Nos bairros

Facções afetam atuação de vereadores

01:00 · 26.04.2018 / atualizado às 01:14

O vereador Professor Elói (Patri) foi à tribuna da Câmara Municipal de Fortaleza, ontem, para relatar ações de seu mandato na área da Secretaria Executiva Regional (SER) III, região onde ele atua. De acordo com o parlamentar, a atuação do crime organizado está levando os parlamentares que atuam nas periferias a repensarem suas ações. "Se você não tiver habilidade, pode ser assaltado e até morto", disse.

O vereador informou que visitou diversas ruas da região para tratar de obras que o Executivo Municipal deverá desenvolver em parceria com o Governo do Estado, principalmente de recapeamento de ruas. Ao encontrar com um garoto e perguntar em qual escola ele estudava, teria tido como resposta que seria a "escola do crime".

Segundo Elói, após deixar a área, descobriu que o local era um ponto de venda de drogas e o seu interlocutor atuava como olheiro para as facções. Em alguns casos, disse ele, vereadores são obrigados a tratar com os bandidos. "Você tem que ser educado com eles, tentar conversar", explicou. Professor Elói afirmou, no discurso, que "é com muita dificuldade que estamos fazendo política nas periferias".

Em março, quando o vereador Soldado Noélio (PROS) apresentou um projeto de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o tráfico de drogas na Cidade, o parlamentar foi contra a proposta, alegando justamente a insegurança que isso traria àqueles vereadores que moram nas periferias de Fortaleza, onde as organizações criminosas atuam. Em entrevista, o vereador afirmou que o trabalho dele nessas regiões ainda é possível, desde que não trate da criminalidade.

Elói ressaltou, entretanto, que o ceticismo da população em relação à classe política também é problema enfrentado pelos vereadores em militância nos bairros. "Os políticos estão completamente desacreditados", declarou. Segundo ele, ajustes administrativos exigidos por lei são mal-vistos. O vereador citou uma obra de cobertura de uma quadra na região, que teve que ter ordem de serviço assinada com atecnias, o que levou o processo burocrático a ser reiniciado. Isso, segundo ele, seria motivo de cobrança da comunidade e de crítica de opositores.

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