segurança pública

Milhares de jovens fora da escola e sem emprego

A questão da Segurança foi o centro de toda as discussões no plenário da Assembleia, nos últimos dias

Deputado Carlos Felipe, da base governista, apresenta estatística e reclama mais atenção para os jovens sem escola e sem emprego no Ceará ( Fotos: Saulo Roberto )
01:00 · 17.02.2018

Ao tratar sobre a crise na Segurança no Estado do Ceará, assunto mais debatido pelos parlamentares nesta primeira semana de atividades na Assembleia Legislativa, após o feriado do Carnaval, o deputado Carlos Felipe (PCdoB) levou à tribuna, ontem, dados do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) de 2017 sobre os jovens que nem estudam e nem trabalham no Estado.

Segundo ele, quase metade (43%) dos cearenses entre 18 e 21 anos está nessa situação, o que facilita a entrada dessa população no mundo do crime. Além de políticas voltadas para a geração de emprego, o parlamentar também cobrou resultados das forças policiais e de quem está no seu comando, diante do "esforço sobre-humano" do Governo do Estado em realizar investimentos na área.

Carlos Felipe chamou a atenção, durante discurso, para os altos índices de jovens no Ceará que nem estudam e nem trabalham, grupo conhecido, informalmente, como "nem nem". No ano passado, de acordo com diagnóstico do Ipece apresentado pelo deputado, 28% dos cearenses entre 15 e 17 anos estavam nessa condição.

A partir dos 22 anos, o índice sobe para 35% e atinge o maior percentual que os jovens com idade entre 18 e 21 anos, em que quase metade deles (43%) nem estudam e nem estão ocupados. O mais alarmante, segundo Carlos Felipe, é que o estudo revela que apenas 11% dos jovens cearenses entre 15 e 29 anos estão buscando emprego e outros 22% ainda estão fora do mercado de trabalho.

Reserva

"Isso corresponde a quase 500 mil jovens, meio milhão de jovens. Se você observar que a maior parte dessas pessoas são do sexo masculino e têm até 29 anos de idade, você tem aqui um exército para ser morto. São 500 mil que estão fáceis de serem pegos pelo crime, pelo narcotráfico e que pode, com certeza, ser um dessa reserva de contingência que tem para morrer".

Segundo ainda o deputado, "enquanto os afazeres domésticos são o principal motivo para o sexo feminino, a maioria dos homens não deseja trabalhar. Ou seja, aqui você tem um problema sociológico, cultural, econômico que, certamente, não é só do Estado. Essa análise mostra a necessidade de formulação de novas políticas", refletiu.

Para o parlamentar, "mais do que tudo", é preciso que sejam maiores os investimentos em políticas sociais, voltadas para a "transição desse aluno que sai do Ensino Médio para o emprego". Por outro lado, Carlos Felipe avaliou ser necessário, também, estabelecer critérios de resultados na Secretaria da Segurança, assim como ocorre na Educação. Ele reconhece o "esforço sobre-humano" do governador Camilo Santana (PT) em combater a violência, mas cobrou o mesmo de todos os agentes públicos.

"Envolve a Justiça, os políticos, o Executivo, cada um deve ser cobrado. Você (policial) precisava de carro? Lhe dei carro. Você não queria aumento? Lhe dei aumento, agora, me dê números, isso envolve também resultados. Por exemplo, um comandante de uma região, se ele ficar um ano e não baixar os índices, ele deveria continuar? Nós não temos critérios de resultados na Educação?! Não deveríamos ter também na Polícia? Eu acho que são muitas ações, inclusive, uma ação promovendo os bons policiais e também não deixando de fazer o papel quanto aos maus. (A Corregedoria) Tem que ser forte, não é pra punir o (policial) que tá no fronte e pra salvar a população, às vezes, mata um bandido, mas os policiais corruptos, que recebem dinheiro do narcotráfico, que estão envolvidos com gangue", observou.

O parlamentar chamou a responsabilidade também do Poder Judiciário, que deve agilizar o julgamento dos presos provisórios. No Ceará, metade dos presos, cerca de 27 mil, sequer foram julgados.

Prevenção

Depois do pronunciamento do deputado Carlos Felipe, o tema segurança continuou no centro das discussões com o deputado Heitor Férrer (PSB) cobrando maior envolvimento das prefeituras no combate à criminalidade e investimento do Estado em políticas de prevenção, principalmente em escolas de tempo integral no Ensino Fundamental. Por outro lado, a liderança do Governo na Casa defendeu os avanços que o Estado tem obtido na área da Educação, com a ampliação das escolas em tempo integral no Ensino Médio, e frisou que a violência aumentou em todo o País.

Para o parlamentar, "vamos continuar fracassados, enquanto não resolvermos o problema na essência, que é a célula municipal". "Nós vivemos nas cidades, eu considero que, dentro da estrutura política, os prefeitos são os mais responsáveis pela violência nessa área. Os prefeitos teriam que ter a obrigação de catalogar todas as famílias do Interior, onde eles administram, quais são as mais vulneráveis, o nome do pai e da mãe, o que fazem e onde os filhos estudam", apontou.

Ele acredita que, além do envolvimento das prefeituras em ofertar o ensino em tempo integral para as crianças, é preciso o Estado garantir esgotamento sanitário, emprego e renda. "Se o Estado não põe a mão nesses meninos desta forma, alguém porá de outra forma, que é o narcotráfico e que transforma esses meninos em atores do crime em pouco tempo".

Estratégica

Ao apartear Férrer, o deputado Evandro Leitão (PDT) rebateu, afirmando que o Estado tem, sim, implementado políticas de prevenção, principalmente, na área da Educação. Ele enfatizou que das 100 melhores escolas públicas do País, 77 são do Ceará. "Isso não é investir em política de prevenção? Uma política estratégica atua nos dois lados, e o lado preventivo não é ignorado pelo nosso Governo. A violência aumentou em todo o País, não se resolve no estalar de dedos, deputado", exclamou.

Para Heitor Férrer "as políticas públicas investidas estão sendo jogadas no ralo do lixo, o crime aumentou em todo o Ceará. Não tenha esse pensamento tosco. O Porto do Pecém, que é o que mais importa e exporta, mas dinheiro resultado dessas operações não está resolvendo o problema do Estado, porque a cada dia se mata no mais", disse.

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