PSL

Hélio Góis prega Estado menor e conservadorismo

00:00 · 21.08.2018 / atualizado às 00:12
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"Tudo aquilo que o governo federal (caso Jair Bolsonaro seja eleito) fizer em esfera nacional, nós faremos em esfera regional aqui no Estado”, diz Hélio Góis

Aos 45 anos, Hélio Góis diz que decidiu candidatar-se ao Governo do Estado por "não perder a capacidade" de se "indignar". Após sair do PSDB, seu primeiro partido, ao descobrir, segundo ele, que a sigla tucana "é de esquerda", é no PSL, legenda do presidenciável Jair Bolsonaro, que ele faz a primeira campanha da recente trajetória política. Os "alinhamentos ideológicos" do projeto apresentado pela legenda nacionalmente, aliás, são "os mesmíssimos" que norteiam as propostas do candidato no Ceará, que incluem, por um lado, liberalismo na economia e, por outro, conservadorismo nos costumes. "Jair Messias Bolsonaro acabou representando todos esses anseios que eu tinha numa pessoa para que eu pudesse ser por ela liderado", orgulha-se.

Advogado e professor universitário, Hélio Góis diz que o que tem vivido na recém-iniciada campanha - e também na pré-campanha - "é algo muito novo", mas sustenta que a tímida estrutura do PSL, se, por um lado, representa dificuldades, por outro, pode garantir independência em eventual governo. Ele reconhece que "recursos financeiros para uma campanha são importantes", mas destaca que, na campanha "jejuna" e "franciscana" do partido, tem contado com a ajuda "das boas pessoas". O contato com o eleitorado, acredita o candidato, permite a um político "experimentar a emoção de fazer alguma coisa ou dar voz àquele ali".

"Com humildade, iremos fazer aquele trabalho que deve ser feito e, principalmente, da maneira como deve ser feito, porque uma vez que você conta com muito dinheiro ou uma estrutura grandiosa dentro de uma campanha, isso vem com um preço, normalmente atrelado a uma tarjeta de preço - que não é cobrado agora, e sim quando de uma eventual vitória", rejeita.

Confira a entrevista de Hélio Góis na íntegra:

Valores

Pouco conhecido por parte da população, o candidato de direita, como faz questão de enfatizar na entrevista ao Diário do Nordeste, tem a advogada Ninon Tauchmann (PSL) como candidata a vice-governadora. Ele defende, no plano de governo apresentado à Justiça Eleitoral, três eixos de atuação em eventual administração: sobrevivência do povo, desenvolvimento individual e desenvolvimento do Estado. Todos estariam inseridos em uma proposta, de acordo com o documento, "orientada por valores cristãos", que aponta para um governo a ser pautado pela "tecnocracia".

"Minhas credenciais podem ser reduzidas à honra; a minha fé, aos valores cristãos, a minha luta é pela sobrevivência do povo, pelo desenvolvimento do indivíduo, pela defesa inegociável da família como célula da sociedade e pelo desenvolvimento do Estado, nessa ordem", sintetiza.

Ao esmiuçar o que propõe no campo do liberalismo econômico, o candidato do PSL vai da "diminuição do Estado", a partir de um corte de "grande parte dos cargos de confiança", à diminuição da carga tributária, uma vez que, segundo ele, a "fome gulosa" de arrecadação do Estado lhe faz crer que "estamos vivendo num socialismo". Com isso, pretende "deixar a iniciativa privada trabalhar". "Tudo aquilo que o governo federal fizer em esfera nacional, nós faremos em esfera regional aqui no Estado do Ceará. Haverá um eco, claro, e isso é fruto, em larga medida, desse alinhamento ideológico".

Na área da Segurança Pública, além de defender investimentos em inteligência, ele afirma que, em eventual governo, pretende "investir em material humano". O "descompasso" entre a quantidade de policiais militares e o contingente de policiais civis no Estado, segundo Hélio Góis, deve ser revisto. "Um homicídio aqui no Estado do Ceará, não por ineficiência da Polícia Civil, mas por falta de condição mesmo, só é investigado até o próximo homicídio", cita.

Para ele, o Estado não pode "se furtar da sua responsabilidade ou mesmo justificar uma ineficiência ou uma incompetência no trato da Segurança Pública com distribuição de competência". "Segurança Pública é algo sério. É algo, aliás, que justifica uma queda de governo, segundo Thomas Hobbes", declara.

Hélio Góis sustenta que é preciso "fortalecer o elo social como atividade complementar à Segurança Pública" e, neste sentido, mostra-se a favor da liberação do porte de armas - embora não seja competência estadual. "Nesse hiato que temos de presença estatal, é o particular que vai promover a segurança dos seus pares. Aliás, é para isso que vivemos em sociedade, para poder colher esse tipo de benefício".

Cortes

Ao opinar sobre o tamanho da máquina pública, por sua vez, o candidato do PSL sustenta que, caso seja eleito, pretende cortar "despesas supérfluas" e dar mais transparência ao Orçamento estadual. "Nós não precisamos, por exemplo, de uma Secretaria da Agricultura e de uma Secretaria do Desenvolvimento Agrário. Não precisamos. Não dá para fundir essas duas tarefas? Isso não é robótica de foguete, não são temas diferentes a ponto de justificar essas duas estruturas. É cortar, enfim, esse cabide de empregos que se tornou o Estado do Ceará. Muita gente vai perder ali a sua boquinha? Vai, infelizmente vai. Eu vou tomar algumas medidas que de repente serão altamente impopulares para o povo cearense", coloca.

A "corrupção" na administração pública, afirma ele, também será combatida "com mão de ferro". "Corte a corrupção para ver se não sobra dinheiro! Aí sobra dinheiro para tudo, para tomar todas as medidas necessárias, realmente investir no nosso Estado, e ainda sobra dinheiro para comprar uma gaita".

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