Membro do TCU na Capital

Ministro Weder de Oliveira prega responsabilidade fiscal

01:00 · 06.07.2018 / atualizado às 01:17

O Brasil perdeu, nos últimos anos, o ritmo crescente que vinha imprimindo em relação à importância dada à responsabilidade fiscal. É o que pensa o ministro substituto do Tribunal de Contas da União (TCU), Weder de Oliveira. "Nos últimos anos, isso foi perdendo-se. O risco é que, quando as demandas sociais são superiores às possibilidades financeiras, o sistema político tem uma tendência de deixar de lado o equilíbrio fiscal", analisou ele, ontem, no 1º Fórum Brasileiro de Governança nas Contratações Públicas, promovido pela Editora Fórum, na Câmara Municipal de Fortaleza.

"Caso não houvesse consequência nenhuma, poderíamos dizer que seria aceitável. Mas a história de diversos países, inclusive o nosso, demonstra que o abandono desse bem coletivo, que é o equilíbrio fiscal, em um certo momento, leva à perda de equilíbrio fiscal e econômico mais a frente", declarou.

O representante do TCU avaliou que parte dos problemas brasileiros começou após a crise global de 2008, quando os governos adotaram medidas fiscais para evitar que os impactos chegassem ao Brasil. Ele, entretanto, disse que as raízes do problema são bem anteriores.

"Já vínhamos com uma demanda crescente de despesa pública, a qual não pode dizer-se que era indevida, vinda da área social, com o aumento de benefícios previdenciários, de transferências sociais, de subsídios para grandes empresas. O problema é que, ao longo do tempo, isso foi mostrando-se incompatível (com o Orçamento)", avaliou.

Segundo Oliveira, tal problema precisa ser solucionado porque gera outros sem resolução rápida. "A recuperação não é feita no mesmo prazo em que se perdeu. Às vezes, ela leva muito mais tempo para acontecer. Se perdermos três, quatro anos de PIB, para crescer isso novamente, podem ser cinco, seis, dez anos", argumentou.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.