Segundo turno

Manuela quer diálogo entre os candidatos

Pré-candidata do PCdoB admite uma aliança dos candidatos da esquerda no segundo turno da disputa presidencial

Manuela D'Ávila na entrevista coletiva concedida no fim da manhã de ontem, na Assembleia Legislativa, antes dos eventos da tarde ( Foto: Natinho Rodrigues )
01:00 · 19.05.2018

Pela segunda vez em Fortaleza como pré-candidata à Presidência da República pelo PCdoB, Manuela D'Ávila participou de algumas atividades, ontem, incluindo debate na Universidade de Fortaleza (Unifor). Em entrevista coletiva, na Assembleia Legislativa cearense, ela voltou a defender uma união do campo de centro-esquerda, mas, em sua opinião, isso só deve se tornar realidade em um eventual segundo turno da disputa presidencial.

De acordo com ela, as recentes declarações do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), sobre aliança entre PT, PCdoB e PSOL em favor da pré-candidatura de Ciro Gomes (PDT), em sua essência, vão ao encontro daquilo que o Partido Comunista do Brasil sempre defendeu: a necessidade de unidade para enfrentar a crise política e econômica no País. Conforme informou a pré-candidata, existem mais pontos em comum do que divergências no campo progressista.

Manuela esteve dialogando recentemente com o presidenciável Ciro Gomes e o ex-governador do Ceará, Cid Gomes, e no encontro, segundo afirmou, foi sugerida a necessidade de se pensar em uma perspectiva de saída em conjunto. No entanto, ela ressaltou que a realidade requer mais do que interesse em comum. "Nós, do PCdoB, nunca fomos óbice para a construção de uma saída no nosso campo político. Mas, na vida real, como se comportará o PSOL? Eles já têm um candidato. O PT faz uma discussão legítima de candidatura do Lula. Não depende de nós essa unidade", destacou.

Risco

De acordo com ela, o esforço de unidade segue sendo defendido e se materializará no segundo turno da disputa presidencial. "Por isso precisamos manter esse diálogo permanente. O problema é que a política brasileira não é marcada por espaço de diálogo. Quando defendo o direito do Lula concorrer, as pessoas acham que eu não tenho que fazer isso porque sou candidata. Quando eu falo com o Ciro, as pessoas acham que eu tendo a apoiar o Ciro".

A pretensa candidata disse ainda que jamais tratará o presidenciável Ciro, o petista Fernando Haddad ou o pré-candidato pelo PSOL Guilherme Boulos como adversários. "Os meus adversários estão do outro lado", frisou. Questionada sobre o risco que os partidos de centro-esquerda estariam correndo ao irem para a disputa de forma isolada, Manuela, otimista com o cenário político nacional das esquerdas, disse que "o outro lado é quem está em maus lençóis".

Segundo disse, "para tentar parecer palatável", o pré-candidato do PSDB, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, estaria se colocando como sendo de centro. "Ele faz isso porque o projeto dele não foi aprovado nas últimas quatro eleições. Eles vão ter que dizer que o projeto deles é o projeto do Temer".

Ela ainda avaliou que, das quatro pré-candidaturas de centro-esquerda, uma lidera as pesquisas de intenção de votos, neste caso a de Lula; outra estaria bem colocada, a de Ciro Gomes; e a dela é situada à frente de outros nomes como de Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Henrique Meirelles (MDB). "Eu acho que eles estão em maus lençóis e têm mais razões para se preocupar".

Questionada se defendia o manifesto "Eleição sem Lula é fraude", Manuela disse que trabalha apenas com um cenário em que o petista será candidato, e até que haja desfecho sobre essa situação ela se permitirá comentar apenas sobre tal cenário. Ela também disse que não são verídicas as informações de que havia diálogo de Ciro Gomes com dirigentes de PP e DEM, que são partidos do espectro ideológico mais à direita.

Percebo

"Às vezes, as notícias não batem com a realidade. Nosso diálogo programático é com o Ciro, e jamais me somarei aos que tentam desqualificá-lo. O que sei é que o Ciro tem buscado conversa com muitos setores da sociedade e percebo que os movimentos do PP e DEM são para outro lado", enfatizou.

Diante de um cenário político em que mais de uma dezena de partidos têm apresentado pré-candidaturas ao Palácio do Planalto, o PCdoB, conforme disse a pré-candidata, está procurando diálogo com outros setores da sociedade civil organizada, como a Frente Favela Brasil e coletivos de mulheres. De outro lado, a sigla mantem conversa entre as candidaturas do campo progressista de centro-esquerda, para fortalecer o seu pleito.

"Temos conversado com muitas forças políticas nacionais e tendo contato direto com a população", disse Manuela. A postulante ressaltou, ainda, que já há quase seis meses vem organizando grupos de estudos com o intuito de construir propostas para áreas centrais, como Segurança Pública, Saúde, Educação, Saneamento Básico, Geração de Emprego e Renda.

Sobre o anseio popular por candidatos "salvadores da Pátria", Manuela D'Ávila ressaltou que, toda vez que há esse pensamento, a população tira de si a necessidade de um protagonismo da sociedade. Em uma alusão ao pré-candidato do PSL, deputado federal Jair Bolsonaro, a pré-candidata disse que ele não tem proposta para a Segurança Pública, mas para a segurança privada, "que é comprar uma arma cara cada cidadão".

"Eu desafio quem tem melhor proposta para a Segurança. Temos uma proposta estruturada, com origem de financiamento, novos pactos, como reparar as comunidades sobre conflitos, quais crimes temos que enfrentar. O tema da Segurança é muito complexo, demanda papel do Governo Central, e não uma intervenção militar, de cima para baixo", apontou a representante do PCdoB para o pleito.

"Esse candidato (Bolsonaro) só defende que as pessoas se matem. Nós somos o País onde os policiais mais morrem e matam. Nossos policiais e nossos cidadãos merecem viver e o Brasil precisa deles para se desenvolver", concluiu D'Ávila, que no Ceará foi recepcionada por representantes do seu partido.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.