DIVERGÊNCIAS NO PDT

Insultos no encontro para confirmar a aliança

02:57 · 05.05.2008
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Os jornalistas que faziam a cobertura do evento foram convidados a se retirar no momento das críticas e acusações

Os diretórios municipais e estadual do PDT homologaram ontem, em reunião na sede do partido, a aliança majoritária e proporcional com o PSDB, na chapa que será encabeçada pela senadora Patrícia Saboya (PDT). A votação, por aclamação, contou com a abstenção do deputado Heitor Férrer (PDT), que é contra a parceria com o tucanato.

A reunião foi polêmica, e marcada pela troca de ofensas entre os pedetistas. No meio do embate sobrou para a Imprensa, que depois de ter sido chamada para cobrir o encontro, foi “convidada” a se retirar para não registrar as divergências internas em razão da aliança firmada no dia anterior.

Na Mesa dos trabalhos estavam a senadora Patrícia Saboya (PDT); os presidentes estadual e municipal do partido, André Figueiredo e Márcio Lopes, respectivamente; o vice-prefeito de Fortaleza, Carlos Veneranda, e o vereador Iraguassú Teixeira. A solicitação para que os jornalistas deixassem o local partiu de alguns pedetistas, e da própria Patrícia.

Cara do PSDB

A reclamação veio quando a militante Fátima Vilanova fazia um pronunciamento contra a senadora. “O PDT está com uma candidata que é do PSDB. Não adianta a gente tentar fazer vista grossa. A sociedade está madura, tanto é que elegeu Luizianne Lins (PT). A sociedade está madura e não vai aceitar ver uma candidatura que não tem a cara do PDT. Com todo respeito que eu tenho à senadora, mas ela não é a candidata do PDT, ela tem a cara do PSDB”, disse Vilanova.

A provocação causou reação de alguns pedetistas, principalmente da cúpula, que reprovaram a postura da correligionária na “lavagem de roupa” na presença dos jornalistas. Antes, o deputado Ferreira Aragão (PDT), líder da bancada do PDT na Assembléia, também havia investido contra o colega, deputado Heitor Férrer (PDT). Intitulando-se representante dos pobres no Legislativo, uma vez que ele credita a sua chegada àquela Casa ao voto dessa classe social, ele afirmou que Férrer havia sido eleito pelos ricos. A manifestação gerou um novo mal estar no encontro.

Em pronunciamento, o presidente de honra do PDT, Flávio Torres, tentou explicar à base que a decisão firmada pela cúpula do partido pela parceria com o PSDB, ainda não estava definida. “É apenas um indicativo”, justificou ele, para em seguida emendar que a concretização se dará em junho, com a realização da convenção partidária para homologação das candidaturas.

Divergências

Alguns representantes de núcleos do PDT defendiam a aliança, mesmo reconhecendo as divergências entre as siglas. Um dos que se manifestaram nesse sentido foi o secretário do núcleo de base do PDT, Egídio Guerra. Ao defender a parceria, ele destacou a “transparência” dos tucanos, para em seguida reclamar da postura do PT após a ascensão ao Poder. “O PSDB não joga, eles são aquilo mesmo. O PT é que a gente não sabe mais o que é”, disparou, ao destacar a “coerência” do PDT. “Não vejo problema para a gente engolir (o sapo). Dá para agüentar”, ressaltou, concordando que pedetistas e tucanos têm “projetos” diferentes.

O presidente do Movimento Negro do PDT, e integrante da executiva nacional do partido, Ivaldo Paixão, cobrou pressa do partido na defesa de sua candidatura proporcional. Segundo ele, os aliados de Luizianne já estão em campanha aberta pela reeleição da petista. De acordo com ele, em evento na Praça do Ferreira, comemorativo ao Dia do Trabalho, foram vários pronunciamentos citando a candidatura de Luizianne, em desrespeito à legislação eleitoral, que proíbe campanha antecipada. “Foi o Governo do Estado e a Prefeitura que bancaram isso”.

Ao contrário de causar irritação em Patrícia, o pedetista provocou um leve sorriso na senadora quando criticou o governador Cid Gomes (PSB), pela “carona” à sogra e convidados em jato fretado pelo Estado para a viagem internacional.

Eventos

No sábado, além de acertarem uma coligação majoritária e proporcional, os dirigentes do PDT e do PSDB também definiram que os partidos montarão uma agenda de eventos, antes da convenção que homologará aquele acordo, em junho. O PSDB realizará uma série de reuniões para indicar o vice da pré-candidata trabalhista à Prefeitura de Fortaleza, senadora Patrícia Saboya, depois, conjuntamente, os encontros serão nos bairros da Capital.

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