Bancada governista na AL

Líder busca amenizar embates na base aliada

Nas últimas semanas, deputados têm exposto insatisfação com atuação de secretários nas suas bases eleitorais

Líder do Governo, Evandro Leitão (PDT), diz que a cobrança de colegas é "normal", mas tenta administrar cada caso para evitar "constrangimentos" ( Foto: José Leomar )
01:00 · 13.11.2017

Seja em grupos nas redes sociais, nos corredores da Assembleia Legislativa ou no Plenário 13 de Maio, tem sido nítido o descontentamento de deputados governistas com movimentações de aliados do Governo do Estado e de secretários da gestão a partir de questões de interesse eleitoral. Diante disso, a liderança da base aliada tem tentado evitar embates mais graves e encontrar meios de amenizar os ânimos dos seus liderados.

Nas últimas semanas, alguns parlamentares têm reclamado não somente de gestores que estão "invadindo" seus colégios eleitorais, mas também de atenção maior que estaria sendo dada pelo Governo a determinados deputados da base em detrimento de outros. Depois de fazerem reclamações diretas em grupos de um aplicativo de troca de mensagens, aliados do governador Camilo Santana (PT) chegaram a fazer críticas pontuais na tribuna da Casa.

Um dos mais criticados é o chefe adjunto do gabinete do governador, Fernando Santana. Mirian Sobreira (PDT) e Bethrose (PMB), recentemente, apontaram que o gestor estaria atuando em seus colégios eleitorais. Silvana Oliveira (PMDB) e Carlos Felipe (PCdoB) são outros que não estão gostando nada da atitude, assim como Manoel Santana (PT) e Fernando Hugo (PP). Este, inclusive, levou o assunto à tribuna do Plenário 13 de Maio, para solicitar ação do Ministério Público Eleitoral.

O secretário de Desenvolvimento Agrário, Dedé Teixeira, também tem sido alvo das críticas que, até então, não eram feitas em público pelos aliados do Governo. Outro que tem desagradado aliados é o secretário chefe de gabinete do prefeito Roberto Cláudio (PDT), Queiroz Filho. Não somente os secretários têm sido alvos das considerações dos parlamentares, mas também aliados da gestão, que estariam sendo beneficiados em algumas regiões.

O líder do Governo, Evandro Leitão (PDT), afirmou que o fato de alguns deputados serem "arredios", muitas vezes, dificulta o trabalho, mas avaliou como "normal" o posicionamento de alguns parlamentares, visto que, mesmo na base, alguns têm atuação de independência. Para ele, o mais importante é a participação de aliados nas votações. "Quando se aproxima o período eleitoral, a tendência é que haja esses acirramentos. A gente tem que administrar caso a caso, no sentido de que possamos superar os conflitos e evitar qualquer constrangimento", disse.

Repercussão

Manoel Santana ressaltou que os deputados disputam espaços políticos e, nesse processo, alguns sentem que seus territórios estão sendo invadidos ou que não têm tido condições ofertadas pela gestão. "Eu acho que isso dificilmente deixará de ser assim, e o papel da liderança, neste caso, é tentar apagar o incêndio, construir um diálogo mais franco, mais sincero".

Para Sérgio Aguiar, há parlamentares que são aliados de Camilo, mas também adversários políticos, o que motiva discussões em plenário. "Na questão dos secretários, os deputados estão sendo confrontados naqueles municípios onde o secretário tem interesse distinto do deles".

Silvana Oliveira (PMDB), por sua vez, sustenta que a autonomia de alguns deputados governistas é positiva para o Parlamento cearense, pois, se a base apenas atendesse às demandas da gestão, "seríamos uma base que não representaria o povo". "É importante que tenhamos autonomia, para não sermos reféns a ponto de nos silenciar", afirmou.

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