Norte do País. 
 
"O Nordeste e o Norte não são problemas, são soluções. A maioria dos governos, às vezes, vê o Nordeste e o Norte apenas como uma cesta de votos. Nós temos que acabar com isso, para que estas regiões tenham sua própria autonomia política, econômica e social, porque condições objetivas para isso já se tem", afirmou a candidata. 
 
Marina destacou algumas propostas para a região nordestina. "Nós vamos investir no projeto de desenvolvimento regional, que valorize as potencialidades do nordeste brasileiro, transformando as vantagens comparativas que temos de muito solo, muito vento, e de muita criatividade. Aqui há espaço para agricultura, para o turismo, para geração de energia eólica e solar, para que a gente possa gerar emprego e riqueza para a população brasileira", pontuou. 
 
No Ceará, Marina tem como um dos principais desafios contornar o palanque quase inexistente no Estado, apenas com um candidato ao Senado, João Saraiva, 6 candidatos a deputado estadual e 15 a federal, todos aguardando julgamento do registro de candidatura pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 
 
A pesquisa Ibope, encomendada pelo Sistema Verdes Mares e divulgada na última sexta-feira (17), revelou que Marina tem 5% (em cenário com a presença de Lula como candidato do PT) e 11% das intenções de votos dos cearenses (cenário com Haddad como candidato do PT). 
 
Quando questionada sobre como fará para alavancar a própria campanha no Ceará, tendo em vista os obstáculos acima apresentados, Marina ressalta que ainda é muito cedo, mas que vai continuar trabalhando o diálogo. "Nossa campanha não vai ser a campanha do embate. Não vale tudo para ganhar uma eleição", afirmou.
 
Ela ainda criticou o "Centrão", que atualmente apoia o Alckmin nestas eleições. "O mesmo condomínio que estava na chapa Dilma-Temer já está com o candidato do PSDB. Eles só vão mudando de endereço, porque aonde tem mínima possibilidade de eles continuarem fazendo as mesmas coisas que levaram o Brasil para o fundo do poço é ali que eles estarão. Se permanecer assim, o Brasil vai para um posto sem fundo, mas eu sinto que a sociedade brasileira quer dar um basta". 
 
Feminicídio
 
Acompanhada por diversos correligionários e apoiadores da candidatura no Ceará, a presidenciável cumpriu agenda no Instituto Maria da Penha, no bairro Edson Queiroz, onde recebeu da cearense Maria da Penha uma carta com diretrizes sobre o enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. "Estamos vivendo um momento difícil no país. Por isso, fiz questão de vir aqui para assumir um compromisso de combate em relação à violência contra as mulheres", disse. 
 
Marina citou algumas propostas para combater o feminicídio, como a criação de uma rede integrada com "união, estados e municípios", com ampliação da rede de proteção. Além disso, ela citou o provimento de créditos para as mulheres abrirem negócios e se inserirem no mercado de trabalho. 
 
"Compromisso de combater à violência em todos os níveis, inclusive a violência econômica que exclui as mulheres de se integrarem ao processo produtivo, mesmo quando elas hoje são a maior parte líderes de seus lares", afirmou a presidenciável.

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