Eleições 2018

Gonzaga propõe participação de conselhos de trabalhadores em eventual governo

O candidato do PSTU foi o penúltimo a ser entrevistado pela TV Verdes Mares e pela TV Diário. Nesta sexta-feira (14), é a vez de Hélio Góis (PSL)

01:00 · 13.09.2018 / atualizado às 22:52

O candidato do PSTU ao Governo do Estado, Francisco Gonzaga, defendeu, em entrevistas à TV Verdes Mares e à TV Diário, ontem, a suspensão da dívida pública do Estado, além da reestatização de empresas que foram privatizadas, para que, dessa forma, possa investir em áreas prioritárias da administração pública. O postulante afirmou, ainda, que conselhos populares de trabalhadores decidirão os rumos das políticas adotadas em eventual gestão socialista. 

> Gonzaga minimiza falta de apoio 
 
“Está na hora dos trabalhadores governarem. Vivemos em um País em que quase um terço da população está desempregada, vivendo de bico. As pessoas não têm casa para morar, não têm emprego”, apontou. 

De acordo com ele, é preciso que a classe operária faça parte de uma “rebelião” contra o modelo político atual. “Vamos trabalhar com os conselhos populares, para a maioria da população”. O candidato chegou a afirmar que o Ceará possui uma dívida pública que gira em torno de R$ 1,5 bilhão, e uma das suas primeiras medidas como governador seria suspender tal dívida para investir em Saúde e Educação, por exemplo. “Temos que investir em mais hospitais, fazer concurso público para médicos, dar mais condições de trabalho pra as pessoas da área”, apontou. 

Segundo Gonzaga, durante o pleito eleitoral, muitos empresários se beneficiam do dinheiro do serviço público que deveria servir apenas aos interesses da sociedade. “As empresas não têm interesse em prestar serviço de qualidade para a sociedade”. 

O candidato chegou a afirmar que há quase um ano aguarda atendimento através do Sistema Único de Saúde (SUS), o que, em sua avaliação, é a realidade da maioria da população cearense. “Os trabalhadores precisam governar o País. Nosso programa é para a maioria das pessoas, para que elas tenham direito à creche para as crianças, enquanto as mães trabalham. Para acabar com a insegurança. O Estado tem dinheiro para isso”, defendeu. 

Ele defendeu ainda a criação de um plano de obras públicas para a construção de mais escolas, hospitais, além de investimentos em saneamento básico, área que, conforme apontou, gera muitos problemas para a saúde das pessoas. “Para isso, é preciso ter um Governo dos trabalhadores com o apoio dos conselhos populares”. 

Crítica a obras

Para Gonzaga, os atuais governos não dão prioridade para a maioria da população, mas, sim, para a construção de “obras faraônicas que muitas vezes são feitas em parcerias apenas para que as empresas lucrem mais”.

Segundo disse, a Educação passa por dificuldades, e não seria motivo de comemoração, ainda que Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mostre que houve melhora da área no Ceará. “Eles comemoram porque os filhos deles não estudam na escola que meus filhos estudam. Queremos uma educação completa, com valorização dos professores, fazendo concurso público. É preciso que o aluno tenha o direito ao esporte, á cultura. Queremos educação de qualidade”. 

De acordo com o socialista, o modelo de segurança pública adotado no Ceará está falido. Segundo ele, o problema só será solucionado com a participação dos trabalhadores no processo de discussão da diminuição da violência. “Não adianta debater somente essa questão, se não vai na raiz do problema. Se não trabalhar para que se tenha capacidade de estudar, praticar esporte e trabalhar, esse modelo está falido”. 

Ele criticou a intervenção militar no Rio de Janeiro, porque lá, de acordo com sua avaliação, somente os pobres da periferia têm sido prejudicados. Reclamou também do investimento feito pelo Ceará no armamento da Polícia Militar, visto que o número de homicídios, segundo disse, continua crescente, além das taxas de feminicídio. “Queremos uma Polícia Civil unificada, construída através dos conselhos tutelares. Achamos que os trabalhadores devem participar dessas discussões, controlando a Polícia, discutindo tudo isso".

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.