ENTREVISTA COLETIVA

Governador afirma ter agido sem ilegalidade

00:45 · 29.04.2008
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Afirmando estar sendo desproporcional a atenção dispensada à sua viagem à Europa, Cid admite devolver dinheiro

No primeiro pronunciamento à Imprensa após a repercussão negativa da viagem que fez à Europa, no início do mês de fevereiro, o governador Cid Gomes (PSB) minimizou o problema, e revelou que não foi a primeira vez que pessoas sem vínculo com a administração estadual participam de viagens oficiais. Ele garantiu que assim como ele, os governadores que o antecederam também tinham a mesma prática de dar “carona” em aeronaves locadas pelo Estado do Ceará.

“Por diversas vezes eu presenciei pessoas estranhas ao Governo andarem em equipamento oficial no Ceará e em outros Estados”, informou. Ele não informou quem, como ele, costumava adotar o mesmo comportamento. “Não vou dizer, não sou delator, mas eu mesmo já viajei, sem integrar os quadros do Governo do Estado, em avião do Governo, em outras ocasiões”, enfatizou.

“Peço desculpas pelo constrangimento que essa questão causou ao povo cearense, e é por isso que eu peço desculpas. Não me consta que eu tenha cometido nenhuma ilegalidade, e nem se aponta nenhuma lei ou regra que eu tenha descumprido”, afirmou o governador Cid Gomes (PSB). Ele sustentou que não houve qualquer ilegalidade no ato. “Não me consta que eu tenha agido de forma ilegal ou imoral, ou que eu tenha contrariado alguma regra”, afirmou.

Pedido da mulher

Para o governador, se houve alguma falha na composição da comitiva para lotar a aeronave, foi ter cedido aos apelos da esposa dele, Maria Célia Habib, e permitir que a mãe da primeira-dama, Pauline Habib, integrasse a comitiva. “Se cometi alguma falha peço desculpas, mas sempre procurei agir de boa fé, foi ter atendido um pedido da minha mulher, de levar a mãe dela no avião”.

Até a idade da esposa, e o apego com a mãe, serviram para justificar a presença da sogra na viagem oficial: “Minha mulher tem apenas 27 anos, e tem uma ligação muito estreita com sua mãe. Quando eu vou para um evento, vou para trabalhar, e fico grande parte do tempo fora, então ela (primeira-dama) pediu para ser acompanhada pela mãe, para ter a sua companhia”, disse.

O erro parece ter persistido quando Cid aceitou também que as esposas do secretário de Turismo, Bismarck Maia, e do assessor especial, Valdir Fernandes, as senhoras Gláucia Maia e Samara Dias, integrassem a comitiva. “Não fui em quem convidei. Eles (assessores) pediram para levar as esposas e eu aquiesci”, disse. Para o governador, como a sogra e as outras convidadas arcaram com o pagamento das despesas pessoais e hospedagem, não houve prejuízos para o Estado.

Ao ser questionado sobre os gastos com o frete de jato, pagamento de diárias em hotéis de luxo, e as informações à Assembléia, como os integrantes da comitiva e outras solicitações, Cid tratou de transferir a responsabilidade para a Secretaria da Casa Civil.

Devolução

Como não admite que houve ilegalidade na “carona”, Cid não pretende fazer a devolução espontânea dos valores correspondentes ao frete proporcional da aeronave pelas convidadas, estimado em R$ 166 mil. O ressarcimento dos valores ao erário, ele diz que somente se efetivará se houver uma determinação dos órgãos de fiscalização nesse sentido. “ Vou solicitar aos órgãos de controle do Estado que avaliem, e se entenderem que cometi algum ato que mereça reparos não terei nenhum problema em cumprir, qualquer que seja a determinação”, frisou. A provocação já foi feita em representações encaminhadas pelo deputado Heitor Férrer (PDT) ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Ministério Público (MP) estadual.

Ao sustentar que não há, na legislação, nada que impeça a “carona”, ele sugeriu à Assembléia a elaboração de um projeto propondo regras para utilização dos transportes oficias por qualquer integrante do poder público.

O governador lamentou que a “carona” dada por ele à sogra esteja sendo tratada com deboche , e mostrou o mal estar com a situação: “A sogra é inspiração para muitas piadas, então ficou uma coisa de deboche, e naturalmente não me sinto bem, fico constrangido de ver o meu Estado e o meu Governo, sendo motivo de deboche”, reclamou. “Não cometi nenhuma irregularidade, ilegalidade ou ato que atente contra os princípios da boa administração”, insistiu o governador.

Julgamento

Cid Gomes fez um apelo para que a administração dele não seja julgada por um fato que ele considera irrelevante, mas pelos resultados práticos obtidos no desenvolvimento do Estado. “Eu quero ser julgado ao final do meu governo pelo conjunto da minha obra. Não acho que seja justo me crucificarem, me condenarem e tentarem imputar uma imagem que sou gastador, que gosto de mordomia, porque esse não é meu estilo”, disse antes de concluir a entrevista sempre ao lado de um grupo de deputados estaduais , seus aliados.

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