janela partidária

Mudanças não afetam bancadas no Legislativo

No fundo, as novas filiações estão apenas acomodando os deputados na base aliada e na oposição

Embora a janela partidária não esteja promovendo alterações expressivas nas bancadas na Assembleia, alguns partidos, como PR, PMB e PSB, com a saída de seus representantes, podem ficar sem parlamentares no Legislativo ( Foto: José Leomar )
01:00 · 29.03.2018

A uma semana de encerrar o prazo - 7 de abril - para os políticos com mandato trocarem de legenda, sem o risco de sofrer punições, no período conhecido por "janela partidária", novas filiações consolidadas até o momento e outras que estão em negociação confirmam a permanência da mesma estrutura de governistas e oposicionistas. Estão mudando de partido nove deputados estaduais, sendo cinco da oposição e quatro da situação. Uns dois ou três outros, que ainda podem mudar de ideia, ficarão onde estão atualmente.

Desde que o troca-troca partidário começou, oficialmente, no início de março, o PDT, partido liderado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes no Estado, hoje com 13 deputados estaduais, poderá crescer mais e ficar com uma bancada de até 15 parlamentares. Em seguida, vem o PP, que apesar do risco de sofrer baixas, deve terminar a "janela" com saldo positivo, ambos recebendo filiados que já estão apoiando o governador.

Estão de mudanças confirmadas os oposicionistas Capitão Wagner e Roberto Mesquita para o PROS, Odilon Aguiar para o PSD, Heitor Férrer para o Solidariedade (SD) e Fernanda Pessoa, com três opções de partido. Todos eram e continuam na oposição à gestão estadual. Também estão mudando de agremiação os parlamentares governistas Osmar Baquit e Tin Gomes para o PDT, Gony Arruda e Silvana Oliveira para o PP.

O PDT foi um dos partidos que, até agora, não perderam nenhum de seus membros na Assembleia, ao contrário, a sigla só engrossou as fileiras com o ingresso do deputado Osmar Baquit, ex-membro do PSD, e com a filiação, marcada para amanhã (30), do deputado Tin Gomes, no PHS. Ainda que o deputado Julinho cogitasse sair da sigla pedetista, ele afirmou ao Diário do Nordeste que "talvez fique onde está mesmo".

O PP é outro partido que pode ter mais ganhos do que perdas, durante a "janela partidária", e dar espaço para manter a base do governador na Casa. Isso porque, na medida que os deputados Walter Cavalcante e Bruno Pedrosa diziam estar estudando embarcarem no MDB e no PMN, respectivamente, pelo menos outros três deputados estaduais negociam suas entradas na sigla progressista.

Bancada do PP

Além da deputada Silvana Oliveira e do deputado Gony Arruda, atualmente no PSD, a deputada Bethrose, no PMB, pode acertar mudança para o PP. Portanto, o partido que conta hoje com cinco deputados estaduais, mesmo com baixas, pode aumentar. Nos bastidores, a conversa do deputado Walter Cavalcante de mudar de partido não era levada a sério, pois foi traumática sua saída do PMDB para entrar no PP, depois de uma negociação com o governador.

Já na bancada do PT, partido de Camilo Santana, o deputado Manoel Santana dizia estar decidindo se migraria para o PCdoB, que conta, hoje, com dois parlamentares.

Não são só os governistas que intensificam as negociações para as mudanças de siglas, os oposicionistas também, e, na verdade, foram os que, até agora, mais oficializaram as trocas partidárias. O deputado Odilon Aguiar abriu a "janela" na Assembleia, quando assinou sua ficha de filiação ao PSD, presidido pelo deputado federal Domingos Neto, de quem é aliado. Antes, o parlamentar fazia parte do PMB, quando era controlado também pelo grupo do deputado federal.

Mas o rompimento político entre o grupo do governador Camilo Santana (PT) e o de Domingos Neto, em razão da extinção do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), onde seu pai, Domingos Filho, exercia a função de conselheiro, levou ao esvaziamento do PMB, que passou a apoiar o Governo estadual. A legenda, no entanto, corre o risco de desaparecer, visto que a deputada Bethrose poderá sair.

Outro partido que tende a não existir mais na Casa é o PR, depois que os seus únicos representantes eleitos para a atual legislatura- Capitão Wagner e Fernanda Pessoa- se desfiliaram da agremiação. Wagner já embarcou no PROS, juntamente com o deputado Roberto Mesquita, ex-filiado ao PSD.

Wagner decidiu sair do PR porque a legenda passou a ser governista no Ceará, após a deputada federal Gorete Pereira ter assumido o comando no Estado, afastando os ex-dirigentes Lúcio Alcântara e Roberto Pessoa. Tanto Roberto Pessoa, vice-prefeito de Maracanaú, como sua filha, deputada Fernanda Pessoa, buscam nova agremiação. Como opção inicial eles tinham o PSD, o SD e o PSDB, mas nas últimas horas passaram a negociar com o DEM, diretamente com o presidente nacional da sigla, Antonio Carlos Magalhães Neto, prefeito de Salvador.

Sem representante

Assim como o PR e o PMB, o PSB pode também ficar sem nenhum representante no Legislativo estadual. Nesta semana, o deputado Heitor Férrer, que pertencia, desde 2015, aos quadros do Partido Socialista Brasileiro, decidiu migrar para o Solidariedade (SD) pelo fato de o antigo partido ter se integrado à base de sustentação de Camilo Santana, enquanto Férrer é um dos críticos da gestão do governador. Com a mudança, o SD, que contava apenas com a deputada Aderlânia Noronha, somará, agora, dois parlamentares na Assembleia. O prazo das mudanças para quem vai disputar mandato termina no próximo dia 6.

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