Em entrevista

Ciro Gomes sobe o tom contra facções criminosas: 'estão usando os abestados daqui'

O presidenciável disse ainda que a insegurança no Ceará e no Brasil tem feito surgir aproveitadores na política, e citou como exemplo o também pré-candidato Jair Bolsonaro

10:01 · 13.04.2018 / atualizado às 10:33
Ciro
Para Ciro, a intervenção federal, com a participação do Exército nas ruas, é um 'erro grave' ( Foto: José Leomar )

O pré-candidato à Presidência, Ciro Gomes (PDT) disse que está preocupado com o problema da violência no Estado, visto a comoção causada junto à população. Segundo ele, “a política tem que ir para cima” das facções criminosas, “tornando o Ceará um território inconveniente para eles, fazendo o que tiver que ser feito”. A declaração foi feita em entrevista na manhã desta sexta-feira (13) ao programa Paulo Oliveira, na Rádio Verdes Mares.

O presidenciável reclamou  ainda que essa situação de insegurança no Ceará e no Brasil tem feito surgir aproveitadores na política, e citou como exemplo o desempenho do pré-candidato pelo PSL à Presidência da República, o deputado federal Jair Bolsonaro. 

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'Risco político'

Quando se tem a carniça, o urubu aparece, e esse é o risco para o Ceará. No Brasil tem o Bolsonaro, deputado há 25 anos, que nunca deu um dia de serviço ao Rio de Janeiro. Nunca enfrentou milícias e aparece com frases feitas, de bandido bom é bandido morto. E as pessoas ficam vulneráveis”, apontou.

Com relação à situação da Segurança Pública no Ceará, Ciro Gomes destacou que o número de policiais dobrou e o salário foi triplicado, além de renovação no sistema prisional como um todo. “A Política do Ceará tem resolvido esses casos em, praticamente, 48 horas. Tem 54 policiais da chacina de Cajazeiras presos. Na chacina da Cajazeiras todos foram identificados e presos. A chacina da Gentilândida, todos foram presos em 48 horas”.

Segundo explicou, alguns dos envolvidos nos crimes já tinham sido presos e estavam em liberdade provisória, visto que as leis brasileiras os beneficiaram. Ciro Gomes lembrou ainda que a população carcerária, hoje, no Brasil é da ordem de mais de 700 mil pessoas, sendo que ao menos 270 mil, conforme afirmou, é formada por  jovens, pobres e negros da periferias que são apreendidos com quantidades de drogas.

“Ele é o 'avião' que o narcotráfico contrata por R$ 100 a diária. Eles dão isso para bucha de canhão, para morrer mesmo. O garoto quando passa o portal da cadeia ou se filia ao tráfico ou vai ser estuprado ou morto. O menininho vira soldado de facção e tem que obedecer a ordem”, lamentou. De acordo com ele, o traficante, por outro lado, não está na favela, mas em condomínios de luxo. 

Falta de empenho

O presidenciável também reclamou da falta de empenho das autoridades públicas para combater o surgimento e crescimento das chamadas facções criminosas. “Há 15 anos que um comando desse surgiu em São Paulo e o Governo de lá fez acordo com eles. Todos estão aqui, e um magote de abestado aqui vai e cria outro comando. Essas facções estão usando os abestados daqui”, disparou.

Ele também criticou decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que revogou Lei aprovada no Ceará para evitar sinais de celular em presídios do Estado. Para o pré-candidato, é preciso “devolver o terror para cima deles”. “Eu não queria ser governador para não estar todos os dias atrás de confusão eu mesmo. Ainda bem que não toco mais essa tarefa. A política tem que ir para cima deles, tornando o território do Ceará  inconveniente para eles, fazendo o que tiver que fazer”. 

Ciro Gomes lembrou ainda uma tentativa de ataque impetrado por criminosos contra a Secretaria de Justiça do Ceará (Sejus), que foi descoberta pela Polícia. “Eles (policiais) deixaram os três ali mesmo, no chão. Vai fazer terrorismo contra a sociedade, fica ali mesmo”. 

Para Ciro, exército nas ruas é um "erro grave"

Para ele, porém, a intervenção federal, com a participação do Exército nas ruas, é um “erro grave”, visto que o soldado é treinado para matar o inimigo, e no caso do tráfico de drogas é preciso inteligência e tecnologia. “O Exército está apontando fuzil para inocentes. Daqui  a pouco, morre um soldado ou um cidadão. Aqui no Ceará, o grande problema que tem é o homicídio de pobres e o roubo.

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