Câmara do Crato instala CPI para apurar compra de votos

00:00 · 29.10.2013

Após a denúncia de suposta compra de votos de vereadores, a Câmara Municipal do Crato aprovou, nesta terça-feira (29), a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para a investigação do caso.

Segundo o ex-prefeito do município, Samuel Araripe, autor da denúncia, as contas da sua gestão no ano de 2009, aprovadas pelo Tribunal de Contas do Município (TCM), foram desaprovadas na Câmara Municipal, com 14 dos 19 votos pela desaprovação, após vereadores receberem R$ 50 mil do atual prefeito da cidade,  Ronaldo Gomes de Matos. O ex-gestor declarou ainda existir uma gravação de uma conversa entre ele e o vereador Dárcio Luiz onde o parlamentar denuncia o prefeito.

O presidente da Câmara, Luis Carlos Duarte, disse que até a próxima segunda-feira a comissão será formada para, posteriormente, dar início a investigação. "Precisamos apurar isso o mais rápido possível. Escutei a gravação e o vereador Dárcio Luiz terá que se explicar", ressaltou. 

De acordo com o parlamentar, um segunda CPI também deverá ser criada para analisar as contas da própria casa, no período de 2005 a 2012.

Gravação será entregue ao MP

Conforme o Samuel Araripe, o prefeito convocou uma reunião no dia 8 de outubro com 15 vereadores para manipular a votação. "Na ocasião, 9 deles receberam R$ 50 mil para votar contra. O restante [6 vereadores] foi pressionado com o argumento de que iriam perder cargos de familiares e amigos na prefeitura", conta.

O ex-gestor do município do Crato contou ainda que a gravação divulgada é apenas uma parte. "A gravação era muito longa. Vamos enviar ela na íntegra apenas para os órgãos competentes", declarou.

O ex-prefeito afirmou que já foi encaminhado um ofício ao Ministério Público do Estado do Ceará (MP) para que haja a puração do caso. 'O deputado Fernando Hugo enviou a gravação com um ofício ao procurador geral pedindo empenho na apuração de todos os fatos". 

Prefeito nega acusações

Depois das acusações, o prefeito Ronaldo Gomes de Matos, negou, através de comunicado, as acusações de suposta compra de votos de vereadores da Câmara Municipal do município. O gestor afirmou ter sido envolvido em uma "rede de intrigas" e que em "nenhum momento" participou de qualquer articulação.

Conforme Gomes de Matos, "as contas de um gestor municipal são analisadas e aprovadas ou não, pela Câmara Municipal, não cabendo ao Poder Executivo interferir nesse debate".

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