Disputa presidencial

Flávio Rocha defende 'valores' e liberalismo

Em diferentes eventos, o empresário lançou ontem, com aliados, a pré-candidatura PRB em Fortaleza

Na Praça do Ferreira, Flávio Rocha esteve cercado por líderes do PRB, como o deputado federal Ronaldo Martins, pessoas com bandeiras do Movimento Brasil 200, adesivos do PRB e camisas com referências à Igreja Universal ( Foto: Thiago Gadelha )
01:00 · 18.05.2018

No grupo dos pré-candidatos à Presidência da República que não carregam, no currículo, a alcunha de políticos profissionais, o empresário Flávio Rocha, que deve disputar o Palácio do Planalto pelo PRB, tem concentrado esforços em percorrer o País na intenção de fazer-se conhecido pelo eleitorado. Para isso, em diferentes municípios, já tem propagado o discurso no qual vai apostar na campanha: a sua "diferença", em relação a outros pré-candidatos, é ter um perfil "liberal na economia e conservador nos costumes". Ontem, em atividades durante todo o dia para o lançamento de sua pré-candidatura em Fortaleza, foi esta a mensagem que fez questão de passar a apoiadores.

Flávio Rocha chegou à capital cearense ainda pela manhã e foi recebido por apoiadores no Aeroporto Internacional Pinto Martins. Na hora do almoço, em encontro do partido em um hotel na Praia de Iracema, ele foi apresentado a lideranças e a pré-candidatos a deputado federal e a deputado estadual do PRB no Ceará e, em seguida, já à tarde, participou de caminhada no Centro de Fortaleza. À noite, o CEO das lojas Riachuelo foi um dos convidados do Fórum Brasil 200, promovido em shopping da Capital pelo Movimento Brasil 200, que defende, dentre outras bandeiras, o combate às altas taxas de impostos e o incentivo ao empreendedorismo.

Em entrevista ao Diário do Nordeste antes do início da caminhada, Flávio Rocha disse que sua pré-candidatura representa um contraponto a um "triste período da nossa história", no qual, segundo ele, "ideias ruins na economia, de intervencionismo estatal, de crescimento do Estado, levaram à maior crise da história e também à degradação dos valores que são o alicerce da sociedade". O sentimento de ausência de uma candidatura que lhe representasse, afirmou, o fez "colocar o pé na estrada" como pré-candidato a presidente.

Segundo ele, o PRB foi o partido escolhido para abrigar tal projeto por compactuar com valores "da família" e "da ética", considerados pelo empresário os "alicerces da sociedade". "É absolutamente necessário, para construir um projeto vencedor para o País nessas eleições, que nós unamos as ideias boas na economia, que são da liberdade econômica - é esse o caminho da prosperidade e geração de emprego -, mas também em defesa aos valores, porque o ataque a estes valores gerou a criminalidade da qual Fortaleza é uma triste vítima".

Questionado sobre o que o diferenciaria, com tal discurso, de outros pré-candidatos que têm bandeiras semelhantes, ele sustentou que os demais presidenciáveis têm ficado "obsessivamente confinados apenas ao debate econômico". Ainda que partilhe da defesa de que é preciso reduzir o Estado brasileiro, Rocha opinou que "não é isso que vai mobilizar o eleitor".

"O eleitor está angustiado com o ataque aos seus alicerces morais. Esse angustiante vácuo às vésperas da eleição mais importante é um vácuo que pode fazer com que continuem prevalecendo dois extremos", argumentou ele, que diz ser pré-candidato de centro, ao referir-se à extrema direita e à extrema esquerda. "São embalagens diferentes para o mesmo desastre", criticou o empresário.

Para Flávio Rocha, "a omissão do debate dos valores" é fator que dá vantagem à campanha do PRB em comparação a outros partidos de direita e centro-direita. Ao mencionar o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), por exemplo, ele afirmou que o parlamentar "é direita nos valores, mas esquerda na economia", por ser "estatizante", contrário a privatizações e reformas. "O que está faltando? A coerência entre as ideias econômicas e as ideias dos valores", defendeu.

Vice

Ao tratar de alianças, o empresário informou que o presidente nacional do PRB, Marcos Pereira, tem conversado com alguns partidos para construir possível coligação, mas não citou quais seriam as agremiações. Ele ressaltou, ainda, que não considera a possibilidade de ser postulante a vice. "Não saí da minha empresa no melhor momento da minha vida profissional, no meu apogeu, com tanto pela frente, para ser coadjuvante", frisou. Questionado sobre quem deve ser o candidato a vice na própria chapa, Rocha disse apenas que "temos dois meses para construir essa aliança vencedora" até as convenções partidárias.

Defensor de reformas como a trabalhista e a previdenciária, medidas que influenciam, segundo pesquisas, a impopularidade do Governo Temer (MDB), Flávio Rocha também sustentou que não levar tais pautas para a campanha seria um "estelionato eleitoral". "Não há saída para o Brasil sem as reformas".

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