Disputa presidencial

Fidelix busca fortalecer candidaturas no Ceará

Pré-candidato do PRTB, ele não descarta, porém, que o general Antônio Hamilton Mourão pode disputar cargo pela sigla

01:00 · 24.05.2018 / atualizado às 12:29
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Em Fortaleza até amanhã, Levy Fidelix concedeu entrevista, ontem, ao Diário do Nordeste. Hoje, ele recebe título de cidadão fortalezense ( Foto: Kleber A. Gonçalves )

Disposto a disputar o comando do Palácio do Planalto em 2018 pela terceira vez – embora não descarte eventual candidatura do general da reserva Antônio Hamilton Mourão –, Levy Fidelix, pré-candidato do PRTB à Presidência da República, tem percorrido o País com um objetivo duplo: firmar-se como presidenciável e, ao mesmo tempo, promover articulações internas no partido para fortalecer possíveis pré-candidaturas à Câmara dos Deputados nos estados. 

Em entrevista ao Diário do Nordeste, ontem, ele ressaltou que uma pré-candidatura como a do PRTB, com perfil de centro-direita, “está sendo ansiada hoje por muita gente”, e sustentou que, diferente de postulantes monotemáticos, não terceiriza propostas e se prepara para defender na campanha, com motivação, “o conservadorismo”, “a Pátria” e “a família”.

Levy Fidelix chegou ontem a Fortaleza e fica na Capital até amanhã. Hoje, ele recebe título de cidadão fortalezense na Câmara Municipal de Fortaleza, mas aproveita os três dias na Cidade para participar de encontros com filiados ao PRTB e visitar locais como igrejas. Segundo ele, o partido pretende superar a cláusula de barreira, neste ano, ao eleger 18 deputados federais, um destes no Ceará.

Uma das apostas da sigla, apontou o presidenciável, é a vereadora da Capital Priscila Costa, eleita pela primeira vez em 2016. Levy Fidelix, que é presidente nacional do PRTB, disse que tem dialogado com correligionários cearenses para que a sigla concentre esforços com vistas à eleição da vereadora para a Câmara dos Deputados.

Nacionalmente, ele adiantou que, após ter disputado o cargo de presidente em chapa pura em 2014, o PRTB tenta formar coligação neste ano. “Hoje (ontem) mesmo conversei com o (José Maria) Eymael (PDC), tenho conversado com pessoas do PHS, o vice-presidente em Recife conversou comigo ontem (na terça), e com vários outros irei conversar, para que possamos juntar à nossa candidatura”, mencionou Fidelix.

De acordo com ele, o PRTB conseguiu crescer entre a eleição de 2014 e o pleito de 2018 e preparou-se para, neste ano, superar “com amplitude” a cláusula de barreira, que restringe o funcionamento partidário pleno àqueles partidos que elegerem, no mínimo, nove deputados federais e obtiverem ao menos 1,5% dos votos válidos do País. 

“O partido se ampliou. Hoje, tem mais de 500 vereadores, 12 deputados estaduais, chega a 89 entre prefeitos e vice-prefeitos, (possui) em torno de 150 mil filiados”, enumerou. 

Para a disputa presidencial, Levy Fidelix afirmou que o PRTB tem um “candidato limpo” e preparado para travar debates sobre diversos temas. “Se for para os debates – e vou –, tenho motivação para defender o conservadorismo, a Pátria, a família, e também propostas que já tenho há muito tempo. Os outros candidatos terão que provar, e, muitas vezes, vêm candidatos aí com uma tese só, são monossilábicos. Um só fala de segurança, o outro só fala de sustentabilidade... Isso soa mal”, criticou.

Outro

Ele não descartou, porém, que o general da reserva Antônio Hamilton Mourão, recém-filiado ao partido e conhecido por declarações de apoio à ditadura militar, possa ser indicado candidato a presidente ou a vice na convenção partidária. Apesar disso, Fidelix frisou que, desde encontro da legenda realizado em novembro do ano passado, é o pré-candidato do PRTB.

Levy destacou que, caso eleito presidente, combaterá o modelo de desenvolvimento vigente no Brasil, “impregnado por um elevado monetarismo” diante do que chamou de “reinado bancário financeiro”, e tentará implementar políticas sociais aliadas a um pensamento liberal. “Do mesmo jeito que o Estado pode servir de protetor dos menos favorecidos, queremos um Estado mais livre, desembaraçado, privatizando o que temos que privatizar, toda a área portuária, a área aeroportuária”, colocou. 

Ele, que se autoproclamava “o candidato da direita” em 2014, com o slogan “Vamos endireitar o Brasil”, reconheceu que este ano não será o único presidenciável com tal perfil, mas ponderou que ter posição inclinada ao centro o diferencia de outros postulantes, como o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL). “Acho ele extremamente exagerado em algumas coisas. Eu sou mais centrista. Defendo, sim, a família, como ele, a segurança também, mas tenho divergências, por exemplo, no plano econômico”, diferenciou. Levy não descartou, contudo, eventual apoio ao parlamentar, caso ele chegue ao segundo turno. 

Pivô de polêmica na eleição de 2014, ao fazer declarações consideradas homofóbicas em debate televisivo, que motivaram oito ações judiciais contra ele, Fidelix ressaltou também que não mudou de posicionamento em relação à união homoafetiva, mas disse que, apesar da convicção “pessoal e particular”, obedecerá “a tudo que estiver previsto em lei” caso seja eleito presidente. 

“Não discriminei à época, como não continuo discriminando. As pessoas façam uso do que quiserem, como quiserem, mas não podem me impor uma agenda”, sustentou. “Qualquer pessoa, qualquer que seja sua prática ou tendência, é um consumidor, é alguém que trabalha, que produz riqueza, e deve merecer o mesmo respeito”, concluiu. 

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