Eleição proporcional

Formação de bloco ainda é desafio na base

O PT quer disputar sozinho vagas na AL, enquanto o PCdoB não pretende formar coligação para a Câmara

01:00 · 20.03.2018
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Deputados de diferentes partidos da base governista na AL acreditam que o governador, no momento certo, ajudará nas negociações ( Foto: Yago Albuquerque )

Apesar de ter aglutinado a maioria dos partidos políticos no Ceará em torno de uma eventual candidatura à reeleição, o governador Camilo Santana (PT) tem pela frente alguns desafios internos a serem solucionados na base governista. Um deles diz respeito à insistência do seu partido, o PT, em querer disputar isolado vagas na Assembleia Legislativa. Aliado histórico da sigla petista, o PCdoB, por sua vez, tem defendido a tese de disputar sozinho algumas das 22 cadeiras do Ceará na Câmara Federal.

O intento das duas agremiações não tem agradado à maioria dos membros da base aliada no Estado. Alguns deputados disseram ao Diário do Nordeste que a intenção inicial do grupo é constituir uma ampla coligação que agregue todos os partidos governistas. No entanto, representantes de legendas aliadas acreditam que a definição final deve ser pela criação de um "blocão", formado por candidatos com maior densidade eleitoral, e outros dois ou três para atender às demandas de siglas com menor potencial de votos.

No início de fevereiro, o secretário chefe da Casa Civil, Nelson Martins, que é filiado ao PT, disse ao Diário do Nordeste que discordava da tentativa do PT de se lançar sozinho para a disputa proporcional estadual. O gestor desconstruiu o argumento da legenda, que tem dito que foi prejudicada na coligação proporcional de 2014, visto que teria votos para eleger até quatro nomes e elegeu apenas dois, devido à coligação da qual participou.

"Mesmo tendo eleito apenas dois deputados, em momento algum teve menos do que quatro deputados nesta Legislatura. Em determinado momento, esteve até com cinco", mencionou Nelson Martins. Ex-presidente do PT de Fortaleza e membro da direção do partido, o deputado estadual Elmano de Freitas contesta as alegações do secretário, pois, segundo ele, se tivesse terminado o último pleito com quatro deputados eleitos, o PT poderia ter tido seis ou até mais membros na Assembleia ao longo da atual Legislatura.

"Pelas falas do Nelson, ele vai propor mudanças na linha de pensamento do PT. Acho que isso vai depender muito da avaliação que faremos das chapas que estão sendo construídas. Estamos montando chapa para irmos sozinhos, e queremos nos antecipar à nova legislação eleitoral, para não termos maiores dificuldades no futuro". A partir de 2020, não será mais possível formar coligações proporcionais no Brasil, conforme aprovado na Reforma Política de 2017.

Resolução

A resolução do PT Ceará, aprovada em dezembro passado, diz que o partido irá se esforçar para a construção de uma chapa própria de candidatos a deputado estadual para as eleições de 2018, "estimulando suas lideranças nas diversas regiões do Estado a se candidatarem, num esforço coletivo de afirmação do protagonismo do PT". Diz ainda que a chapa do partido para a Câmara Federal "será construída em parceria com a direção nacional, ouvidos os atuais parlamentares e pré-candidatos".

Segundo Elmano, o governador Camilo Santana, autoridade política maior do Estado, tem o direito de sugerir mudança na decisão petista devido às circunstâncias políticas. "Nós vamos avaliar e tomar a decisão, buscando consenso com o PT e os deputados. O que não podemos é deixar acontecer o que aconteceu em 2014. O PT tinha votos para eleger quatro e, por ter se coligado, fez apenas dois".

O petista disse ainda que o argumento de Nelson Martins não se justifica, "porque é melhor termos quatro efetivos e, se tivermos, suplentes, podendo ter mais dois que poderão ou não assumir. É razoável se ter as cadeiras na proporção dos votos. Algum eleitor pode não estar se sentindo representado, porque coligamos e a vaga foi para outro partido", reclamou.

Cláusula

Membro do PCdoB na Assembleia, o deputado Carlos Felipe afirmou que a tendência é que o partido vá sozinho para a disputa a deputado federal. Segundo ele, as reclamações na base têm partido principalmente de membros do PDT, mas há justificativa na intenção do partido, que seria manter o percentual da cláusula de desempenho. "É importante mantermos o percentual para continuarmos representando o povo brasileiro".

O deputado Sérgio Aguiar, do PDT, afirmou que Camilo Santana será o "grande condutor da aliança", destacando ainda que "a aliança não é feita de um ou dois partidos, mas de mais de uma dezena de partidos, que devem se coligar para defender a ideia de manutenção desse projeto político". Segundo o pedetista, o governador, no momento certo, vai convencer a todos a tomarem a melhor decisão para condução de seu Governo.

Líder do bloco PDT, PP, PEN e PHS na Assembleia, o deputado Ferreira Aragão (PDT) acredita que a janela partidária, até 7 de abril, definirá os rumos de muitos políticos no Estado. "Até o presente momento, só muita conversa em torno do que pode acontecer. Qualquer decisão até lá pode ser prematura".

Líder do PMDB na Casa, a deputada Silvana Oliveira defendeu que "ou todos vão juntos em bloco ou cada um vai sozinho". O PMDB, apesar de ainda não fazer parte da base, oficialmente, tem se alinhado com o Governo Camilo Santana desde o fim de 2016. "Quer dizer que eu estou aliado só porque me beneficia aqui e ali não? Eu saio de uma composição dessa, e vou dizer na tribuna, caso isso aconteça".

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