Pré-candidaturas à presidência

Indefinições nacionais afetam coligações no Ceará

Deputados que tentarão reeleição buscam pacificar alianças locais diante de numerosos presidenciáveis

Para alguns deputados, será desafio convencer eleitores sobre posicionamentos opostos de partidos aliados em relação à conjuntura nacional ( Foto: José Leomar )
01:00 · 04.05.2018

As indefinições nacionais sobre como cada partido deve se comportar na eleição diante das diversas pré-candidaturas à Presidência da República colocadas até o momento estão afetando decisões em âmbito estadual, segundo parlamentares cearenses. No caso da base governista do governador Camilo Santana (PT), também haverá dificuldade no convencimento de aliados sobre apoios locais e nacionais, uma vez que PT e PDT têm pré-candidaturas próprias.

O governador Camilo, por exemplo, é apoiado por uma ampla base em que ao menos dez partidos pretendem lançar candidaturas ao Palácio do Planalto. São eles: Podemos, PEN (Patriota), PDT, PTC, PRB, PRTB, PT, PCdoB, PSC e DEM. O MDB, que vem se alinhando com a gestão, também estuda apresentar um nome à disputa presidencial de outubro próximo.

Para alguns deputados entrevistados pelo Diário do Nordeste, também haverá problemas no convencimento do eleitorado sobre a conjuntura partidária, que pode permitir, por exemplo, que legendas aliadas no Estado apoiem nomes com pensamentos e ideologias diferentes em esfera nacional.

O petista Elmano de Freitas destaca que, no Ceará, tanto a oposição quanto a situação em determinados municípios apoiarão eventual candidatura de Camilo Santana à reeleição. "Acho que isso tem a ver com o tamanho do País, e até já nos acostumamos com essa realidade", pontuou. Para ele, indefinições em esfera nacional também têm interferido em posicionamentos locais de algumas siglas.

No caso do PT, Elmano de Freitas diz que há uma possível candidatura presidencial colocada e esta não pode aguardar definições sobre a candidatura local. "Temos que organizar a campanha do Camilo articulando esta com a candidatura do Lula. Precisamos acelerar isso no Estado e nos municípios", afirmou.

Segundo ele, apesar da ligação que o governador tem com o grupo liderado por Ciro e Cid Gomes (PDT) no Ceará, o chefe do Executivo, filiado ao PT, deve apoiar candidatura da legenda. No entanto, Elmano defende a manutenção de "uma posição respeitosa e até de parceria" com uma candidatura de Ciro Gomes. "Por questão de força política, os Ferreira Gomes merecem uma maior atenção".

Eleitorado

Presidente interino do PT, o deputado Moisés Braz afirma que a maior preocupação quanto ao arco de aliança que abrange partidos com diferentes candidaturas a presidente está no entendimento do eleitor. "Minha maior preocupação é se a população vai ter boa compreensão ao encontrar, num palanque, candidatos a deputado estadual com candidato a governador, cada um pedindo voto para outro partido em nível nacional", relatou.

O dirigente ressalta que o partido vai exigir do governador voto em candidato do PT, mas pondera que ele terá liberdade para construir sua aliança no Estado. "A gente vai debatendo e não é de bom tom que o PT diga que o Camilo não vai poder fazer determinada aliança. Ele precisa dessa aliança e vamos condicionar que essa aliança tenha ligação forte com a questão nacional".

João Jaime (DEM), por sua vez, informa que, caso o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, oficialize candidatura ao Palácio do Planalto, o DEM participará da campanha no Estado. Caso não haja determinação partidária nos estados, a legenda, no Ceará, ficará livre para apoiar Camilo Santana.

"Não sabemos o que vai acontecer. O PDT e o PT, como vão ficar? O MDB estará com esses partidos no Estado? Todas essas variáveis só serão definidas em junho", considerou.

O deputado Julinho (PPS) também opina que indefinições nacionais têm afetado diálogos locais, uma vez que muitas das eventuais candidaturas à Presidência da República são de pretensos candidatos que estão em partidos que fazem parte da base aliada de Camilo. No entanto, ele destaca que o diretório estadual do PPS estará liberado para apoiar qualquer nome, e quem ganha espaço na executiva nacional para ter o apoio é o pedetista Ciro Gomes.

Já Leonardo Araújo (MDB) pondera que a legislação não obriga a verticalização das candidaturas em âmbito nacional, estadual e municipal. Ele diz ainda que não se pode vetar nomes e defende a possibilidade de a sigla emedebista apoiar Ciro Gomes para a disputa. "O MDB não tendo candidato, o grupo do senador Eunício Oliveira não veta o nome do presidenciável Ciro Gomes", frisou.

Oposição

Para o líder do Governo, Evandro Leitão (PDT), "o tempo vai se encarregar dessas questões". Segundo ele, passada a indefinição quanto à possibilidade de candidatura ou não do ex-presidente Lula, "as demais situações se resolvem por osmose". O pedetista destaca, ainda, que Camilo Santana tem relação forte com o grupo liderado por Ciro e Cid Gomes, fundamentais para sua eleição. "Eu ainda acredito que todos nós estaremos juntos por fazermos parte de um único projeto".

A questão também deve ser discutida na oposição, diante da possibilidade de candidatura do PSDB. O partido faz parte de uma aliança com PROS, PSD e SD, este último também com pré-candidatura em nível nacional. De acordo com o deputado Heitor Férrer (SD), se confirmada a pré-candidatura de Aldo Rebelo, a sigla fará com que haja palanque dele no Estado. "Guardo fidelidade ao partido. As composições aqui têm que respeitar a direção nacional", disse.

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