Ano eleitoral

Governo busca mais atuação da base na Assembleia Legislativa

Equilibrar demandas será desafio no bloco governista. A oposição, por sua vez, quer ganhar força nos debates

Líder do Governo na AL, Evandro Leitão reconhece que, com a proximidade da eleição, "demandas e angústias dos deputados vão aumentar" ( Foto: Thiago Gadelha )
01:00 · 05.01.2018

Com uma base governista cada vez mais robusta, contando atualmente com 37 aliados, a liderança do Governo de Camilo Santana (PT) na Assembleia Legislativa terá que se empenhar para aglutinar posicionamentos e atender demandas de tantos deputados no retorno dos trabalhos da Casa, em fevereiro. Já a bancada de oposição, mais reduzida, busca motivação para atuar no último ano de mandato dos parlamentares eleitos no pleito de 2014.

Enquanto o líder do Governo, Evandro Leitão (PDT), aponta o diálogo e a distribuição de funções como estratégias para reduzir o impacto das críticas à gestão, oposicionistas defendem uma maior aproximação do grupo, para que isso tenha ressonância nos discursos feitos na tribuna do Plenário 13 de Maio. O retorno dos trabalhos legislativos está programado para o dia 2 de fevereiro, de acordo com o Regimento Interno da Casa.

Em 2017, Leitão encontrou dificuldades para que seus pares permanecessem em plenário durante certas discussões e até quando das votações de matérias de interesse do Governo. Os deputados Rachel Marques (PT), Leonardo Pinheiro (PP) e José Sarto (PDT), que são vice-líderes da bancada, contribuíram pouco com o pedetista.

"Neste ano, teremos que ter mais paciência para que possamos ter uma melhor postura da base. Teremos que ter atenção redobrada para manter nossa base coesa, porque sabemos que quanto mais se aproxima das eleições, mais complicado fica. É óbvio que demandas e angústias dos deputados vão aumentar".

Ele ressaltou que é preciso ter unidade entre os membros da base aliada, e isso deve ser alcançado por meio de diálogo e transparência, visando atender as demandas de governistas no ano eleitoral. O parlamentar destacou que algumas mensagens devem chegar à Casa, como a que trata de benefícios a agentes comunitários de saúde e outra que dispõe sobre o Plano de Cargos e Carreiras dos servidores públicos da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra).

Leitão afirmou que pretende se reunir com os três vice-líderes para traçar metas a serem cumpridas nos primeiros seis meses de trabalhos na Casa em 2018. Segundo ele, a ideia é que todos participem de forma mais efetiva na defesa do Governo. Por isso, seria necessário montar uma estratégia para que estejam diariamente no Plenário 13 de Maio. "Quero que tenha mais participação de todos, então vou distribuir tarefas. O ano será assoberbado, e por isso temos que dividir tarefas", apontou.

Relação

O secretário chefe da Casa Civil, Nelson Martins, que tem sido uma espécie de interlocutor entre o Governo e a Assembleia, destacou que o governador Camilo tem reconhecido o apoio que recebe no Legislativo e isso tem reflexos no comportamento dos aliados. "A nossa base tem sido muito positiva, não é à toa que a base vem sendo ampliada. Não temos tido problemas com a questão das demandas, porque a maioria delas são coletivas e o Estado já tem feito".

Já na oposição, o clima ainda é de incertezas, principalmente após o ingresso de ex-opositores na base aliada. No fim do 2017, poucas foram as interações e intervenções da bancada que tiveram um efeito desejado na tribuna da Casa. Membros do grupo apostam que limites e contradições do Governo fiquem expostos no decorrer do ano para que passem a atuar mais incisivamente. Renato Roseno (PSOL), por exemplo, deve manter ataques à gestão de Camilo, que, segundo ele, é "continuísmo da administração de Cid Gomes".

"Os indicadores de concentração de riqueza, de pobreza e de desenvolvimento humano continuam entre os piores do Brasil, mesmo somando-se os quase 12 anos de Cid e Camilo", afirmou.

Difícil unidade

Para Heitor Férrer (PSB), a fraqueza da oposição é decorrência do Governo Camilo, que, segundo ele, "é inodoro, insípido e incolor". "Como é fraco, gera poucos fatos e a gente precisa fortalecer nossa bancada agora na entrada do ano", disse. O pessebista admitiu ser muito difícil manter unidade da bancada, ainda que esta possua apenas nove integrantes. Segundo ele, após a eleição da Mesa Diretora, em dezembro de 2016, a oposição se fragilizou muito, perdendo em quantidade e qualidade.

Ely Aguiar (PSDC) disse que a oposição na Assembleia "está remando um bote contra um Titanic". Ele defendeu, porém, que a bancada unifique seu discurso no que diz respeito à gestão do Governo do Estado na área da Segurança Pública, visto que, conforme aponta, este tem sido o ponto mais frágil da gestão. "O outro tema é saúde pública, com falta de medicamentos, atendimentos precários, corredores da morte nos hospitais públicos".

A despeito do comportamento da oposição, o deputado Odilon Aguiar (PMB), por sua vez, acredita que ela tende a se unir e estar mais atenta às ações do Executivo. O parlamentar projeta que, no primeiro semestre, o debate tende a ser mais propositivo, mas destacou que a ausência de alguns parlamentares tem fragilizado a bancada. "A oposição será uma caixa de ressonância dos debates que serão propostos na Assembleia", pontuou.

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