Cid Gomes chama Temer de 'chefão do estilo achacador' e Cunha de 'morto-vivo' - Política - Diário do Nordeste

Análise

Cid Gomes chama Temer de 'chefão do estilo achacador' e Cunha de 'morto-vivo'

O ex-governador do Ceará acredita que 2016 será um ano melhor para o País, mas se preocupa coma seca no Estado

12:27 · 31.12.2015 / atualizado às 14:07
Cid diz não acreditar que a saída de Cunha do comando do parlamento se dará por seus pares, mas pela justiça ( Foto: Reprodução TV DN )

O ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará Cid Gomes fez um balanço nesta quinta-feira (31) sobre a política e a economia em 2015. Para ele, o País deve começar a se recuperar no próximo ano e não poupou críticas ao vice-presidente Michel Temer, a quem chamou de “chefão” do estilo achacador, e ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que seria um “morto-vivo”' e “motivo de chacota”. As declarações foram feitas em entrevista ao Diário do Nordeste.

Segundo Cid, a crise política é resultado de “uma relação promíscua, podre, baseada no fisiologismo e na chantagem, no achaque” entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo. O ex-governador ressaltou que a presidente Dilma Rousseff teve que se render a esse sistema, mas não é a primeira. “Dilma teve que se render a isso. Ela até tentou resistir no começo. O Lula fez, o Fernando Henrique (Cardoso) fez”, disse. 

Sobre o impeachment, Cid acredita que o movimento perdeu força quando a população se deu conta de quem assumiria no caso de afastamento da presidente. Ele entende que os brasileiros não estão satisfeitos com a Dilma, que ela “enganou”. Contudo, para o ex-ministro, o povo “já está vendo que pior que a Dilma é entregar para o vice dela, esse Michel Temer, que é o chefão desse estilo de política”, disse. 

 
E insistiu: “(Temer) é o presidente do PMDB. Então, é o chefe do estilo achacador que o PMDB é e serviu de inspiração para muitos outros partidos. Esse PR é a mesma coisa, só que menorzinho, mas é também um partido de achacadores”, acrescentou.

Sobre Eduardo Cunha, desafeto antigo dos Ferreira Gomes, Cid diz que ele não tem condições de ocupar a presidência da Câmara. “Para mim ele é um morto-vivo, é um zumbi que está ali. Ninguém acredita mais. Está servindo de chacota. Tudo o que ele fala é motivo de chacota”, reforçou. 

Para o ex-governador, a maior parte dos deputados está nas mãos de Cunha por três razões diferentes. “A maioria do nosso parlamento, infelizmente, é uma banda igual a ele. Tem o mesmo estilo desonesto, que se apropria, faz chantagem para pegar dinheiro, pegar propina”, afirmou. A acrescentou: “Outra banda recebeu dele dinheiro. Ele financiou muitos deputados nas eleições passadas”, acusou. Há ainda segundo ele, a oposição que, para dar seguimento ao processo de impeachment, o apoia. “Dentro dessa ideia, eles enxergam em Eduardo Cunha um aliado, dando para ele uma maioria na Câmara”, analisou.

Cid diz não acreditar que a saída de Cunha do comando do parlamento se dará por seus pares, mas pela justiça, de onde “deverá sair uma ação para afastá-los da presidência da Câmara, onde está notoriamente impedindo as investigações”, ressaltou. 

Ciro está trabalhando candidatura à presidência em 2018

Sobre a candidatura de seu irmão, o também ex-governador Ciro Gomes, à presidência da República, Cid destacou que já há um movimento neste sentido, mas ainda é cedo para definições. “Ele (Ciro) está andando, trabalhando, mas a decisão de candidatura só acontecerá em 2017, 2018”, disse. 

Cid também ressalta que o irmão tem as qualidades para ocupar a presidência. “Uma candidatura não se faz por uma vontade pessoal. É claro que tem que ter essa disposição. A pessoa tem que estar preparada, ter sido lapidada, forjada ao longo do tempo, conhecer os problemas do Brasil, conhecer o Brasil, e todos esse pré-requisitos o Ciro tem”, destaca.

Entretanto, a oficialização “vai depender do momento, vai depender do partido, de um ato de alianças”, afirma. Porque também acho que o Ciro não está mais na idade ir para uma anticandidatura como ele já foi no passado, só para marcar posição e denunciar os problemas”, completou. Antes disso, entretanto, o foco agora deve estar nas eleições municipais de 2016.

Quanto a uma possível disputa eleitoral envolvendo o próprio Cid, o ex-governador ressalta que “no horizonte de médio prazo, dois três anos, não está nos meus planos nenhuma candidatura”. Atualmente ele está atuando numa sociedade particular como empresários chineses na área de energia solar para a fabricação de painéis solares. “Será a primeira do Brasil e acho que a primeira da América Latina”, comemora. E ressalta: “É uma coisa que não tem nada a ver com o governo”. 

Ceará tem situação acima da média do País, mas seca preocupando

Apesar das dificuldades que o País vem enfrentando, Cid é otimista quanto ao Ceará. Segundo ele, “o Estado do Ceará tem conseguido manter um nível de investimento diferente da média do Brasil. Para ser objetivo, é o que tem proporcionalmente o maior investimento do Brasil”, disse. E acrescentou: “absolutamente, o Ceará, este ano, vai passar Minas Gerais. Ou seja, só investiram mais do que o Ceará neste ano de 2015 São Paulo e Rio de Janeiro, os dois maiores estados do Brasil”, ressalta. 

A ação do governo e a iniciativa privada deverão, para Cid, “assegurar que o Estado tenha um desempenho econômico melhor que a média do Brasil. Esse ano o país deve cair 3% do PIB. Eu estimo que o Ceará talvez empate ou vai ter uma queda menor”, defende. “No ano que vem eu creio que a gente possa retomar uma trajetória de crescimento do PIB, sempre acima da média nacional”, destacou. 

O problema para o Estado, entretanto, é a possibilidade de continuidade da seca. “A perspectiva de um baixo índice pluviométrico para 2016 é, de fato, um grande problema”, admitiu. Cid destacou, entretanto, a transferência das águas do rio São Francisco, que devem amenizar o problema para “talvez metade da população do Estado”, disse. Mas, para o terço da população que vive no oeste do Ceará, que atinge municípios do Cariri até Sobral, a situação é preocupante. “Se não tiver chuva, pelo menos intensa em alguns momentos para ter recarga de açude, nós vamos ter problemas graves”, finalizou.