Major Castro presta depoimento evasivo - Política - Diário do Nordeste

Grupos de extermínio

Major Castro presta depoimento evasivo

17.05.2006

O major da Polícia Militar Ernane de Castro foi ouvido pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos grupos de extermínio, na tarde de ontem, na Assembléia Legislativa. Pela primeira vez um depoimento foi aberto, com participação da imprensa e televisionado, ao vivo, pela TV Legislativa.

Acusado de ser o chefe de um grupo de policiais militares que teria praticado assassinatos durante a prestação de serviços de segurança privada à rede de farmácias Pague Menos, o major tentou se esquivar da mídia. Antes do depoimento, seu advogado entregou um requerimento solicitando reunião fechada. Os deputados que compõem a CPI indeferiram o pedido.

Major Castro disse, em sua defesa, estar sofrendo perseguição, promovida pelo delegado Carlos Cavalcante e por falsos depoimentos que tentam incriminá-lo.

Sobre as conversas captadas nas escutas telefônicas, o major disse não ter tido acesso a nenhum dos trechos gravados, motivo pelo qual não pôde responder os questionamentos. Sobre a redução no número de assaltos às farmácias Pague Menos, depois que a segurança deixou de ser clandestina, tendo passado de uma média de 1.500 por ano para cerca de 500, o major foi evasivo e se limitou a dizer que a política de segurança pública do Ceará precisa ser reformulada.

O deputado Delegado Cavalcante (PSDB) estava presente e alertou os membros da CPI: ´O major Castro é acusado de 19 crimes, como homicídio, tortura, lesão corporal, tráfico de influências, formação de quadrilha. É preciso cuidado para não inverter valores”, disse. E, olhando bem para o major Castro, Cavalcante declarou: “Me decepcionei muito com você, porque o tinha como grande profissional. Hoje tenho certeza de que você passou para o outro lado”.

Embora durante todo o depoimento major Castro tenha negado possuir relação com as farmácias Pague Menos, o presidente da CPI, deputado Manoel de Castro Neto (PMDB), leu um trecho do grampo telefônico em que o policial militar demonstrava dominar os códigos comerciais próprios da empresa. A CPI toma hoje novos depoimentos.

Comente essa matéria


Editora Verdes Mares Ltda.

Praça da Imprensa, S/N. Bairro: Dionísio Torres

Fone: (85) 3266.9999