Retorno dos trabalhos

Na Câmara Municipal, oposição reclama mais diálogo com a gestão

Vice-líder do prefeito, Michel Lins diz que a oposição tem diálogo aberto com a gestão ( Foto: Kleber A. Gonçalves )
01:00 · 31.01.2018

A Câmara Municipal de Fortaleza retoma suas sessões plenárias amanhã (1º). Com a composição da Casa majoritariamente governista - a base do prefeito Roberto Cláudio (PDT) representa mais de 70% dos 43 integrantes -, membros da oposição apontam que estabelecer canais de diálogo com esses vereadores foi o principal desafio da bancada no ano passado, enquanto governistas criticam parlamentares que fariam "oposição por oposição". Na avaliação de vereadores entrevistados pelo Diário do Nordeste, a Segurança Pública deve dominar as discussões na Casa no retorno do recesso.

Segundo o vice-líder do PR na Casa, vereador Márcio Martins, há colegas que não entenderiam que compor a base do prefeito não os eximiria da necessidade de fazer críticas, quando necessárias. "Acho que a dificuldade de qualquer bloco de oposição tem em qualquer Parlamento é a falta de compreensão de alguns vereadores de que ser aliado não é subserviência", declara, reconhecendo que há casos de parlamentares governistas que têm independência. "Precisamos de mais deles", frisa Martins.

Segundo ele, há pautas que poderia avançar com o apoio dos adversários. Essa tese também é defendida por seu correligionário, Julierme Sena. Para o republicano, a grande dificuldade da oposição em 2017 foi a falta de canais entre Prefeitura e opositores. "Sofremos em razão dessa falta de diálogo", reclama.

O vice-líder do prefeito na Casa, Michel Lins (PPS), discorda. "É oposição por oposição", declara. Segundo ele, os canais de diálogo com os adversários do prefeito na Câmara são os mesmos oferecidos a todos os outros parlamentares. "Eu sou um dos que dialogam com a oposição, eles são recebidos pelos secretários", diz. Ele também nega uma suposta submissão dos apoiadores. "A base não é subserviente. Eles estão com o prefeito porque acreditam com a proposta do prefeito", declara.

O argumento não convence o líder da bancada do PT, Guilherme Sampaio. Entretanto, para ele, neste cenário, a atuação da oposição é mais importante.

Pautas

Para opositores, dois temas devem ter destaque neste começo de semestre. Um deles é a questão da segurança pública, motivada pelas recentes chacinas ocorridas no Estado. Márcio Martins reconhece que a maior parcela da atuação na área cabe não ao prefeito, mas ao governador. Entretanto, ele declara que o crescimento das facções criminosas impõe ações da gestão municipal, em conjunto com o Estado e a União.

Para Julierme Sena, a própria decisão da Prefeitura da Capital de criar torres de vigilância nas áreas com índices mais elevados de criminalidade mostra que o Município também pode agir nessa seara.

Guilherme Sampaio concorda que o tema deverá ser abordado na tribuna. Ele, porém, aponta que sua prioridade será tratar da prevenção de crimes, e não da repressão. Por isso, diz que a Câmara deve cobrar a execução do plano Cada Vida Importa, previsto tanto no Plano Plurianual quanto no Orçamento e voltado para a prevenção de homicídios.

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