Adesões ao governo

Há perplexidade, preocupações e dúvidas de aliados

O Governo do Estado recebeu as suas duas últimas e polêmicas adesões, sem fazer qualquer esforço

01:00 · 26.05.2018 por Edison Silva - Editor de Política
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Fac-símile da matéria publicada no último dia 12, anunciando a adesão ao Governo do deputado federal Genecias Noronha e o seu partido, o Solidariedade

Ainda não foi de toda assimilada a adesão do grupo político orientado pelo conselheiro em disponibilidade do extinto Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Domingos Filho (PSD), à base do Governo Camilo Santana (PT), liderado pelos ex-governadores Cid e seu irmão Ciro Gomes, ambos do PDT.

Há perplexidade, dúvidas e preocupações de atuais governistas, sobretudo quanto ao futuro, ou o pós-eleição de outubro próximo, exatamente por entenderem que, como o senador Eunício Oliveira (MDB), Domingos Filho nunca voltará a ser tão dócil, como ambos foram nas eleições de 2010, e este, também no pleito de 2014, mesmo depois de alguns desapontamentos.

Ambos, como naqueles momentos, mantêm vivos a ideia de governarem o Estado do Ceará, embora os interesses pessoais e imediatos dos dois os façam negar tais pretensões, mantendo a regra adotada pela quase totalidade dos políticos nacionais, de, lamentavelmente, não confirmarem hoje o que disseram ontem, ou afirmarem algo agora e negarem amanhã.

Isoladamente

Eunício chega até a alegar a idade, para dizer não ter mais o sonho de ser chefe do Executivo estadual, mas foi por esse desiderato o seu rompimento com a beligerância de todos conhecido em 2014. Domingos, mesmo preterido como Eunício de ser o candidato a governador em lugar de Camilo Santana, ficou um pouco mais de tempo liderado por Cid.

Politicamente, os dois, mesmo isoladamente, têm capital político para conquistarem um mandato neste ano, talvez não o de suas pretensões. De volta ao grupo governista a realidade é outra, e ambos terão melhores chances.

Eunício, a da reeleição, duvidosa em outro quadro político, daí sua perseguição para ser aceito pelos irmãos Cid e Ciro Gomes, posto ter o aval do governador Camilo. Rejeitado na chapa majoritária governista, tem votos prometidos, no Estado, para garantir-lhe o mandato de deputado federal, hoje reservado para o seu filho, Rodrigo Paes de Andrade. Domingos Filho é candidato a deputado estadual.

O conselheiro em disponibilidade, inserido novamente no grupo, tem como renovar os seus sonhos. E começa por onde credenciou-se a ser vice-governador do Estado, no segundo mandato de Cid Gomes, após passagem pela presidência do Poder Legislativo cearense.

Até agora, representando sua família, a pretendida vaga de deputado seria disputada pela mulher, Patrícia Aguiar, cujo desejo maior é retomar a Prefeitura de Tauá, perdida em 2016 quando tentava a reeleição. Ele, deputado, com o apoio do Governo, tem melhores condições de ajudá-la a ser eleita prefeita, ao tempo que, ainda como candidato a deputado da base governista, melhores condições de ajudar na reeleição do filho, Domingos Neto, deputado federal.

Preterido

Neto tem uma base político-eleitoral confortável para continuar na Câmara dos Deputados, mas já perdeu muito e, permanecendo onde estava, na oposição, a tendência era ficar mais vulnerável. Na sua primeira eleição, com o pai candidato a vice-governador, ele obteve a expressiva soma de 246.591 votos.

No pleito seguinte, após o genitor ter sido preterido de ser o postulante a governador, Domingos Neto teve uma votação também expressiva, mas muito aquém da anterior. Ele obteve 185.226 sufrágios. Como oposição, por conta das investidas em cima dos colégios eleitorais, em 2018 a perda poderia ser mais significativa e, consequentemente, comprometedora à sua recondução para o terceiro mandato no Congresso Nacional.

A adesão do PSD ao Governo cearense, somada à do deputado federal Genecias Noronha, controlador do Solidariedade (SD) neste Estado, reduziu o tamanho da base oposicionista no Ceará, sem qualquer esforço dos governistas, apesar de terem sofrido algumas críticas por engordarem suas fileiras.

Justificar

Genecias, como registramos neste espaço no dia 12 passado, tratou, pessoalmente, da sua adesão, após algumas insinuações contrárias ao nome do general Guilherme Theophilo (PSDB) como candidato a governador. Ele defendia, talvez até mesmo para justificar seu ingresso no bloco governista, que o concorrente de Camilo fosse o senador Tasso Jereissati (PSDB) ou o deputado Capitão Wagner (PROS).

Domingos Filho voltou ao ninho antigo, surpreendentemente por conta da política de Tauá, onde o deputado Audic Mota (PSB) tornou-se o adversário comum das lideranças locais. Minuciosamente, relatamos as tratativas no Blog de Política que assinamos no site do Diário do Nordeste. Também ele não estava satisfeito com a indicação do nome do general Guilherme.

Obstáculo

Domingos sempre trabalhou no sentido de disputar um cargo majoritário no pleito deste ano, mas condicionava essa possibilidade a uma aposentadoria como conselheiro do extinto TCM. Buscou judicialmente a condição de filiar-se a um partido. Não conseguiu na primeira tentativa. Venceu na segunda, embora precariamente. Desde o início de abril ele está filiado ao PSD.

A aposentadoria é impossível pelo fato de ele não ter os cinco anos mínimos exigidos no cargo de conselheiro. Ela também agora não mais lhe será obstáculo. Ele pode pedir demissão, como fez o seu colega Hélio Parente, para ser secretário de Estado.

Estando filiado a um partido, por decisão judicial, implementa as condições de uma candidatura. Eleito deputado estadual terá um subsídio parecido com o de conselheiro, além de voltar a fazer, sem as amarras que tinha como integrante da Corte de Contas extinta, o que lhe é mais caro: política, no ambiente facilitador para o seu mister, a Assembleia, onde conhece muito bem todos os seus meandros, apesar de todas as críticas feitas ao Poder Legislativo na briga travada para evitar a extinção do TCM entre 2016 e 2017, guardando mágoas a alguns dos integrantes do Legislativo.

O fim do TCM foi traumático para Domingos, não só por estar ocupando, na ocasião, a presidência do órgão, mas por ter-lhe impedido de ter atividade pública. Ele exasperou-se em algumas oportunidades, esquecendo, inclusive, que por algum tempo presidiu o Poder Legislativo, além de tecer críticas amargas ao governador e aliados seus.

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